Coronavírus: veja os efeitos na indústria automotiva
Aos poucos, fábricas iniciam retomada das atividades após produção no Brasil despencar 99% em abril. Quase 80 mil trabalhadores terão redução no salário e na jornada ou suspensão temporária do contrato. Setor busca empréstimos.
Por G1
A pandemia do coronavírus vem causando fortes impactos na indústria automotiva em todo o mundo, mas pegou as montadoras brasileiras em um momento delicado: quando elas estavam começando a reagir à crise econômica que o país enfrentou a partir de meados da década.
Início de março: preocupação com a China
A primeira preocupação, nos primeiros dias de março, quando o Brasil ainda não tinha nenhuma morte confirmada pela Covid-19, era com uma eventual falta de peças por conta da epidemia na China, onde o coronavírus surgiu. O pais asiático já estava em quarentena.
Fim de março: surto fecha fábricas e lojas
Mas, antes mesmo do mês acabar, a doença se espalhou pelo Brasil, causando mortes. Como medida para conter o que passou a ser considerado uma pandemia, quase todas as fábricas de veículos pararam e as concessionárias fecharam, a exemplo de praticamente todo o comércio.
Algumas montadoras passaram a ajudar no conserto de respiradores e na produção de equipamentos para profissionais de saúde.
Abril: produção 'zero' e acordos por empregos
A situação se estendeu pelo mês de abril, quando a produção de veículos no Brasil despencou 99%, chegando ao menor nível da história da indústria no país.
Lançamentos foram adiados, os emplacamentos caíram 76%, e, para amenizar o prejuízo, as montadoras apelaram às vendas em redes sociais e a promoções.
Quase todas as empresas fecharam acordos com os trabalhadores do setor para suspender contratos temporariamente ou reduzir a jornada, incluindo corte nos salários. Isso é possível por causa da MP 936, que flexibilizou as regras trabalhistas em meio ao Covid-19.
Levantamento do G1 apontou que, até 28 de abril, 74% dos funcionários de fabricantes de carros, caminhões e ônibus foram afetados pela medida. Eram cerca de 80 mil pessoas. Outras montadoras anunciaram acordos semelhantes, posteriormente.
Maio: reinício gradual e crise agravada
Em maio, algumas linhas de montagem começaram a ser retomadas (veja abaixo), com adoção de medidas sanitárias, como distanciamento entre funcionários e medição da temperatura corporal na entrada das fábricas.
A associação das montadoras, a Anfavea, ainda não reviu a previsão para o ano, mas a expectativa de empresários e analistas é de que 2020 termine com uma queda de 40% nas vendas, na comparação com 2019.
As fabricantes têm buscado R$ 25 bilhões em empréstimos junto ao bancos para todo o setor. Segundo elas, a maior preocupação é com a sobrevivência de fornecedores e concessionárias. A negociação, intermediada pelo Ministério da Economia, ainda não deu frutos.
Ao G1, o presidente da federação dos lojistas, a Fenabrave, disse que 30% das concessionárias poderiam "quebrar" até o fim de maio se não houvesse a reabertura do comércio.
As locadoras, que aumentaram sua participação no setor nos últimos anos, com alugueis para motoristas de aplicativos e o chamado "carro por assinatura", além da revenda de usados, também tiveram forte queda na demanda.
Veja abaixo a situação das fábricas:
Automóveis
Todas as 31 fábricas de automóveis e peças do país tiveram a paralisação anunciada pelas marcas a partir do fim de março. Algumas começaram a retomar as atividades, de forma gradual, em maio.
Fábricas de automóveis afetadas
| Fabricante | Cidade | Retorno |
| BMW | Araquari (SC) | Voltou em 4 de maio |
| Caoa Chery | Jacareí (SP) | Voltou em 1 de junho |
| Caoa Hyundai | Anápolis (GO) | Voltou em 22 de junho |
| Chevrolet | São Caetano do Sul (SP) | Voltou em 18 de maio |
| Chevrolet | São José dos Campos (SP) | Voltou em 16 de junho |
| Chevrolet | Mogi das Cruzes (SP) | Voltou em 4 de maio |
| Chevrolet | Gravataí (RS) | Voltou em 15 de junho |
| Chevrolet | Joinville (SC) | Voltou em 11 de maio |
| FCA - Fiat Chryser | Betim (MG) | Voltou em 11 de maio |
| FCA - Fiat Chrysler | Goiana (PE) | Voltou em 11 de maio |
| FCA - Fiat Chrysler | Campo Largo (PR) | Voltou em 4 de maio |
| Ford | Camaçari (BA) | Voltou em 22 de junho |
| Ford | Taubaté (SP) | Voltou em 1 de julho |
| Ford/Troller | Horizonte (CE) | Sem previsão |
| Honda | Sumaré (SP) | Voltou em 13 de julho |
| Honda | Itirapina (SP) | Voltou em 13 de julho |
| Hyundai | Piracicaba (SP) | Voltou em 13 de maio |
| Jaguar Land Rover | Itatiaia (RJ) | Voltou em 15 de junho |
| Mercedes-Benz | Iracemápolis (SP) | Voltou em 11 de maio |
| Mitsubishi/Suzuki | Catalão (GO) | Voltou em 1 de junho |
| Nissan | Resende (RJ) | Voltou em 22 de junho |
| PSA - Peugeot Citroën | Porto Real (RJ) | Voltou em 23 de junho |
| Renault | São José dos Pinhais (PR) | Voltou em 4 de maio |
| Toyota | São Bernardo do Campo (SP) | Voltou em 22 de junho |
| Toyota | Indaiatuba (SP) | Voltou em 22 de junho |
| Toyota | Porto Feliz (SP) | Voltou em 22 de junho |
| Toyota | Sorocaba (SP) | Voltou em 26 de junho |
| Volkswagen | São Bernardo do Campo (SP) | Voltou em 1 de junho |
| Volkswagen | Taubaté (SP) | Voltou em 1 de junho |
| Volkswagen | São Carlos (SP) | Voltou em 26 de maio |
| Volkswagen/Audi | São José dos Pinhais (SP) | Voltou em 18 de maio |
Motocicletas
A paralisação também atingiu as fábricas de motos, concentradas na Zona Franca de Manaus, uma das primeiras cidades brasileira cujos sistema de saúde e funerário entraram em colapso com a pandemia.
Fábricas de motos afetadas
| Fabricante | Cidade | Retorno |
| BMW | Manaus | Voltou em 18 de maio |
| Honda | Manaus | Voltou em 25 de maio |
| Yamaha | Manaus | Voltou em 30 de abril |
| Harley-Davidson | Manaus | Voltou em 27 de abril |
| Triumph | Manaus | Sem previsão |
Caminhões e ônibus
Após um mês de paralisação, as maiores fabricantes de caminhões do país, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen e Volvo, reabriram suas fábricas em maio, ainda que de forma gradual.
Fábricas de caminhões e ônibus paradas
| Fabricante | Cidade | Retorno |
| Agrale | Caxias do Sul (RS) | Sem previsão |
| Agrale | Caxias do Sul (RS) | Sem previsão |
| Daf | Ponta Grossa (PR) | Sem previsão |
| Iveco | Sete Lagoas (MG) | Sem previsão |
| Mercedes-Benz | São Bernardo do Campo (SP) | Voltou em 11 de maio |
| Mercedes-Benz | Juiz de Fora (MG) | Voltou em 11 de maio |
| Scania | São Bernardo do Campo (SP) | Voltou em 27 de abril |
| Volkswagen/MAN | Resende (RJ) | Voltou em 27 de abril |
| Volvo | Curitiba (PR) | Voltou em 4 de maio |
Máquinas agrícolas e de construção
As produção de máquinas agrícolas foi um pouco menos impactada - algumas fábricas seguiram produzindo para abastecer o setor e garantir a produção de alimentos.
Fábricas de máquinas agrícolas paradas
| Fabricante | Cidade | Retorno |
| Agrale | Caxias do Sul (RS) | Sem previsão |
| CNH Industrial | Curitiba (PR) | Sem previsão |
| CNH Industrial | Contagem (MG) | Sem previsão |
| CNH Industrial | Piracicaba (SP) | Sem previsão |
| CNH Industrial | Sorocaba (SP) | Sem previsão |
| John Deere | Horizontina (RS) | Sem previsão |
| John Deere | Porto Alegre (RS) | Sem previsão |
| John Deere | Montenegro (RS) | Sem previsão |
| John Deere | Canoas (RS) | Sem previsão |
| John Deere | Catalão (GO) | Sem previsão |
| John Deere | Indaiatuba (SP) | Sem previsão |
Fora do Brasil
A indústria automotiva em todo o mundo sofre os impactos da pandemia. Eles começaram na China, onde o surto se agravou em janeiro. O país asiático é o maior mercado de veículos do mundo e também um importante fornecedor de autopeças.
A produção chinesa começou a ser retomada em março. Na mesma época, num movimento inverso, começaram as paralisações na Europa, nos Estados Unidos, no México e na América do Sul, com o aumento dos casos nessas regiões.
As fábricas europeias voltaram à atividade entre o fim de abril e o começo de maio. O Grupo Volkswagen informou uma "crise sem precedentes" ao divulgar o balanço do 1º trimestre.
Veja a situação nas principais montadoras:
BMW: a empresa fechou grande parte de suas fábricas na Europa e África do Sul. A suspensão permaneceu até abril.
Brembo: uma das principais fabricantes de freio do mundo, a marca suspendeu temporariamente a produção em suas quatro fábricas italianas por falta de peças.
Ducati: a fabricante italiana de motos de luxo suspendeu a produção na Itália por efeito no surto. Até dia 25 de março, a montadora paralisou as atividades em Borgo Panigale, em Bolonha, para readequação da estrutura, com o objetivo de evitar o contágio.
Ferrari: a marca fechou suas duas fábricas até 27 de março, em resposta ao surto de coronavírus na Itália e à crescente escassez de peças.
Fiat Chrysler (FCA): a montadora suspendeu a produção na maioria de suas fábricas europeias. Até o dia 27 de março, as unidades de Itália, Sérvia e Polônia estão temporariamente paradas. Nos Estados Unidos, a fabricante teve um trabalhador diagnosticado Covid-19, em sua fábrica de Indiana, mas a operação permaneceu.
Ford: na Espanha, a Ford anunciou a paralisação de uma das maiores fábricas da empresa fora dos Estados Unidos, após três funcionários testarem positivo para o novo coronavírus.
Lamborghini: a montadora paralisou as operações em Sant'Agata Bolognese.
Mercedes-Benz: grande parte da produção da marca na Europa foi paralisada. A suspensão se aplica às fábricas de carros, vans e veículos comerciais da Daimler, segundo a empresa.
Nissan: empregando 3 mil pessoas no local, a marca fechou, momentaneamente, a fábrica de Barcelona por falta de componentes para a produção.
PSA: o grupo automotivo francês PSA anunciou o fechamento de todas a suas fábrica da Europa, que incluem as marcas Citroën, Peugeot, DS, Opel e Vauxhall;
Renault: a montadora anunciou a paralisação nas em Palência e Valladolid, na Espanha, afetando cerca de 6 mil trabalhadores. O motivo é a falta de peças.
Seat: integrante do grupo Volkswagen, a marca espanhola pausou a produção em Martorell, nas proximidades de Barcelona, por falta de peças. Com isso, cerca de 7 mil funcionários ficarão em casa.
Toyota: apesar da crise que atingiu a China, algumas fabricantes estão retomando a produção, como é o caso da Toyota. A empresa japonesa suspendeu por 1 mês as atividades na unidade de Guangzhou, mas retomou a produção em 16 de março.
Volkswagen: a marca anunciou que reabriu suas fábricas na China. Nesta segunda-feira (27), a empresa reabriu sua principal fábrica, na sede, em Wolfsburg, na Alemanha. Em outros países, principalmente, as unidades ainda estão fechadas.
Porsche: a fabricante de veículos esportivos retomará suas atividades a partir de 4 de maio em Zuffenhausen e Leipzig, na Alemanha.
Salões cancelados por coronavírus
O surto do novo coronavírus também derrubou o Salão de Genebra, na Suíça, que aconteceria neste mês e foi cancelado às vésperas, pelo risco existente em aglomerações. O mesmo aconteceu com o Salão de Pequim, na China, e os americanos, de Detroit e Nova York.
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