Teste: JAC T80 é um gigante que se aproxima dos SUVs alemães, mas falta maturidade
Com sete lugares e muitos recursos, modelo convence no luxo e no preço, mas não está no páreo dos rivais alemães
Por Diogo de Oliveira
Quem vir o JAC T80 na rua não pensará que se trata de um SUV chinês. A dianteira tem traços que lembram modelos da Hyundai e a traseira é inspirada na geração passada do Audi Q5 — as lanternas inclusive são integradas à tampa, como no utilitário alemão. O caso é que, mesmo com essas semelhanças com alguns rivais, o T80 chama a atenção especialmente pelo tamanho. São 4,79 metros de comprimento por 1,90 m de largura e 1,76 m de altura. E o longo entre-eixos soma 2,75 metros.
Ao destravar as portas com a chave presencial à noite, o desenho de LED dos faróis faz o T80 literalmente brilhar. Uma vez a bordo, o capricho com bancos e peças convence. O visual de novo faz lembrar de outra alemã, a Mercedes-Benz. O centro do painel tem três difusores de ar redondos em um layout muito próximo ao visto no luxuoso sedã Classe E. Mas há de se reconhecer que a chinesa se esforçou para impressionar, pois o SUV de sete lugares é competente nisso.
Ao dar a partida pelo botão no painel, o motorista logo vê se acender o quadro de instrumentos em uma tela digital e colorida de 12,3 polegadas. O visor tem ótima resolução e lembra o Virtual Cockpit dos Audis, com três opções de temas. Outro elemento marcante é a tela multimídia de 10 polegadas. O visor em formato wide tem desenhos e gráficos de primeira, e o som conta com alto-falantes potentes. Entretanto, não oferece Android Auto e CarPlay, e o espelhamento não é tão simples quanto nas plataformas de Apple e Google.
Com o motor ligado, o T80 deixa uma boa impressão. Há um atraso na entrada do turbo, e o motor 2.0 de injeção eletrônica não “rosna” abaixo de 2.000 giros. Mas o zero a 100 km/h feito em 10 segundos satisfaz, sobretudo com os 1.775 kg do utilitário, que não é dos mais leves da categoria. As retomadas também agradam pela agilidade: o 60 km/h a 100 km/h é cumprido em 5,2 segundos. Entretanto, a frenagem não é das melhores. Foram 28,1 metros para estancar a 80 km/h, bem mais que os 24 m percorridos pelo VW Tiguan Allspace 1.4 turbo, um dos rivais diretos do SUV da JAC.
Dinamicamente, alguns pontos precisam melhorar. Nas curvas acentuadas, o T80 inclina bem e perde precisão nos movimentos do volante. O turbo lag surge na hora de arrancar, mas o que incomoda mesmo é o sincronismo ruim com o pedal do acelerador, que demora a responder. Nas frenagens mais fortes, a carroceria se revelou instável — apesar de o utilitário usar discos nas quatro rodas —, e requer cautela. Por fim, a suspensão macia é confortável no asfalto, entretanto não parece ter sido muito ajustada para o Brasil — nas lombadas mais altas e em piso irregular, os amortecedores ficam ruidosos.
Na hora de manobrar, o modelo tem bom diâmetro de giro e oferece câmera de ré 360º, que ajuda o motorista. E é na lista de equipamentos e na relação custo/benefício que o T80 mais seduz. São diversos recursos, como ar-condicionado de duas zonas, teto solar panorâmico, bancos dianteiros com ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e até massageador para o motorista, rodas de liga leve aro 18, entre outros. Tudo isso associa-se ao excelente espaço interno. Os sete adultos encontrarão conforto de sobra para pernas e cabeça, além de boa quantidade de porta-objetos. Há saídas de ventilação atrás e o porta-malas é mais que generoso: leva até 610 litros.
Porém, não dá para dizer que o chinês já está no páreo dos concorrentes alemães que o inspiraram. Um dos maiores absurdos é a ausência de ajuste de profundidade do volante. A ergonomia não chega a incomodar por causa disso, dada a amplitude da cabine. Mas a regulagem faz muita falta. Também não há itens modernos de condução semiautônoma, que já estão disponíveis em alguns concorrentes. A unidade que dirigimos ainda estava com um incômodo rangido na parte traseira que parecia vir da terceira fila de bancos. São pequenos detalhes que mostram que a construção pode melhorar. Pelos R$ 144.990 pedidos, o pacote é interessante. Mas falta amadurecer.
Teste
Aceleração
0-100 km/h: 10 s
0-400 m: 17,1 s
0-1.000 m: 31,4 s
Velocidade a 1.000 m: 166,9 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 97 km/h
Retomada
40-80 km/h (Drive): 4 s
60-100 km/h (D): 5,2 s
80-120 km/h (D): 6,6 s
Frenagem
100-0 km/h: 43,6 m
80-0 km/h: 28,1 m
60-0 km/h: 15,7 m
Consumo
Urbano: 6,9 km/l
Rodoviário: 11,3 km/l
Média: 9,1 km/l
Autonomia em estrada: 582,4 km
Ficha técnica
Motor
Dianteiro, 2.0, 16 válvulas, comando duplo variável no cabeçote, quatro cilindros em linha, injeção eletrônica, turbo, gasolina
Potência: 210 cv a 5.000 rpm
Torque: 30,5 kgfm entre 1.800 rpm e 4.000 rpm
Câmbio: Automático de dupla embreagem de 6 marchas; tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep. McPherson (dianteira) e Multilink (traseira)
Freios: Discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira)
Pneus: 235/60 R18
Dimensões
Comprimento: 4,79 m
Largura: 1,90 m
Altura: 1,76 m
Entre-eixos: 2,75 m
Tanque: 64 litros
Porta-malas: 620 litros (fabricante/AE)
Peso: 1.775 kg
Central multimídia: 8 polegadas, sensível ao toque
Garantia: 6 anos
Cesta de peças** R$ 7.794,76
Seguro*** R$ 4.179
Revisões
10 mil km: R$ 499
20 mil km: R$ 599
30 mil km: R$ 899
**Retrovisor direito, farol direito, para-choque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro de ar (elemento), filtro de ar do motor, jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível.
***Seguro: As cotações foram feitas pela Limiar Seguros (11-2506-9242) com base no perfil de um homem de 40 anos, casado, morador da zona sul de São Paulo, sem bônus.
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