Teste: Fiat Argo 1.3 S-Design é o pacote ideal para o hatch brigar com os turbinados Onix e HB20
Kit S-Design prioriza o visual, mas também traz uma boa melhoria de segurança para levar mais custo-benefício ao carro mais vendido do Brasil em maio
Por André Schaun
Pela primeira vez desde o seu lançamento o Fiat Argo foi o carro mais vendido do Brasil. O feito aconteceu em maio que, simbolicamente, marcou os 4 anos do hatch no mercado. O modelo não tem motor turbo como seus principais rivais Chevrolet Onix e Hyundai HB20, mas tem outras qualidades.
Se deixarmos lado a lado dois carros, um bonito, mas com uma mecânica sem graça, e outro de visual sem graça, mas com um bom conjunto mecânico, a chance de o primeiro vender é muito maior. Juntar os dois atributos em um só veículo é uma proeza.
Na linha 2021, a Fiat conseguiu esse feito ao colocar o pacote S-Design no Argo que tem o melhor motor da linha atual: o 1.3.
A versão traz detalhes exclusivos e valoriza o lado visual, como uma boa marca italiana gosta. Tem elementos escurecidos na grade frontal, no aerofólio, nas capas dos retrovisores, nos frisos laterais, no acabamento interno e no painel, e logotipo da Fiat no volante.
O kit de R$ 3.900 é um opcional da versão Drive 1.3, que custa R$ 67.790. Com o pacote S-Design, o preço chega a R$ 71.690.
O pacote visual do S-Design pode ser interessante, mas o que se destaca é a adição de itens. Entre eles, os controles eletrônicos de estabilidade e de tração (com hill holder), que fazem falta em muitas versões do Argo. Há também ar-condicionado digital, faróis de neblina e rodas de liga leve aro 15. Nada de airbags do tipo cortina.
Além desses, o modelo vem com direção elétrica, sensor de estacionamento traseiro, central multimídia com tela de 7 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay, duas entradas USB, monitoramento de pressão dos pneus e luz diurna de LED.
O quatro cilindros 1.3 aspirado tem apenas oito válvulas e entrega 109/101 cv e 14,2/13,7 kgfm (etanol/gasolina) a 3.500 rpm. O câmbio é manual de 5 marchas.
O Argo talvez não tenha os holofotes de outros hatches, como a dupla Onix e HB20, mas conseguiu ser o carro mais vendido do mês passado e deve fazer frente a eles pelo resto do ano.
O hatch tem 4 metros de comprimento e 2,52 m de entre-eixos. Na medida que mais importa, o entre-eixos, que define o espaço de quem ocupa o banco de trás, o Argo sai perdendo: o Onix tem 2,55 m, o HB20 tem 2,53 m e o Polo, 2,56 m.
O porta-malas do hatch da Fiat, porém, não deixa a desejar. São 300 litros — é maior que o do carro da Chevrolet, cuja capacidade é de 275 l, mas é do mesmo tamanho que o dos modelos da Hyundai e da Volkswagen.
Todos os rivais têm pelo menos um motor turbo na gama; o Argo, não. Isso faz falta? Faz, mas não quer dizer que o propulsor da Fiat seja ruim — longe disso.
A aceleração de zero a 100 km/h é cumprida em 12,2 segundos, tempo dentro do esperado. As retomadas e as frenagens também, nem surpreendentes, nem decepcionantes. Já o consumo é decente: 8,5 km/l na cidade e 9,6 km/l na estrada com etanol.
Caso você queira consumo de 1.0 com desempenho superior até ao do ameaçado 1.8, talvez seja o caso de esperar pelo turbinado. O propulsor vai fazer sua estreia no Pulse, o novo SUV da Fiat. E terá câmbio automático de seis marchas.
Falando em transmissão, as trocas de marchas são bem precisas, mas o curso do câmbio é um pouco longo. O trabalho da suspensão é bom para filtrar pequenas irregularidades do solo e os recursos de segurança do pacote S-Design são sentidos de forma muito positiva. O assistente de partida em rampa também dá uma mão.
O problema para o Argo é a concorrência turbinada. O Onix é um bom exemplo. O preço do Fiat fica entre os das versões LT e LTZ turbo do Chevrolet, que podem não oferecer alguns itens de série presentes no rival, mas têm motor turbo para compensar.
A conclusão é de que o pack S-Design é quase indispensável para aqueles que desejam um Argo Drive. Além de ter preço justo, a configuração oferece um bom upgrade no visual. Isso torna o carro mais atraente. Pelo menos até o turbinado chegar.
Desempenho
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 12,2 segundos |
| 0 a 400 metros | 18,3 s |
| 0 a 1.000 metros | 33,8 s |
| Vel. em 1.000 metros | 155,5 km/h |
| Vel. real a 100 km/h | 98 km/h |
| Retomada | |
| 40 - 80 km/h (3ª m) | 7 s |
| 60 - 100 km/h (4ª m) | 10,8 s |
| 80 - 120 km/h (5ª) | 18,2 s |
| Frenagem | |
| 100 - 0 km/h | 42,5 m |
| 80 - 0 km/h | 27,2 m |
| 60 - 0 km/h | 15,5 m |
| Consumo (Etanol) | |
| Urbano | 8,5 km/l |
| Rodoviário | 9,6 km/l |
| Autonomia em estrada | 432 km |
Ficha técnica
| Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.3, 8V, comando simples, injeção eletrônica, flex |
| Potência: 101 cv (G) a 6.000 rpm e 109 cv (E) a 6.250 rpm |
| Torque: 13,7 kgfm (G) a 3.500 rpm e 14,2 kgfm (E) a 3.500 rpm |
| Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira |
| Direção: elétrica |
| Suspensão: Independente McPherson (dianteira) e dependente por eixo de torção (traseira) |
| Freios: Discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira) |
| Pneus: 185/60 R15 |
| Dimensões |
| Comprimento: 4 metros |
| Largura: 1,72 m |
| Altura: 1,57 m |
| Entre-eixos: 2,52 m |
| Tanque: 48 litros |
| Porta-malas: 300 litros (fabricante) |
| Peso: 1.140 kg |
| Central multimídia: 7 polegadas sensível ao toque, compatível com Apple CarPlay e Android Auto |
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