Volkswagen diz que software de fraude não está ativo no Brasil
Mesmo assim, 17 mil unidades da picape Amarok entrarão em recall para remover dispositivo capaz de burlar testes de poluentes. Ibama diz que investigação não terminou.
Por G1
A Volkswagen afirmou nesta terça-feira (5) que completou novos testes internos com a picape Amarok - único modelo no mercado brasileiro dentro do escândalo de fraude em emissões de poluentes - e constatou que o dispositivo fraudulento não está ativo nos veículos vendidos no Brasil.
"Em relação ao mercado brasileiro, a Volkswagen, após uma verificação inicial sobre o atendimento dos níveis de emissão por parte da picape Amarok, acaba de completar uma nova bateria de testes internos ainda mais abrangente, que reafirmou que o produto atende plenamente aos limites de emissões estabelecidos por lei, sem prejuízo ao meio ambiente", disse a montadora, em nota.
Procurado pelo G1, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) respondeu que não pode se posicionar sobre o comunicado da Volkswagen porque o processo de investigação, que inclui testes pedidos pelo órgão à montadora, só tem previsão de ser concluído no fim do ano.
"O Ibama notificou a Volkswagen para custear a realização de um estudo comparativo com ensaios de emissões de poluentes realizados em laboratório de emissão veicular e em campo. com equipamento de medição on board, nos veículos VW Amarok potencialmente afetados e também com veículos da mesma categoria e de fabricantes diferentes", explica o órgão. "Por se tratarem de veículos de mesma categoria, são esperados valores semelhantes, bem como comportamento semelhante na diferença relativa observada entre as emissões medidas em laboratório e em campo."
O instituto multou a fabricante em R$ 50 milhões em novembro passado, quando abriu processo administrativo sobre o caso. A Volkswagen já recorreu. A montadora também é alvo de processos no Ministério da Justiça e no Procon-SP pelo caso.
Relembre o caso
Em setembro do ano passado, a fabricante admitiu ter usado um software para enganar os testes obrigatórios de emissões de poluentes de motores a diesel. Na prática, cerca de 11 milhões de carros no mundo inteiro poluem mais do que o declarado aos consumidores.
"Nestes testes realizados no Brasil, a empresa confirmou que o software, que tem a função de otimizar as emissões, não está ativo nos modelos comercializados no mercado brasileiro", completou a Volkswagen.
A fabricante disse ainda que a picape "atende plenamente aos limites de emissões estabelecidos por lei, sem prejuízo ao meio ambiente", sem comentar que a legislação brasileira é menos rigorosa neste tema que a dos Estados Unidos, onde a fraude foi descoberta.
Mesmo assim, 17.057 unidades da Amarok, modelo 2011 e 2012, entrarão em recall no Brasil para a retirada do dispositivo capaz de burlar os testes de emissões, segundo a Volkswagen. Ainda não há data determinada para o recall começar.
Acordo da Volkswagen por fraude em emissão de poluentes deve custar US$ 15 bi
Multas
Com estes argumentos, a Volkswagen tenta se livrar dos processos movidos pelo Ibama e pelo Procon, que podem somar multas de R$ 58,3 milhões - R$ 8,3 milhões se referem à autuação feita pelo Procon-SP.
Procurado pelo G1, o órgão de defesa do consumidor disse que a conclusão dos testes da Volkswagen não altera o processo aberto no caso: a marca foi autuada em R$ 8,3 milhões, em novembro passado, porque não respondeu à notificação do órgão. A empresa preferiu entrar direto na Justiça contra a ação.
"Com relação às multas aplicadas, tão logo os testes sejam realizados pelas autoridades competentes, a Volkswagen irá se manifestar", afirmou a montadora.
Na segunda-feira (4), a associação de consumidores Proteste pediu uma extensão do acordo feito pela Volkswagen com consumidores nos Estados Unidos. Por lá, a fabricante gastará cerca de US$ 15 bilhões para recompensar os donos e o governo.
Cerca de US$ 10 bilhões deste total serão usados para recomprar os veículos afetados e indenizar os proprietários em até US$ 10 mil cada um. A Volkswagen do Brasil não mencionou nenhum tipo de indenização no Brasil até agora.









