Mini Countryman All4: primeiras impressões
Nova geração do crossover se torna o maior modelo já feito pela marca. Conjunto mecânico empolga, e preço faz do modelo mais competitivo do que rivais.
Por G1 — São Paulo
A família Mini nunca foi tão grande. E não apenas pelo número de variações de carrocerias (hatch de 3 e 5 portas, conversível, perua e crossover), mas também pelo tamanho. No caso do Countryman, o maior deles, com 4,29 metros de comprimento, o título de “mini” só se aplica ao nome da fabricante.
O Countryman, aliás, é a mais recente novidade da Mini, marca que pertence à BMW. A menção é válida, já que o modelo compartilha plataforma e conjunto mecânico com o menor crossover dos alemães, o X1.
Voltando ao Contryman, o G1 avaliou a versão Cooper S All4, de R$ 192.950. Ela traz motor 2.0 de 192 cavalos, e só fica abaixo da esportiva John Cooper Works. O câmbio é automático de 8 marchas, e a tração é integral.
Mini só no nome
O Countryman tem porte semelhante ao de SUVs compactos, como Honda HR-V e Hyundai Creta. A oferta de espaço, no entanto, é maior do que nestes modelos. São 2,67 m de entre-eixos.
Além do bom espaço para as pernas, o formato “caixote” da carroceria confere maior tranquilidade para 3 adultos viajarem no banco traseiro sem aperto nos ombros e cabeça.
O Countryman ainda ganha pontos em praticidade por ter bancos traseiros montados em trilhos. Com isso, é possível deslizar os assentos em até 13 cm e aumentar o espaço para as penas ou porta-malas.
Sem crise de identidade
Apesar de ter crescido por fora, o Countryman preservou a identidade da Mini no interior. O orgulho da origem britânica aparece em bandeiras estilizadas do Reino Unido na base do volante, em botões e nos encostos dos bancos.
O enorme círculo no centro do painel chama tanta atenção quanto o astro Bono Vox dando uma voltinha pelas ruas de São Paulo.
Curso de alemão
O centro da circunferência abriga a nova central multimídia, que tem tela de 8,8 polegadas e é sensível ao toque – esta é a novidade. O problema é que operar o sistema – idêntico ao dos carros da BMW – é quase tão difícil quanto aprender a falar alemão.
Memorizar uma simples estação de rádio é uma tarefa que exige alguns passos. O mesmo vale para conectar o celular via Bluetooth. A boa notícia é que a central permite espelhamento via Android Auto e Apple CarPlay.
Outro charme do Countryman é a chave, que tem formato peculiar – redondo. Aliás, é bom o dono se acostumar a usa-la.
Ainda há outro deslize em termos de equipamentos. Apesar de a câmera de ré ser item de série, é preciso pagar mais para ter simples sensores de estacionamento. Fora isso, há ar-condicionado digital de 2 zonas, rodas de 19 polegadas, bancos de couro com regulagens elétricas, teto solar, câmera de ré, sensores de luz, chuva e central multimídia com tela de 8,8 polegadas.
Opcionalmente, há o pacote Parking, que custa R$ 3,8 mil e adiciona estacionamento autônomo e sensores dianteiros e traseiros.
Sem pretensão de rali
O Countryman All4 tem tração integral. E, apesar desta foto do modelo em uma estrada com lama, o objetivo não é deixar o Countryman parecido com o modelo que disputava o Campeonato Mundial de Rali.
Na verdade, a adoção deste tipo de tração é garantir maior estabilidade em terrenos com menos aderência – leia-se neve para americanos e europeus e um pouco de lama.
O crossover não tem a menor pretensão de ser um devorador de trilhas. O novo Countryman se parece mais é com o Mini hatch, com uma direção direta e câmbio respondendo à altura com trocas de marchas ágeis. A suspensão, como era de se esperar, é bem rígida, mas não chega a comprometer o conforto.
Outro bom clichê do Countryman é seu desempenho. De acordo com dados de fábrica, o crossover acelera de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos, e tem velocidade máxima de 222 km/h.
Na prática, isso significa que o modelo anda muito bem, e de quebra, entrega um ronco agradável do motor. O câmbio de 8 marchas tem trocas rápidas. Ainda assim, se o motorista preferir, pode realizar as mudanças por meio de alavancas atrás do volante.
Segundo o Inmetro, o Countryman faz 9,5 km/l de gasolina na cidade e 11,8 km/l na estrada. Os números são ligeiramente inferiores aos da versão com tração dianteira e aos do “primo” BMW X1.
Falando em consumo, o modo mais econômico do Mini é o Green. Ele praticamente transforma o carro. O motor fica mais silencioso e o desempenho cai consideravelmente, ficando abaixo do esperado para um veículo de quase 200 cv. Ainda assim, o esforço é válido para conseguir um consumo mais baixo.
Conclusão
O Countryman, como todo Mini, não foi feito para quem deseja encarar com discrição o trânsito. Seu objetivo é exatamente o contrário. Agora, também irá atender quem faz questão de um estilo mais extravagante e precisa de espaço no banco traseiro.
Seu concorrente natural seria o Range Rover Evoque, mas o crossover britânico é bem mais caro, e parte de R$ 228,5 mil, contra R$ 192.950 do Mini.
O Mini oferece mais itens de série do que a dupla, só que custa menos do que os alemães em suas versões equivalentes, que saem por R$ 199.950 do X1 e os R$ 203.900 do GLA.









