Toyota Corolla 2018: primeiras impressões
Sedã muda pouco para continuar líder. Adoção tardia do controle de estabilidade é principal novidade.
Por G1
Toyota Corolla: primeiras impressões do G1
O segmento dos sedãs médios no Brasil é como uma festa em que vários convidados aproveitam para estrear mudanças radicais: além de um visual totalmente novo, exibem acessórios vistosos, de última geração. Mas todo mundo está em volta do mesmo convidado de sempre, que parece ter trocado só a camisa.
Por mais que os concorrentes tenham evoluído e ultrapassado esse rival, ele continua sendo o centro das atenções. Ele, no caso, é o Toyota Corolla.
Em 2016, mesmo depois que Honda Civic e Chevrolet Cruze estrearam novas gerações –com direito a plástica completa e até troca de “coração”, no caso do último-, o Corolla vendeu mais do que eles e todos os competidores juntos. Isso sem ter mudado nadinha desde 2014, quando a 11ª geração estreou no Brasil.
Agora, a linha 2018 chega às lojas com as primeiras alterações para o modelo. São poucas, quase passam despercebidas; a mecânica segue a mesma. Mesmo assim, isso deve ser suficiente para manter o Corolla como “rei” da festa.
No visual, a “plástica” foi de leve, quase um “lifting”, principalmente no “rosto”: compare abaixo.
O destaque é o parachoque, que parece mais robusto por causa de vincos em forma de "C" nas laterais. Na traseira, as lanternas têm novo grafismo.
Finalmente, o modelo lançou mão de um recurso que todos os coleguinhas já ofertavam há mais ou menos tempo: o controle de estabilidade. E, claro, ficou mais caro, com a versão topo de linha beirando os R$ 115 mil.
Antes tarde...
O controle de estabilidade tem como função evitar derrapagens. Ele ajuda o carro a voltar à trajetória original e será obrigatório em modelos zero quilômetro no Brasil a partir de 2022.
Basicamente todos os sedãs médios, a maioria com versões de mais de R$ 100 mil, já contavam com esse sistema no mercado brasileiro. Menos o Corolla.
Até modelos mais baratos, como o Ford Ka, começaram a oferecê-lo.
“Não era uma demanda muito forte, mas os clientes começaram a cobrar depois do lançamento da atual geração, ao ler que outros (sedãs) já ofereciam”, diz o presidente da Toyota para a América Latina, Steve St.Angelo. “E nós ouvimos nossos clientes.”
O Corolla “brasileiro”, porém, não conta com outros sistemas de assistência que o modelo ostenta no exterior e que concorrentes já oferecem aqui, como o alerta de ponto cego.
“Vamos introduzindo um a um. Veja que este mercado ainda está em recessão. Temos que ver a necessidade e a circunstância. Imagine o alerta de ponto cego apitando toda hora que passa uma moto ao lado do carro aqui no Brasil”, comparou. “Mas oferecemos outros itens, como 7 airbags de série (incluindo os 2 obrigatórios).”
Na prática, o que muda?
Agora um pouco mais seguro, o Corolla continua sendo um carro extremamente confortável, mesmo com as rodas ligeiramente maiores nas versões mais caras: de 16 passaram para 17 polegadas. A suspensão foi reajustada para que essa diferença não sacrificasse o rodar macio.
Motor e câmbio são os mesmos. A Toyota diz que não considera, por ora, recorrer a motores menores, com turbo, como a Chevrolet fez com o Cruze e a Honda adotou na versão mais cara do Civic, Touring.
A expectativa é de que a nova geração do sedã, esperada para daqui a 2 anos, dê um passo à frente e seja híbrida: com um motor elétrico e outro a gasolina. Isso iria ao encontro da meta da montadora de não ter mais carros movidos somente a combustão até 2050.
Em termos de equipamentos, além do controle de estabilidade e tração, o Corolla ganhou assistente de partida em rampa. As versões mais caras (XEi em diante) têm luz diurna de LED, que são aceitas pela “lei do farol” de dia, nas rodovias. A antena agora é do tipo barbartana de tubarão.
Por dentro, também poucas novidades visuais. Nas 3 versões mais caras a central multimídia agora é de 7 polegadas sensível ao toque. E o computador de bordo é uma tela de TFT colorida.
XRS, para “xóvens”
A linha 2018 também traz de volta da versão XRS, mais um fruto do raio “esportivador” dos carros –aquele que é parente do raio “gourmetizador”.
O Corolla XRS tem uma série de apliques, mas a mecânica é a mesma das versões como motor 2.0. O Civic Sport “bebe” da mesma fonte, mas, pelo menos, tem câmbio manual.
A ideia da Toyota é atrair consumidores mais jovens com essa configuração, posicionada logo abaixo da topo de linha Altis.
Por que vai continuar líder?
A montadora japonesa parece ter a fórmula para os fãs de sedãs não só no Brasil, mas no mundo: o "cinquentão" Corolla é o modelo mais emplacado globalmente. Ela refina o sedã aos poucos, sem choque, e não arrisca seus pilares: conforto e confiabilidade da mecânica.
Mas o segmento se mexeu bastante recentemente, e consumidores que procurarem alternativas encontrarão boas opções. Os mais ligados em modernidade devem manter o Cruze no horizonte. O novo Civic já tem seus fãs, com visual extravagante e mais emoção ao volante que o líder japonês.
A lista continua com Volkswagen Jetta, o quarto mais vendido no segmento em 2016, segundo a federação dos concessionários, a Fenabrave, Ford Focus Fastback, o quarto no acumulado deste ano, e o Nissan Sentra, ainda com melhor custo-benefício.









