Renault Captur ganha opção com motor 1.6 e câmbio CVT
Conjunto se torna a melhor opção da linha e deve representar 60% das vendas do SUV francês. Preço começa em R$ 84.900.
Por G1 — Niterói (RJ)
A Renault lançou nesta segunda-feira (19) as versões do Captur com câmbio automático do tipo CVT partindo de R$ 84.900. Veja os equipamentos de série de cada uma:
- Zen (R$ 84.900): luzes diurnas de LED, rodas de 17 polegadas, ar-condicionado, acesso e partida presenciais (com cartão), direção eletro-hidráulica, controle de velocidade de cruzeiro, sensor de ré, vidros e travas elétricos, airbags frontais e laterais e controles de tração e estabilidade.
- Intense (R$ 88.400): pacote da Zen mais ar-condicionado digital, câmera de ré, sensores de luz e chuva e central multimídia.
Com a chegada das duas novas versões, a opção Intense 2.0 passa a ser vendida por R$ 91.900, que antes começava em R$ 88.490. A versão de entrada, 1.6 com câmbio, continua custando R$ 78.900.
Impressões ao dirigir
Ao final dos 13 km da ponte Rio Niterói, o computador de bordo do Renault Captur 1.6 equipado com câmbio CVT apontava consumo médio de 14,2 km/l. Em teoria, com este número, e a uma velocidade constante de 80 km/h (o limite da via), é possível fazer a travessia entre as duas cidades com menos de um litro de etanol.
O baixo consumo de combustível deve ser uma das bandeiras da marca francesa para emplacar seu SUV mais recente. Segundo a Renault, a versão com motor 1.6 SCe de 120 cavalos e câmbio CVT herdado da Nissan deve representar 60% das vendas do modelo.
Até então, o Captur só era oferecido com motor 1.6 e câmbio manual de 5 marchas ou motor 2.0 (148 cv) com câmbio automático de 4 marchas (veja as impressões sobre esta versão).
Estas versões não ajudaram o crossover a "decolar". Em maio, ele foi um dos menos vendidos do segmento, superando apenas Peugeot 2008 e Chevrolet Tracker. Agora, com mais “recheio” na família, a fabricante francesa espera encarar os rivais de forma mais equilibrada.
Briga interna
Percebeu alguma semelhança na descrição do conjunto mecânico do Captur CVT e do Nissan Kicks? Pois é, os “primos” compartilham a transmissão. Já o motor do Renault tem como base o do "parente" feito em Resende (RJ), onde fica a fábrica da Nissan.
Até por isso, é praticamente impossível não comparar os dois modelos. Durante o test-drive que o G1 fez com o Captur entre o Rio e Niterói, foi possível notar que o câmbio CVT apresenta a mesma suavidade no funcionamento.
Porém, nos demais aspectos, os dois modelos são bem diferentes. Apesar de ser mais potente (120 cv contra 114 cv do Nissan), o Captur não tem desempenho tão bom. Ainda que o câmbio responda prontamente, falta vigor ao modelo de 1.286 kg.
Isso fica evidente nas retomadas, quando o giro do motor sobe, mas o ganho de velocidade é tímido. Em situações mais urbanas, de vias planas e velocidades mais baixas, o Captur vai bem.
A direção do Captur também é menos refinada e direta. Por outro lado, a suspensão do Renault agrada pela maciez.
Herança
A posição de dirigir também é boa, mas a Renault ainda peca na ergonomia do modelo. Os comandos do controle de velocidade de cruzeiro ficam espalhados.
O acionamento do sistema fica em um botão escondido entre a alavanca de câmbio e o freio de estacionamento. Já os botões para a regulagem da velocidade ficam do lado esquerdo do volante. Por fim, as teclas para reiniciar a função ficam do lado direito. Confuso, não?
Fora o volante, outros componentes da cabine do Captur são herdados de outros modelos da Renault. É o caso da central multimídia de 7 polegadas de funcionamento simples e intuitivo e dos controles do ar-condicionado digital, ambos disponíveis no Logan e Sandero.
Ainda que sejam modelos mais baratos da linha, isso não é necessariamente um problema. O principal incômodo é o Captur ter materiais parecidos com o dos compactos. Apesar do bonito visual da cabine, os plásticos utilizados possuem aparência e tato incompatíveis com um veículo posicionado na casa do R$ 80 mil.
Rostinho bonito
O principal ponto positivo do Captur (isso vale para todas as versões) é seu visual. O design do modelo “bebe” da fonte francesa, e se diferencia bastante dos demais modelos da Renault vendidos no Brasil – com exceção do Fluence, todos desenvolvidos em parceria com a romena Dacia, marca de baixo custo do grupo.
As linhas são bastante harmoniosas, e, ao contrário de vários outros SUVs, tem a dianteira e a traseira seguindo um padrão estético bem definido.
O aproveitamento de espaço é bom – três adultos viajam bem no banco traseiro, e o porta-malas acomoda 437 litros.
Segurança
O Captur feito no Brasil recebeu 4 estrelas para adultos e 3 estrelas para crianças, de um total de 5, em teste de colisão do Latin NCap, entidade independente que avalia a segurança de veículos na região.
Renault Captur recebe 4 estrelas em teste de colisão
Melhor opção da linha
Considerando as duas opções automáticas do Captur, a 1.6 é um negócio muito mais vantajoso. Apesar de a 2.0 ser mais potente, o câmbio de 4 marchas mais atrapalha do que ajuda, e o consumo de combustível é elevado.
De acordo com a Renault, o Captur 1.6 CVT faz 10,5 km/l de gasolina na cidade e 11,7 km/l na estrada. Com etanol, os mesmos ciclos são cumpridos com 7,3 km/l e 8,1 km/l. Porém, como o trajeto no Rio mostrou, é possível registrar marcas ainda melhores.
Por fim, além de ser mais agradável de dirigir e mais econômico, o Captur 1.6 ainda custa menos do que seu equivalente de 2 litros. Isso faz dele a melhor opção da linha – e a Renault não deve ter problemas em fazer com que este conjunto responda por 60% das vendas.
VÍDEO: veja as impressões do Captur 2.0
Renault Captur 2.0 quer se destacar pelo visual, mas usa mecânica atrasada









