Teste: Chevrolet Cruze Sport6 pode ser o fim de uma era que já deixa saudades
Último hatch médio do mercado passou até por um "swing" de dianteiras para combater os SUVs
Por Rodrigo Ribeiro
Passou batido por muita gente, mas linha do Chevrolet Cruze sedã e hatch recebeu uma atualização visual, ou melhor, um troca-troca: o três volumes voltou a ter versão LTZ (com a dianteira usada pelo hatch), e o pacote Premier do Sport6 recebeu o estilo frontal do "irmão". Mesmo assim é pouco provável que isso vá salvar o modelo da morte futura, especialmente o cinco portas. E a gente merece isso.
Porque logo nos primeiros quarteirões a bordo do novo Cruze Sport6 2021 eu voltei a ficar inconformado ao me dar conta de que o brasileiro médio prefere qualquer SUV a um carro como esse. Poupe-me do papo da família, já que muitos utilitários esportivos têm menos espaço interno que ele. Ok, você pode falar do porta-malas de apenas 290 litros, mas estamos em um mercado onde o Jeep Renegade estreou fazendo sucesso com míseros 260 litros (discretamente ampliados nos anos seguintes).
Nem o argumento do preço funciona. Os R$ 142.890 pedidos pela versão Premier realmente são elevados, mas um Tracker 1.2 topo de linha chega a R$ 133.290 — praticamente o mesmo valor do Cruze Sport6 LTZ, com poucos equipamentos a menos, mas 20 cv e 3,1 kgfm a mais.
Diversão perto do fim
E agora vou direto ao maior atributo não só do Sport6, como de quase qualquer hatch médio: prazer ao dirigir. Qualquer pessoa que goste de rodar por aí mas torce o nariz para o Cruze deveria se envergonhar. O modelo segue com dinâmica primorosa, respondendo rápido aos comandos com entrega progressiva dos até 153 cv do 1.4 turbo.
Mesmo o câmbio automático de seis marchas, menos ligeiro que o usado no falecido Volkswagen Golf, dá conta do recado. Fico tão agradecido à Chevrolet por ainda vender um hatch médio que até desisti de reclamar da falta de borboletas no volante.
O desinteresse da GM em investir no modelo aparece em todo o carro. Faróis halógenos (ainda que com facho alto automático), sistema multimídia sem Android Auto e Apple CarPlay sem fio (mas com internet) e ar-condicionado digital de uma só zona são alguns exemplos. Porém em reino de SUV, quem ainda fabrica hatch médio é rei.
Os dias com o Cruze na garagem foram tão divertidos que fiz mais concessões do que gostaria. Até o spoiler frontal, que raspa em diversas valetas, tornou-se um incômodo menor. O acabamento inferior — ao de seus (velhos) concorrentes — e a economia frugal em pontos como bolsa porta-revistas apenas para o banco do passageiro também foram relevados. "Se reclamar demais, é capaz de ele sair de linha antes do sedã", pensava.
Dilema das peruas
O mais frustrante é que 100% das pessoas que andaram comigo no carro demonstravam interesse e gosto por ele. Houve quem elogiasse a nova dianteira, o interior com duas cores e até o espaço no banco traseiro — lidem com isso, SUVs.
Mas bastou eu falar de preço para que narizes voltassem a ser torcidos acompanhados de um constante "é muito caro". Não adiantava dizer que ele podia custar tanto quanto um Tracker, mas ser melhor em quase tudo.
O Cruze Sport6 tornou-se uma perua: um carro que muitos gostam e querem, mas ninguém compra. Por isso, se você é como eu e aprecia de um modelo gostoso de guiar, vá até a concessionária mais próxima para fazer pelo menos um test-drive. É hora de aproveitar o tempo que ainda nos resta com os hatches médios.
Desempenho
| ACELERAÇÃO | |
| 0 a 100 km/h | 8,6 s |
| 0 a 400 metros | 16,2 s |
| 0 a 1.000 metros | 29,5 s |
| Vel. em 1.000 metros | 180,6 km/h |
| Vel. real a 100 km/h | 94 km/h |
| RETOMADA | |
| 40 a 80 km/h (Drive) | 3,8 s |
| 60 a 100 km/h (D) | 4,6 s |
| 80 a 120 km/h (D) | 5,5 s |
| FRENAGEM | |
| 100 km/h a 0 | 41,2 m |
| 80 km/h a 0 | 25,3 m |
| 60 km/h a 0 | 14,5 m |
| CONSUMO | |
| Urbano | 7,8 km/l |
| Rodoviário | 10,2 km/l |
| Autonomia em estrada | 530 km |
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Ficha técnica
| Motor | Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.4 16V, turbo, injeção direta |
| Potência | 150 / 153 cv a 5.200 rpm |
| Torque | 24,0 / 24,5 kgfm a 2.000 rpm |
| Câmbio | Automático de seis marchas |
| Tração | Dianteira |
| Direção | Elétrica, 10,2 m (diâmetro de giro) |
| Suspensão | Independente, tipo McPherson (dianteira) e dependente por eixo de torção (traseira) |
| Freios | Disco ventilado (dianteira) e disco sólido (traseiro) |
| Pneus e rodas | 215/50 R17 |
| Comprimento | 4,45 m |
| Largura | 1,81 m |
| Altura | 1,48 m |
| Entre-eixos | 2,70 m |
| Tanque | 52 litros |
| Porta-malas | 290 litros |
| Peso | 1.331 kg |
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