Teste: Suzuki Jimny Sierra continua a ser Tarzan, mas agora também quer viver na cidade
Quarta geração do icônico jipinho fica mais potente, adota o câmbio automático de quatro marchas e parte de R$ 104 mil
Por Raphael Panaro
O Suzuki Jimny sempre teve a selva como seu habitat. O herdeiro do Samurai desde a primeira geração, criada lá nos anos 1970, até a terceira encarnação (que durou de 1998 a 2018) se destacava pelo tamanho reduzido e um grande apetite no fora de estrada.
Agora a nova e quarta geração, que chega ao Brasil este mês, mantém as aptidões off-road intactas, mas evolui em outro aspecto: o convívio urbano. Tanto que será oferecido pela primeira vez com transmissão automática de quatro marchas, além de central multimídia de série e outros itens de comodidade, como controle de cruzeiro e ar-condicionado digital.
Serão três versões: 4You com câmbio manual de cinco marchas (R$ 103.990), 4You AT (R$ 111.990) e a topo de linha 4Style AT, de exagerados R$ 122.990. Não há canibalização entre gerações. O modelo feito no Brasil atua na faixa entre R$ 70 mil e 90 mil.
Se Tarzan era filho de aristocratas ingleses, o Jimny é cria japonesa. Produzido no país oriental, vai conviver com a terceira geração, que continua sendo feita em Catalão (GO). Para se diferenciar, no entanto, o modelo mais atual agora carrega um sobrenome.
Nada de Lorde Greystoke, como o Tarzan original. O utilitário passa a ser chamado Jimny Sierra. A nacionalização não está descartada, mas deve demorar pelo menos dois anos para acontecer.
Apesar das modernidades e novos truques para o fora de estrada, o que chama atenção logo de cara é o design. O jipe tem personalidade com o estilo quadradão, mas também tem influências estéticas das gerações anteriores.
Os faróis redondinhos, por exemplo, são iguais ao primeiro modelo. As lanternas retangulares acopladas no para-choque e as saídas de ar na coluna A (que agora são falsas) vêm do segundo Jimny. Já a grade com as cinco fendas é mais recente, do último SUV.
Outra mudança importante é na motorização. Sai de cena o 1.3 litro de 85 cv e entra o 1.5 aspirado com comando variável na admissão. São 108 cv e 14,1 kgfm de torque. Andamos na novidade equipada com a transmissão automática de quatro marchas.
Produzida pela japonesa Aisin, a caixa tem 3ª e 4ª marchas mais longas. O funcionamento na cidade é simples e cômodo para situações de trânsito pesado. As trocas são bem suaves e imperceptíveis.
O que pode incomodar é na estrada. Mesmo com as últimas marchas alongadas, a transmissão parece estrangular o motor 1.5. A 120 km/h, o conta-giros está a 3.500 rpm e o ruído invade a cabine sem cerimônias. Nas retomadas, o câmbio desce uma marcha e o resultado é um barulho ainda maior do que um ganho de velocidade expressivo. Viagens longas podem ser prejudiciais para seus ouvidos.
Em movimento, o Jimny flutua e o oscila a carroceria bem menos que o modelo antecessor. A Suzuki instalou uma barra estabilizadora de maior diâmetro e ainda há um novo sistema de coxinização dos pontos de contato da longarina (que está 50% mais rígida com três novas travessas) com a carroceria.
A direção ganhou mais precisão, mas ainda assim tem sensação anestesiada no asfalto – tudo calculado para não quebrar seus dedos no off-road. É preciso ficar atento em mudanças de direção e em velocidades mais altas.
A posição de comando mais alta é boa para visualizar o capô e também ver onde o modelo está pisando. Há espaço ainda para melhoras. O volante só tem ajuste de altura – sem de profundidade. Os bancos poderiam ser mais confortáveis e também ter mais área de contato com o corpo – falta apoio laterais mais robustos e também para as coxas.
O Jimny Sierra é homologado para levar apenas quatro pessoas. Certifique-se de não levar muita bagagem também. Oficialmente o porta-malas tem 85 litros. Ao vivo, não há lugar para colocar uma mochila.
O jeito é rebater os bancos traseiros, que ficam planos, e aumentam a capacidade para 377 litros até a altura dos vidros – há ainda cincos ganchos para fixação de cargas.
O convívio com o jipinho está melhor. O interior não é lavável como o modelo anterior e o painel de instrumentos mistura elementos analógicos (velocímetro e conta-giros) com uma tela central digital.
Na versão topo de linha, o ar-condicionado é digital, há controle de cruzeiro, limitador de velocidade e faróis de LED com ajuste de altura (nas outras configurações são halógenos). Os comandos dos vidros elétricos são centralizados no console central.
A central multimídia com tela de 7 polegadas sensível ao toque é da grife JBL e tem funcionamento bem intuitivo e respostas rápidas, além de ler os sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Já os alto-falantes não são da JBL, são da própria Suzuki. Vai entender…
Mata fechada
Depois de bons quilômetros de estrada, chegava a hora de colocar o Jimny Sierra no lugar ideal: o fora de estrada. Mesmo com esse viés de atender demandas para o dia a dia, o Jimny é preparado mesmo para encarar cascalho, lama, pedregulhos, mata fechada e enormes valetas.
E o SUV faz isso com facilidade. No leve trecho off-road contemplado no test-drive foi possível comprovar toda a valentia. Com ângulos retos e extremidades fáceis de serem vistas pelo motorista, o Jimny facilita a percepção dos seus limites e do espaço.
O modelo supera os obstáculos como se estivesse passeando no parque. Em partes mais escorregadias, a tração 4x4 (acionada por alavanca ao lado do câmbio e não mais por botão) com reduzida garantiram que o Jimny superasse qualquer adversidade.
A nova estética aumenta a capacidade off-road do carro. O ângulo de entrada aumenta 2º e vai a 37º. Já de saída sobe de 46º para 49º, com distância do solo de 21 cm – 1 cm a mais que antes. Números que ajudam a explicar toda desenvoltura em terrenos acidentados. As rodas de 15 polegadas de liga leve são calçadas em estreitos, mas valentes pneus 195/80 de uso misto da Dunlop.
O utilitário tem o para-brisa e a coluna frontal em uma posição mais vertical. Já o capô é plano, para evitar reflexos que possam atrapalhar a dirigibilidade. As molduras dos para-lamas são mais largas e vem com textura anti-risco, assim como os para-choques.
Os vidros laterais são verticais para evitar acúmulo de lama ou água. Já o teto tem maior área e é equipado com calhas, que permitem a instalação de racks como acessório. Outra facilidade para o dia a dia é a abertura das portas em três estágios e com ângulo de 70º.
Em situações mais casca grossas, o Jimny se vale da tecnologia. Para sair do famoso pêndulo, onde duas rodas na diagonal perdem tração, o sistema LSD detecta automaticamente as rodas que não estão em contato com o solo e redireciona o torque para as rodas do lado oposto. O SUV ainda traz assistente de descida, de partida em rampas e os controles de estabilidade e tração.
As dimensões enxutas também ajudam tanto na cidade quanto no fora de estrada. O Jimny tem 3,64 metros de comprimento e 1,64 m de largura. O peso se manteve nos 1.095 kg. O jipinho é leve, mas aguenta terrenos da pesada.
Ficha técnica
Motor
Dianteiro, longitudinal, 4 cil. em linha, 1.5, 12V, comando duplo, injeção eletrônica, gasolina
Potência
108 cv a 6.000 rpm
Torque
14,1 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio
Automático de quatro marchas, tração integral temporária
Direção
Elétrica
Suspensão
Eixo rígido (diant. e tras.)
Freios
Discos sólido (diant.) e tambores (tras.)
Rodas e pneus
195/80 R15
Dimensões
Comprimento: 3,64 metros
Largura: 1,64 m
Altura: 1,72 m
Entre-eixos: 2,25 m
Tanque de combustível
40 litros
Porta-malas
85 litros (377 l com o banco traseiro rebatido)
Peso
1.095 kg
Central multimídia
7 pol., sensível ao toque; Android Auto e CarPlay









