Teste: Hyundai HB20 sem motor turbo custa R$ 80 mil é o "novo normal" dos carros populares
Versão Comfort tem seis airbags e central multimídia moderna, mas preço é R$ 30 mil mais alto do que antes da pandemia
Por André Paixão
Você deve ter cansado de ouvir o termo “novo normal” nos últimos dois anos. Até por isso, já peço desculpas ao empregar a expressão mais algumas vezes ao longo do texto. Poderia ter criado outro título para a avaliação da segunda versão mais barata do HB20 2023, a Comfort. Até faria isso, se ela custasse uns R$ 15 mil a menos. Mas, com etiqueta de preços fixada em R$ 79.990, isso é impossível.
E parte da culpa é da pandemia que criou esse tal de “novo normal”. Com a pausa forçada na produção de veículos em 2020, a indústria de chips passou a abastecer as crescentes demandas do setor de eletrônicos. Quando os carros voltaram a ser feitos, faltaram peças.
Como manda a velha (e nem tão boa) lei da oferta e demanda, quando há menos produto nas lojas, os preços sobem. Um exemplo é o próprio HB20 pré-facelift. Em 2019, a versão equivalente do Comfort de hoje custava R$ 50.490 e tinha quase os mesmos itens do modelo 2023. Ou seja, em menos de três anos, o preço subiu praticamente R$ 30 mil. Se fosse atualizado pela inflação, deveria custar R$ 62.100.
Deixando de lado qualquer pretensão de transformar esse texto em uma aula de economia, também é preciso considerar que a Hyundai investiu pesado na segunda plástica mais profunda do HB20. Grande parte das peças de metal que passam pela estamparia (parte mais cara na hora de mudar um carro) foram mantidas. Só a tampa do porta-malas recebeu novos recortes. Fora isso, para-choques, faróis e lanternas foram completamente redesenhados.
A correção de rota era mais do que necessária, apesar de o HB20 sempre ter conservado bons números de vendas — é o carro de passeio mais vendido do país, ainda que muito por conta dos problemas de produção do Chevrolet Onix pela… falta de peças. É o tal do novo normal agindo outra vez.
Já que agora é normal que um carro de entrada custe R$ 80 mil, hora de contar o que o HB20 Comfort entrega e o que fica devendo. Airbags laterais e de cortina, controles de tração e estabilidade formam o pacote de itens de segurança. Completam a lista de recursos, além dos tradicionais direção elétrica, ar-condicionado, vidros e travas elétricos, há central multimídia com tela de oito polegadas e chave tipo canivete.
Retrovisores e maçanetas da cor da carroceria, rodas de ferro de 14 polegadas com calotas, luzes de rodagem diurna e alarme perimétrico fazem dele apenas um pouco mais completo do que a opção de entrada, Sense. Mas a Hyundai não hesitou em economizar alguns trocados ao escolher um volante sem ajuste de altura ou profundidade, maçanetas internas pretas e ao deixar de fora da lista de equipamentos simples sensores de ré.
A cabine praticamente não mudou na comparação com o HB20 anterior. E isso é um bom sinal. Se não há luxo, o visual é moderno e a montagem das peças é correta - talvez a melhor da categoria. A única novidade é o grafismo do quadro de instrumentos, ligeiramente mais esportivo.
A pequena tela de LCD do computador de bordo é monocromática e mostra apenas as informações básicas do veículo. A despeito de a coluna de direção ser fixa, não é necessário um esforço muito grande para encontrar uma posição de dirigir confortável. Igualmente fácil é lidar com o câmbio manual de cinco marchas. Os engates são curtos e precisos.
Assim como a alavanca de trocas de marcha, o motor 1.0 aspirado do HB20 é praticamente o mesmo desde o lançamento, em 2012. A longevidade, nesse caso, é um indicativo de que o conjunto é competente. A pequena unidade de três cilindros entrega valentes 80 cv e 10,2 kgfm de torque, capazes de levar o hatch de 993 kg de zero a 100 km/h em longos 14,5 segundos, com velocidade máxima de 161 km/h.
Vale lembrar que todos os números são de fábrica e extraídos com etanol no tanque.
Se os números de desempenho não empolgam, na prática o HB20 é ágil nas arrancadas. Só é preciso ficar atento nas acelerações prolongadas, já que há um “buraco” na oferta de torque em uma faixa de rotações que vai de 2.500 rpm a 3.000 rpm.
A solução é esticar um pouco as marchas antes de cada troca. A plástica no HB20 foi restrita ao visual e, ainda bem, não alterou os bons ajustes de suspensão e direção, voltados ao conforto dos ocupantes.
Nesse aspecto, o Hyundai se destaca diante da concorrência. Mas fica difícil defender o HB20 Comfort ao fazer uma rápida comparação com o Onix LT com pacote R7H, vendido por R$ 80.690. Além de ter melhor desempenho e câmbio manual de seis marchas, o Chevrolet traz acesso por chave presencial, acendimento automático dos faróis, rodas de liga leve e câmera de ré.
O problema (para o cliente) é conseguir encontrar um Onix exatamente nessa configuração nas lojas, já que a GM tem sofrido para conseguir manter as linhas de produção funcionando. Melhor para o HB20. Coisas desse novo normal.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Auto News Brasil? É só clicar aqui para acessar a revista digital.









