Renault Kwid tenta resgatar conceito de carro 'popular'; compare com rivais
De versão para adeptos do 'crossfit' automotivo aos 4 airbags de série, veja o que o sucessor do Clio tem (e não tem) para brigar com rivais. Será que 'cola'? VOTE na enquete.
Por G1 — São Paulo
Renault Kwid quer ser o novo 'popular'
Depois de uma longa "maturação" para o mercado brasileiro, o Renault Kwid chega finalmente às concessionárias desafiando os modelos mais populares, com um desejado visual de utilitário esportivo e soluções de baixo custo para resgatar o conceito de carro "popular".
Antes mesmo de aparecer nas lojas, ele conquistou alguns milhares de consumidores na pré-venda, atraídos pelo preço inicial de R$ 29.990 (valor da versão básica, sem ar ou direção hidráulica) e pela exigência de um singelo "sinal" de R$ 1.000 para reservar o veículo.
Com estas e outras artimanhas, o Kwid tenta repetir o sucesso do Clio. Mas, em quase duas décadas, o mercado brasileiro evoluiu e o consumidor ficou mais exigente. Os campeões de venda atuais, Chevrolet Onix e Hyundai HB20, por exemplo, possuem ar e direção assistida de série.
Veja o que o Kwid tem (e não tem) para brigar com os concorrentes Chery QQ e Fiat Mobi, que também figuram entre os mais "baratos".
Preços e versões do Kwid
Life: R$ 29.990
Não tem ar-condicionado nem direção assistida, mas vem com 4 airbags (2 a mais que os obrigatórios) e sistema Isofix para fixação de cadeirinhas (que será exigido por lei em 2022).
Inclui: rodas 14 polegadas, 2 airbags laterais, 2 airbags frontais, 2 posições com Isofix no banco de trás, predisposição para rádio, indicador de troca de marcha, alerta de cinto de segurança do motorista, desembaçador traseiro, retrovisores e vidros manuais.
Zen: R$ 34.990
Itens da Life, mais: direção elétrica, ar-condicionado, travas e vidros dianteiros elétricos, alerta sonoro de faróis acesos, limpador do vidro traseiro, retrovisor com função dia/noite e revestimento interno no porta-malas. Precisa pagar mais R$ 400 para ter rádio com Bluetooth, entradas USB e AUX.
Intense: R$ 39.990
Itens de Life e Zen, mais: retrovisores elétricos, faróis de neblina, computador de bordo, sistema multimídia com tela sensível ao toque e câmera de ré, apoio de cabeça traseiro central, abertura elétrica do porta-malas e chave-canivete, além de diferentes detalhes de acabamento externo e interno.
Popular desde o berço
Diferentemente de rivais que ficam "pelados" para ter preço acessível, o Kwid foi concebido como carro de baixo custo desde a prancheta. A base é a plataforma (CMF-A), compartilhada com a Nissan e a Datsun, que tirou dela o Redi Go, que custa a partir de R$ 11,8 mil na Índia.
"Cada parafuso tem que ter uma razão, uma necessidade. Se não tiver, não colocamos", afirmou Charles Courtois, gerente do produto da Renault.
E quando ele diz "parafuso", pode ser no sentido figurado ou literal. Realmente, o Kwid não tem nenhum luxo ou detalhe que não seja funcional ou necessário por lei. As rodas, por exemplo, são fixadas com 3 parafusos em vez de 4, como é usual.
Refeito para o Brasil
O Kwid foi lançado primeiro na Índia, onde "zerou" em alguns testes de colisão, até conseguir 1 única estrela na 4ª tentativa. No entanto, ele se parece com a versão brasileira apenas por fora.
O carro feito em São José dos Pinhais (PR) foi praticamente recriado pelo time de engenharia da Renault no Brasil, começando pelo reforço da estrutura, que tem 30% de aço de alta resistência.
Cerca de 80% das peças são específicas da versão brasileira, e até mesmo o pacote de equipamentos mais básico é superior ao seu duplo indiano.
Com todas as mudanças, ele ficou cerca de 100 kg mais pesado, com 780 kg na versão básica e 796 kg na mais completa - ainda bem mais "magrinho" que o Volkswagen Up! e o Fiat Mobi.
Igualdade em segurança
O Kwid não cobra preço alto pela segurança a bordo. Todas as versões sairão de fábrica com 4 airbags (2 frontais obrigatórios e 2 laterais), além de 2 posições Isofix para cadeirinhas de crianças.
"Temos o mesmo nível de segurança em todas as versões. Não há discriminação pelo preço", afirmou Manuel Tavares, chefe de engenharia do Kwid brasileiro.
O modelo brasileiro ainda não foi avaliado pelo Latin NCap, que organiza os testes de colisão na região. Se for, já é possível dizer que não receberá nota máxima, porque não possui controle de estabilidade.
O "crash test" será um dos desafios do Kwid para se firmar como uma opção mais segura que o Onix, que "zerou" na avaliação feita em maio deste ano, e que o Mobi, avaliado nesta semana com 1 estrela só.
Conforto só para alguns
Se não cobra na segurança, o Kwid cobra no conforto.
Sem assistência na direção, vidros elétricos, ar-condicionado, limpador traseiro, conta-giros e revestimento no porta-malas, a versão de partida, Life, de R$ 29.990, é mais indicada para adeptos do "cross fit" automotivo.
Por outro lado, todas as versões têm rodas de aço 14 polegadas com calotas, freios com discos sólidos na dianteira e tambores na traseira.
Nos próximos meses, o Kwid ganhará mais opções. Em outubro, será possível incluir ar-condicionado e direção elétrica na versão de entrada, e a Intense passará a cobrar mais pelo Pack Connect, que inclui a central multimídia.
Peso x Potência
Aqui não tem pra onde fugir: só há um tipo de motor, 1.0 de 3 cilindros, 12 válvulas (nenhuma variável) e bloco de alumínio. Com 66/70 cv (gasolina/etanol), ele é, atualmente, o mais fraco do segmento, mas isto não compromete o desempenho.
Em uma breve experiência em São Paulo, foi possível perceber que o propulsor é suficiente para o compacto, mesmo sendo mais simples que os usados no Sandero e no Logan.
Como o Kwid é muito mais leve, sua relação entre peso e potência é a melhor entre os rivais.
Simplificando muito, quanto menor a relação entre peso e potência, cada cavalo fica menos "carregado" e, por isto, anda melhor.
Peso e potência
| Modelo | Peso | Potência (máx) | Relação |
| Kwid | 780 kg | 70 cv | 11,1 kg/cv |
| Mobi | 907 kg | 75 cv | 12,1 kg/cv |
| Up! | 922 kg | 82 cv | 11,2 kg/cv |
| 940 kg | 75 cv | 12,5 kg/cv |
Leveza = economia
Outra consequência do peso reduzido do Kwid é a eficiência no uso do combustível, mesmo com pouca tecnologia de ponta no motor. No entanto, o tanque reduzido de 38 litros ainda fará o motorista visitar o posto tanto quanto qualquer outro.
O lançamento da Renault deve ficar entre os 10 carros mais econômicos do Brasil no ranking geral.
Consumo de combustível
| Cidade (km/l) | Estrada (km/l) | |
| Gasolina | 14,9 | 15,6 |
| Etanol | 10,3 | 10,8 |
Visual de SUV
Não é novidade que os utilitários esportivos são os modelos mais desejados atualmente. E a Renault tenta aproveitar o momento com o slogan "o SUV dos compactos", para atingir famílias e jovens urbanos de classe média. Mas ele é um SUV?
De acordo com a polêmica classificação do Inmetro, um utilitário esportivo compacto deve ter ângulo de entrada de pelo menos 23º, ângulo de saída de 20º e pelo menos 20 cm de altura livre do solo (com tolerância de 0,2 cm).
O Kwid cumpre os requisitos para ser classificado como SUV compacto, mas até aí o Fiat Uno Way também, assim como o Ford Ka Trail e o Honda WR-V.
A favor do compacto da Renault contam uma posição levemente elevada de dirigir, espaço interno e porta-malas relativamente maior que os rivais, mas boa sorte se precisar sair da lama com ele.
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