Teste: a central multimídia "faz-tudo" do GWM Haval H6 PHEV (para o bem e para o mal)
SUV híbrido tem equipamento central que controla praticamente todas as funções do veículo, como se fosse um computador. Isso é bom, mas nem sempre
Por Renan Bandeira e Ulisses Cavalcante
A GWM está ganhando notoriedade no Brasil. O SUV Haval H6, carro-chefe da fabricante por aqui, tem incomodado o concorrente Toyota Corolla Cross com a versão híbrida convencional (HEV) e até modelos premium com as configurações híbridas plug-in.
Não por menos o SUV chinês está na mira dos fabricantes instalados por aqui, que querem o aumento das tarifas de importação para ele e seus conterrâneos oferecidos por preço menor. O efeito é sentido por causa das vendas. Apenas em agosto, foram 1.452 unidades vendidas do Haval H6 - o que é uma marca incrivelmente notória.
Aqui na Auto News Brasil, você já conferiu os detalhes que mais agradaram e os que mais desagradaram (e agradaram) do Haval H6, que completou três meses de testes com a redação. Também falamos de dimensões, consumo e equipamentos do SUV da fabricante chinesa.
Neste post vamos tratar especificamente da central multimídia. Se o motor é o "coração" do carro, essa tela é a interface principal de operação de praticamente 100% dos sistemas. Tudo o que requer (ou permite) interação do usuário com o veículo é feito por meio dessa tela sensível ao toque.
Para esse dispositivo, o Haval H6 oferece uma tela de 12,3 polegadas que faz conexão de celulares sem fio, comanda o sistema de ventilação e até os modos de condução do SUV.
É possível fazer a conexão de celular por fio e também via wireless. O pareamento sem fio é muito prático e não requer uma curva de aprendizado alta. Em suma, fácil de usar. Aliás, é até melhor usar esse tipo de conexão, pois a entrada USB não é fácil de ser encontrada - ela fica na parte de baixo do console, então não é ergonomicamente fácil para encaixar o conector USB-A.
O carro também dispõe de um berço de carregamento por indução. Em uma experiência de 30 minutos, carregamos um celular potente - um Samsung S23 Ultra, cuja bateria é de 5.000 mAh.
Deixamos o celular carregando na indução, com nível de bateria subindo de 58% para 68% em apenas meia hora. Isso considerando que o aparelho estava com o Android Auto (sem fio) em ação, com Waze, YouTube Music e Whatsapp operando simultaneamente.
Se você quiser assistir ao vídeo e ver como foi feito esse teste, dá uma olhada no Reels que publicamos no Instagram. O link é: https://www.instagram.com/p/CxF_Ia1ODPX/
No total, o Haval H6 oferece CINCO tomadas do tipo USB, uma delas na lateral do retrovisor central.
Funções "avançadas"
Além de controlar toda a parte de entretenimento, é por meio da tela que se faz toda a configuração de preferências dos sistemas de auxílio a condução, como o assistente de faixa, sensores de ponto cego e em relação ao sistema híbrido.
É possível ajustar praticamente tudo, como a quantidade de ação dos freios regenerativos. Quando se ajusta para aumentar a regeneração, o gerador de recuperação atua mais nos freios. Ou seja, praticamente não é necessário tocar no pedal de freio, já que o motor opera no modo "one-pedal". Dá para regular essa interação.
Também é possível selecionar o modo elétrico de operação, mas apenas enquanto houver carga na bateria. Quando esse nível chega ao mínimo (por volta de 10%), o sistema é automaticamente desligado e a combustão volta a auxiliar na propulsão.
Outro recurso interessante do Haval H6 é o modo "RESERVA DE ENERGIA". Com este recurso, se estiver com a bateria carregada, o motorista pode escolher em "guardar" um percentual de energia (com limite de 80%). Neste caso, o carro não utiliza a bateria quando o nível chega neste limite estabelecido pelo usuário.
Isso é útil, por exemplo, para quando o motorista quer utilizar exclusivamente o modo elétrico em alguma situação e sabe que não terá acesso a pontos de recarga. Você pode rodar na estrada por mais de 100 km e chegar ao seu destino com a bateria carregada, já que o motor 1.5 turbo a combustão será utilizado durante o percurso até o destino.
Ventilação é toda digital
A adoção de telas grandes, acima de 10 polegadas, têm levado diversos fabricantes a transferir botões físicos para o controle digital. Como essas centrais têm tamanho compatível com o de tablets, inicialmente faz sentido que passem a comandar tudo. No entanto, no dia a dia, isso nem sempre é favorável.
No caso do Haval H6, toda a operação do sistema de ventilação é controlada digitalmente. É a mesma tática que se vê nos BYD, Audi e até Porsche. No SUV da GWM, apenas um botão físico, com a inscrição "liga/desliga", está disponível.
Quando o usuário pressiona essa tecla, automaticamente o display passa a exibir o layout dos comandos de ventilação. E só na tela é possível utilizar um "slider" para aumentar ou diminuir a velocidade dos ventiladores, bem como controlar o acionamento do ar-condicionado e a temperatura desejada.
Para fazer ajustes em movimento isso é bastante complicado e acaba exigindo que o motorista desvie a atenção do trânsito. Uma alternativa é utilizar os comandos por voz, mas é necessário decorar as frases que o sistema entende. Ainda não é possível falar "normalmente". O usuário precisa falar exatamente as palavras que são compreendidas para determinada função. No próprio multimídia há uma tela com as frases aceitas pelo computador. Mas, mesmo assim, é inevitável recorrer a uma "decoreba".
Câmera atrapalha
O jogo de câmeras do Haval H6 é muito eficiente. Para ajudar na baliza, a multimídia reproduz a visão aérea com a câmera 360º e ainda tem a visão lateral, parecida com a dos Honda.
Só que no modelo da GWM, os dois lados da carroceria do SUV são mostrados, e não só o direito - como ocorre no carro japonês.
Agrada bastante a resolução da imagem, o que facilita a leitura de detalhes. A luminosidade do monitor também é adequada, então não é difícil fazer manobras em locais com muita luz solar incidindo sobre o display.
O problema nesse caso é a aproximação da dianteira e traseira de outros objetos, ou carros, durante a manobra. Existe um auxílio interessante, que é uma espécie de régua, que vai indicando quanto de distância, em centímetros, o veículo está do objeto à frente.
Em nossa avaliação, comparamos essa informação captada pelo sensor do carro com o que, na prática, há realmente de espaço. Com uma fita métrica na mão, a disparidade foi mínima (e para mais, o que ajuda a preservar a lataria). Quando o carro marcava 46 cm de distância entre a extremidade do para-choque e a parede, na fita medimos 47 cm. Ou seja, é uma precisão aceitável e com uma ligeira margem de tolerância benéfica.
À medida em que vai se aproximando ou distanciando, o mostrador altera automaticamente essa medição, em tempo real. Mas há um porém.
Quando o motorista se aproxima demais do obstáculo, algo abaixo dos 30 cm, a imagem é substituída por um retângulo cinza. Tanto na dianteira quanto na traseira. Considerando a parte de trás, é uma medida até inteligente: pois é o mínimo requerido para que seja possível abrir sem obstruções a tampa do porta-malas. Porém, à frente, essa faixa cinza acaba atrapalhando quando é necessário chegar o mais próximo possível da parede. Isso vale, por exemplo, em vagas apertadas.
Nesse caso, as câmeras poderiam mostrar imagens convencionais de aproximação. No caso, apontar para o carro/objeto. Isso, com o sensor de estacionamento, seriam o suficiente para auxiliar o motorista.
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