Teste: Novo Mercedes-Benz GLA custa R$ 326 mil e tem motor Renault, mas o problema é só o preço mesmo
Segunda geração do SUV chega inicialmente em versão única e com etiqueta bem salgada frente aos rivais
Por Raphael Panaro
A notícia da estreia da segunda geração do Mercedes-Benz GLA no Brasil rendeu centenas de comentários nas redes sociais de Auto News Brasil. Basicamente dois tópicos lideraram as opiniões mais afloradas: 1) o preço de R$ 325.900, responsável por cerca de 90% das interações 2) o motor 1.3 turbo feito em parceria com a Renault – e que vai estar sob o capô do novo Captur ainda neste ano por aqui.
Vamos por partes. Os mais de R$ 300 mil que a marca alemã pede é um valor realmente alto, ainda mais para uma versão de "entrada". E o pior: não estão previstas configurações abaixo desse valor. Muito pelo o contrário, a Mercedes já confirmou que vai trazer opções mais caras, possivelmente o 35 e o 45 AMG. O intuito é não canibalizar o recém-chegado GLB, de R$ 299.900.
Só que são R$ 120 mil de diferença frente ao antecessor, que era fabricado em Iracemápolis (SP) – a Mercedes-Benz encerrou as operações por lá. Agora importado da Alemanha, o GLA tem a variação cambial como “justificativa”, mas isso não explica tudo. A Mercedes coloca o SUV em um pedestal fictício, apontando para a lista de equipamentos e o toque estético AMG Line...
O GLA 200 até traz bons itens de série, como teto solar panorâmico, carregador de smartphone por indução, controle de cruzeiro adaptativo, faróis full-LED, além de assistente de mudança involuntária de faixa, sistema de baliza automática, freio de estacionamento eletrônico e sete airbags. O problema é que todos os rivais (Audi Q3, BMW X1, Volvo XC40 e Jaguar E-Pace) – alguns, inclusive, topo da gama – são mais baratos e tão tecnológicos quanto.
O Volvo na variante R-Design, por exemplo, custa R$ 45 mil a menos. Além disso, é híbrido, tem 262 cv e itens de segurança inexistentes no Mercedes. A pedida ainda esbarra em carros de porte maior, como o novo Audi Q5, que entrou em pré-venda por iniciais R$ 279.990.
Uma tecnologia interessante do GLA é o assistente de pedestre. Sensores monitoram o ponto cego antes do motorista ou do passageiro abrirem a porta para desembarcar. Caso haja algum movimento em direção ao carro, alertas sonoros e visuais avisam os ocupantes. Bom para motos e ciclistas.
Outro argumento para a quantia foi a escolha do pacote estético AMG Line de série, que traz mais esportividade ao modelo com grade frontal cromada, para-choques esportivos, rodas AMG de 20 polegadas e outros detalhes no interior. Não é tão agressivo quanto os AMG de verdade, mas dá um toque bacana ao SUV.
Já a segunda crítica não tem fundamento. O motor quatro cilindros 1.3 turbo a gasolina desenvolvido pela Daimler e epal Renault – e usado no Classe A Sedan, GLB e em modelos da Renault/Dacia na Europa – faz muito bem ao SUV. Tem funcionamento suave, não “grita” na hora de acelerar e ainda é econômico.
Rodamos mais de 1.200 km e os 163 cv e 25,5 kgfm sempre deram conta do recado: seja na força para o dia a dia ou nas retomadas para a estrada. A sensação de guiar é melhor que os números crus da ficha de teste. O GLA leva 4,2 segundos para ir de 40 km/h a 80 km/h ou 5,2 s de 60 km/h a 100 km/h.
Mercedes-Benz GLA 200 AMG Line
Mercedes-Benz GLA 200 AMG Line — Foto: Divulgação
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Mercedes-Benz GLA 200 AMG Line — Foto: Divulgação
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Mercedes-Benz GLA 200 AMG Line — Foto: Divulgação
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Mercedes-Benz GLA 200 AMG Line — Foto: Divulgação
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Mercedes-Benz GLA 200 AMG Line — Foto: Divulgação
Claro que ao pisar no acelerador o GLA não responde como um AMG, mas o câmbio de dupla embreagem e sete marchas faz um trabalho impecável e aproveita bem a faixa de torque. O modo Sport apimenta um pouco as trocas de marcha em rotações mais elevadas e instiga a acelerar mais.
O 0 a 100 km/h em nossa pista de testes não foi tão AMG. Longe disso, aliás: 9,4 segundos – 0,7 s a mais que o número de fábrica. Por outro lado, chama atenção o consumo: 10,5 km/l no trecho urbano e 16,1 km/l no rodoviário. O GLA tem um sistema que desativa dois dos quatro cilindros para economizar. Será que quem paga R$ 326 mil no Mercedes está preocupado com o alto preço da gasolina?
O rodar é sólido. O GLA dá a sensação de ser um carro leve (apesar dos 1.485 kg) e a suspensão firme mantém a carroceria no lugar e ao mesmo tempo consegue filtrar boa parte das imperfeições do asfalto para a cabine – nem mesmo as rodas aro 20 comprometem o conforto. Atrás, o túnel central é alto, mas dá para uma pessoa sentar no banco do meio em trajetos não muito longos.
O novo GLA tem outras qualidades. Feito sobre a mesma plataforma compacta do Classe A, B e GLB, o utilitário compacto premium está menor no comprimento (1,4 centímetro) e agora mede 4, 41 metros. A altura, no entanto, cresceu 10,4 cm e agora o modelo tem 1,61 m. O entre-eixos passa de 2,70 m para 2,73 m. A capacidade do porta-malas também foi ampliada de 421 litros para 435 l.
Em termos visuais, o GLA acompanha o estilo dos atuais carro da marca. O desenho frontal aposta em faróis mais afilados, enquanto o perfil tem terceira janela para dar uma queda de teto mais esportiva. A traseira investe nas mesmas lanternas de LED horizontais dos Mercedes mais modernos.
Além do design mais encorpado e parecido com o de um SUV, a Mercedes também deu ao GLA uma posição de condução mais alta: o banco dianteiro está 14 cm mais elevado em relação ao Classe A, por exemplo, e 5 cm mais alto que o Classe B. Mesmo assim, a posição de dirigir não é tão alta quanto a de outros SUVs, que o motorista parece um juiz de partida de tênis.
Destaque ainda para o interior. Traz materiais de alto padrão no acabamento, como a padronagem de fibra de carbono, bancos revestidos parcialmente de Alcantara e painel emborrachado. A pegada tecnológica fica por conta das telas integradas de 10,25 polegadas – do painel de instrumentos e do multimídia MBUX. O problema é realmente o preço.
Números de teste
Desempenho
| 0 - 100 km/h | 9,4 segundos |
| 0 - 400 metros | 16,8 s |
| 0 - 1.000 m | 30,6 s |
| Veloc. a 1.000 m | 173,9 km/h |
| Vel. real a 100 km/h | 98 km/h |
Retomadas
| 40 - 80 km/h (Drive) | 4,2 s |
| 60 - 100 km/h (D) | 5,1 s |
| 80 - 120 km/h (D) | 6,4 s |
Frenagem
| 100 - 0 km/h | 47,3 m |
| 80 - 0 km/h | 26,4 m |
| 60 - 0 km/h | 17,2 m |
Consumo
| Urbano | 10,5 km/l |
| Rodoviário | 16,1 km/l |
Ficha técnica
| Motor | Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.3, turbo, 16 V, injeção direta, gasolina |
| Potência | 163 cv a 5.550 rpm |
| Torque | 25,5 kgfm entre 1.620 e 4.000 rpm |
| Câmbio | Dupla embreagem e sete marchas, tração dianteira |
| Direção | Elétrica |
| Suspensão | Indep. McPherson (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios | Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.) |
| Pneus | 235/45 R20 |
| Dimensões | Compr.: 4,41 m / Larg.: 1,83 m / Alt.: 1,61 m / Entre-eixos: 2,73 m |
| Tanque | 43 litros |
| Porta-malas | 435 l |
| Peso | 1.485 kg |
| Central multimídia | 10,2 polegadas, sensível ao toque, Apple CarPlay e Android Auto |
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