Teste: Argo Trekking Automático quer ser o SUV da Fiat, mas custa quase quanto um Renegade
Versão aventureira do hatch com opcionais encosta na variante mais barata do Jeep
Por André Schaun
Os interessados no Fiat Argo não podem reclamar de uma coisa: opção. Afinal, são três opções de motor: 1.0, 1.3 e 1.8. Até os aventureiros urbanos têm mais de uma alternativa na gama.
O Argo Trekking foi lançado em maio do ano passado com o motor 1.3 Firefly de 109 cv e 14,2 kgfm acoplado ao câmbio manual de cinco marchas. Faltava apenas uma opção automática, uma vez que a marca não ofereceu o soluçante GSR automatizado.
Em dezembro veio essa solução: o Trekking 1.8 automático, o mesmo conjunto das versões Precision e HGT, de 139 cv e 19,3 kgfm.
A ideia é não só ampliar o público da versão Trekking como também aproximar o hatch dos SUVs de entrada com transmissão automática. O Trekking 1.8 custa R$ 69.990; já o 1.3 sai por R$ 62.790. O preço é um pouco abaixo do previsto para o futuro jipinho do Argo.
Acontece, que a lista de opcionais do aventureiro é bem atrativa, mas eleva o preço encosta o valor final em SUVs, de fato.
Essa lista conta com câmera de ré, por R$ 990; pacote Tech, que inclui quadro de instrumentos tela de 7 polegadas, ar-condicionado digital, retrovisores externos com rebatimento elétrico, chave presencial, sensor de chuva e crepuscular e retrovisor eletrocrômico, por R$ 3.530; e o pacote Stile, que traz apoio de braço para o motorista, volante de couro, controle de cruzeiro, borboletas, revestimento que imita couro e banco traseiro bipartido, por R$ 2.900.
Com todos os opcionais, o preço total chega a R$ 77.410. Se analisarmos os SUVs compactos com câmbio automático, temos versões de entrada na faixa de R$ 80 mil, como o Hyundai Creta Action, por R$ 79.990, o Jeep Renegade STD, por R$ 77.490, e o Nissan Kicks 1.6 S, vendido por R$ 82.490.
O que o Argo Trekking traz
Visualmente, a versão com motor mais potente é exatamente igual à que leva o 1.3. A dianteira exibe adesivo preto fosco na parte central do capô, logotipo preto na grade e luzes diurnas com assinatura em LED. As laterais têm faixas decorativas com a assinatura “Trekking”, saias, moldura das rodas e retrovisores pretos e rodas de 15 polegadas com pneus 205/60 R15 de uso misto.
A traseira também recebeu uma faixa decorativa, logotipo da Fiat, a inscrição Argo e o aerofólio em preto e o escapamento da versão HGT. O teto e as barras laterais também são pretos. Por dentro, bancos revestidos de tecido escuro com costura laranja contrastante e saídas de ar cromadas.
De série, a única diferença entre os dois aventureiros é, de fato, a motorização, porque de resto eles são iguais. Os destaques são a central multimídia de sete polegadas, compatível com Apple CarPlay e Android Auto, trio elétrico, monitoramento de pressão dos pneus, sensor de ré e faróis de neblina. Entretanto, os itens mais atrativos ficam na lista de opcionais.
O Trekking 1.8 tem boa dirigibilidade e passa todo o conforto do câmbio automático. O vão livre do solo de 18,5 cm — 3 cm e 2,8 cm mais alto que o Precision e o HGT, respectivamente — dá realmente a sensação de mais robustez ao hatch.
Os números de aceleração ficaram dentro do esperado. O zero a 100 km/h foi feito em 11,2 segundos. As retomadas também não surpreenderam e ficaram na média. Além disso o câmbio poderia ser mais suave. Já as marcas de frenagens e de consumo decepcionaram.
O Treekking 1.8 é confortável e revela-se uma boa opção para enfrentar nossas ruas em más condições, pois filtra bem as irregularidades do solo. O carro herdou os acertados ajustes de mola e amortecedores da versão 1.3.
Porém, fica difícil resistir ao pacote opcional que eleva o preço do carro para R$ 77.410, o que pode fazer o consumidor procurar direto esses SUVs automáticos de entrada.
Na comparação caseira dentro do Grupo FCA, o Renegade STD tem praticamente tudo que o Trekking oferece — já incluindo os opcionais — e ainda dispões de série: controle de tração e estabilidade, faróis com regularem de altura, ajuste de profundidade do volante, sistema start-stop e freio de mão automático. Tudo isso por R$ 80 a mais.
Vale lembrar que Fiat lançará um SUV com base no Argo no primeiro semestre de 2021, feito sobre a mesma plataforma do hatch. O utilitário terá duas opções de motor: 1.0 turbo e 1.3 Firefly. O preço deve ficar na faixa entre R$ 75 mil e R$ 90 mil.
Teste: Argo Trekking Automático quer ser o SUV da Fiat, mas custa quase quanto um Renegade
Ficha técnica
Motor
Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.8, 16V, comando simples com variação de fase, injeção eletrônica, flex, coletor de admissão variável
Potência
139 cv a 5.750 rpm
Torque
19,3 kgfm a 3.750 rpm
Cambio
Automático de 6 marchas, tração dianteira
Direção
Elétrica
Suspensão
McPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira)
Freios
Discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira)
Pneus e rodas
205/60 R15
Tanque
48 litros
Porta-malas
300 litros
Peso
1.130 kg
Números de pista
0 - 400 m: 17,6 s
0 - 1.000 m: 32,4 s
Velocidade a 1.000 m: 160 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 98 km/h
Retomada
40 - 80 km/h (3ª): 4,8 s
60 - 100 km/h (4ª): 6,2 s
80 - 120 km/h (5ª): 7,8 s
Frenagem
100 - 0 km/h: 45,4 m
80 - 0 km/h: 28,6 m
60 - 0 km/h: 15,6 m
Consumo
Urbano: 7,6 km/l
Rodoviário: 10,8 km/l
Média: 9,2 km/l
Autonomia em estrada: 518 km









