Chevrolet Spin 2019: primeiras impressões
Depois de 6 anos, primeira renovação da minivan deixou visual mais harmônico. Pelo valor cobrado, faltam alguns itens de segurança.
Por G1 — Foz do Iguaçu (PR)
G1 andou na Chevrolet Spin 2019
Alguns carros ficam marcados negativamente pelas características estéticas. É fácil citar alguns exemplos, como o Pontiac Aztek e a Fiat Multipla.
Aqui no Brasil, a Chevrolet Spin até poderia agradar famílias e taxistas por oferecer espaço generoso para pessoas e bagagens, mas passava longe de ter visual agradável.
O bom desempenho nas vendas, porém, fez com que a minivan conseguisse sobreviver, sem mudanças, por praticamente 6 anos (ela foi lançada para substituir Zafira e Meriva). Agora, na linha 2019, a minivan finalmente ganhou a esperada reestilização.
Todos as versões e preços:
- LS - R$ 63.990
- LT manual - R$ 68.990
- LT automática - R$ 69.990
- LTZ manual - R$ 78.490
- LTZ automática - R$ 81.990
- Activ - R$ 79.990
- Activ 7 lugares - R$ 83.490
Cara de Equinox
Os designers da Chevrolet concentraram seus esforços na dianteira, desenhando faróis mais afilados, inclinando o capô e remodelando a grade.
Tudo isso fez com que a Spin ganhasse a atual identidade visual da fabricante, já observada em outros carros. Ou seja, aquela impressão de “já vi isso em algum lugar” é proposital.
Por dentro, pouco muda, incluindo o quadro de instrumentos com mostradores convencionais, em vez da tela digital da versão anterior.
Menos aperto
Visual resolvido, a Chevrolet buscou reforçar algumas características que já eram pontos positivos na Spin. É o caso da versatilidade, aprimorada com a segunda fileira de bancos, que agora corre sobre trilhos, com amplitude de 11 cm.
Com isso, o volume do porta-malas pode passar de 710 para 756 litros (na versão com 5 lugares). Por outro lado, é possível garantir preciosos centímetros extras para quem viaja na terceira fileira de bancos e amenizar o aperto para a “turma do fundão”.
Para os demais, há fartura de espaço, e quem vai na fileira central fica em posição elevada, como em um teatro.
Time vencedor
A parte mecânica ficou intacta. O motor 1.8 de 111 cavalos não é o mais moderno nem potente do mercado, mas seu torque de 17,7 kgfm dá conta do recado, ainda que se fazendo lembrar pelo alto nível de ruído e aspereza nas acelerações mais fortes.
O câmbio automático de seis marchas ajuda a entregar o desempenho condizente com a proposta do veículo – familiar. Só que o consumo de combustível piorou. Veja na tabela abaixo:
Consumo de combustível da Chevrolet Spin
| Consumo urbano (etanol/gasolina) | Consumo rodoviário (e/g) | |
| Spin 2018 manual | 8,1/11,8 km/l | 9,4/13,7 km/l |
| Spin 2019 manual | 7,8/10,4 km/l | 9,0/13,2 km/l |
| Spin 2018 automática (7 lugares) | 7,5/10,9 km/l | 9,2/13,1 km/l |
| Spin 2019 automática (7 lugares) | 7,0/10,3 km/l | 8,3/12,0 km/l |
A Chevrolet diz que alterou a calibração da transmissão automática, para deixar as trocas mais suaves e rápidas. Essa, aliás, é uma das explicações para a piora no consumo.
Também deu para notar o acerto mais firme da suspensão. Ainda assim, o objetivo principal é garantir o conforto dos ocupantes, sensação reforçada pela direção leve.
Durante o test-drive de pouco mais de 25 km em Foz do Iguaçú (PR), foi possível verificar na prática todas as mudanças.
Mais equipamentos
A unidade avaliada era da versão mais completa, LTZ, de R$ 81.990. Ela sai de fábrica com câmbio automático e a terceira fileira de bancos.
Apesar de o acesso ser relativamente fácil, o assento inteiriço rouba 157 litros do porta-malas, quando dobrado. Mesmo assim, a capacidade supera o compartimento de cargas de muitos SUVs: são 553 litros.
Nesta configuração, a oferta de equipamentos foi aprimorada. A Spin LTZ ganhou câmera de ré, luz diurna de LED e sensores de luz e chuva. O pacote ainda inclui ar-condicionado, direção elétrica, vidros, travas e retrovisores elétricos, central multimídia com espelhamento de celulares via Android Auto e Apple CarPlay.
Em termos de segurança, a Chevrolet incluiu as fixações Isofix e Top Tether para cadeirinhas em todas as versões da Spin.
Carências
Outras novidades que seriam bem-vindas, porém, acabaram dispensadas pela fabricante. Isso inclui simples palhetas do tipo "flat-blade" para os limpadores, mas principalmente itens de segurança cada vez mais populares em veículos de preços mais baixos.
Questionado, o diretor de marketing da Chevrolet, Hermann Mahnke, disse que os itens não foram adicionados ao modelo porque os custos ficaram muito altos.
Conclusão
O mercado de veículos considerados familiares é muito escasso no Brasil. Contando a Spin, são apenas três modelos que levam até 7 passageiros e custam menos de R$ 100 mil.
O quadro se agrava considerando que as outras duas opções são modelos que praticamente não existem nas concessionárias.
A Jac só emplacou uma unidade do J6 no primeiro semestre. O desempenho do Fiat Doblo é bem melhor, de 2,7 mil exemplares no período, mas o número ainda é inferior às 10.945 Spin vendidas nos seis primeiros meses do ano.
Desta forma, a Spin “reina” sozinha em seu segmento, o que pode er um dos motivos de a Chevrolet ainda dispensar certos itens de segurança em um veículo voltado para justamente famílias.
O visual repaginado deve impulsionar ainda mais as vendas, atraindo consumidores que antes não consideravam a minivan como uma opção.









