Nova versão de topo, Hyundai HB20 Platinum Plus é bem equipado, mas custa quase R$ 100 mil
Apesar do visual polêmico, Hyundai HB20 trava briga bem acirrada com o Fiat Argo para fechar 2021 como o carro mais vendido do Brasil
Por André Schaun
O HB20 vai morrer com esse design. Esse foi o pensamento de muitos quando a “nova geração” foi lançada, em setembro de 2019. De fato, a estética repaginada gerou um impacto imediato nas vendas.
Até o mês de agosto, que antecedeu a chegada do novo hatch, o modelo caminhava para seu quarto ano como vice-líder de vendas. Porém, a partir de setembro, caiu e chegou a ficar em sétimo lugar no ranking de dezembro, mas fechou aquele ano no top 3.
Entrou 2020 e os primeiros meses continuaram difíceis para o hatch sul-coreano. Entretanto, aos poucos, ele foi se recuperando, mesmo com o cenário caótico promovido pela pandemia do coronavírus. A prova de que o mundo deu voltas, de fato, para o HB20 está sendo 2021.
Até o fechamento do mês de outubro, o modelo que foi líder em grande parte do ano, agora é vice-líder de mercado entre os automóveis de passeio, com 72.989 vendas — menos de mil unidades atrás do líder, Fiat Argo (73.795).
Afinal, o que o HB20 fez para dar a volta por cima? E será que ele consegue manter o ritmo até o final do ano e ser líder? Para responder, Auto News Brasil testou a nova versão de topo do modelo: a Platinum Plus, que substituiu a Diamond Plus na linha 2022. Se isso acontecer, será um feito inédito para a Hyundai e seu HB20 — vale dizer que o veículo mais vendido de todos é uma picape, a Fiat Strada, com mais de 90 mil emplacamentos neste ano.
Um detalhe importante é que o HB20 também se beneficiou com a decaída do Chevrolet Onix, que ficou cinco meses sem produção por falta de peças, os famosos semicondutores. Mas isso não tira os méritos do hatch que, mesmo com rivais de peso no segmento, como Fiat Argo e VW Polo, passou a ser a primeira opção do consumidor que não quer uma picape compacta.
Nessa nova versão Platinum Plus, o maior destaque são os principais equipamentos de série — itens esperados em carros mais caros —, como acendimento automático dos faróis, câmera de ré com sensor de estacionamento traseiro, bancos de couro, frenagem autônoma de emergência com alerta sonoro de colisão frontal e alerta de mudança de faixa.
A versão ainda traz o Bluelink, uma tecnologia de localização, rastreio e comandos a distância feitos por meio de um aplicativo de celular chamado “Hyundai Bluelink”. Entre várias funcionalidades, esse sistema possibilita o bloqueio do carro em caso de roubo. Tudo isso, alinhado a um ótimo motor, seria perfeito para um hatch, mas falta falar do detalhe mais importante: ele custa R$ 97.790.
Sob o capô, o propulsor é o conhecido 1.0 turboflex de três cilindros com 120 cv e 17,5 kgfm. O câmbio é automático de seis marchas. Agora também há a opção desse mesmo motor turbinado com o câmbio manual de cinco marchas na versão Platinum.
O propulsor turbo empolga com torque máximo já a 1.500 rpm e muito agilidade. A marca de zero a 100 km/h é feita em 9,3 segundos, tempo 0,5 s inferior ao do VW Polo 1.0 TSI (128 cv). Por outro lado, é 0,2 s melhor que o do Onix 1.0 turbo (116 cv).
Em relação ao espaço, nessa reestilização profunda a Hyundai ampliou o entre-eixos em 3 centímetros (2,53 metro), o suficiente para levar com conforto até quatro adultos de no máximo 1,80 m no banco de trás.
Todavia, para um adulto de 1,87 m, como eu, esse conforto no assento traseiro vai embora. Na frente a história já muda. A posição de dirigir é boa, inclusive para as pernas, mas quem viajar logo atrás de mim vai ter que conviver com pouquíssimo espaço para as pernas.
Na teoria, é tentadora a versão Platinum Plus; na prática, porém, é difícil pensar em pagar quase R$ 100 mil por um HB20. Será que isso fará o modelo perder espaço e deixar a liderança de mercado até o fim do ano? Dificilmente, porque essa versão representa muito pouco no volume de vendas.
O mérito do HB20 é justamente ter configurações bem equipadas desde a opção de entrada, a Sense. O modelo custa R$ 63.690, R$ 35 mil a menos que o Platinum Plus, e tem quatro airbags, direção elétrica e controles de tração e de estabilidade.
O tempo passou, o mundo mudou e o HB20 provou que é muito mais que um design controverso. A gama de preços é bem democrática, com versões bem equipadas e próprias para muitos bolsos — até para quem quer pagar quase R$ 100 mil por um hatch compacto.
Anote aí: o HB20 nunca esteve tão próximo de ser líder de mercado pela primeira vez desde o seu lançamento, em 2012. É só esperar que o mundo não dê outra volta e o Argo dispare nesses últimos dois meses do ano.
Hyundai HB20 Platinum Plus
| Teste |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 100 km/h: 9,3 s |
| 0 - 400 m: 16,7 s |
| 0 - 1.000 m: 30,6 s |
| Vel. a 1.000 m: 170,4 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 97 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 3,8 s |
| 60 - 100 km/h (D): 5,4 s |
| 80 - 120 km/h (D): 6,5 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 38,2 m |
| 80 - 0 km/h: 24,7 m |
| 60 - 0 km/h: 13,8 m |
| CONSUMO |
| Urbano: 8,1 km/l |
| Rodoviário: 11,7 km/l |
| Média: 9,9 km/l |
| Aut. em estrada: 514,8 km |
Hyundai HB20 Platinum Plus
| Ficha Técnica |
| Preço: R$ 97.790 |
| Motor: Dianteiro, transversal, 3 cil. em linha, 1.0, 12V, comando duplo, turbo, injeção direta, flex |
| Potência: 120 cv a 6.000 rpm |
| Torque: 17,5 kgfm a 1.500 rpm |
| Câmbio: Automático de seis marchas, tração dianteira |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep. McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.) |
| Freios: Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.) |
| Pneus: 185/60 R15 |
| Tanque: 44 litros |
| Porta-malas: 300 litros (fabricante) |
| Peso: 1.191 kg |
| Central multimídia: 8 pol., sensível ao toque, Apple CarPlay e Android Auto |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 3,94 metros |
| Largura: 1,74 m |
| Altura: 1,47 m |
| Entre-eixos: 2,53 m |
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