Yamaha Fazer 250 2019 é vendida sem alterações por R$ 15.290
Linha 2019 segue sem mudanças visuais ou mecânicas e continua abrigando o motor monocilíndrico flex de 249cm³ com 21,5cv e 2,1kgfm
Por Roberto Dutra (de O 3PWEB)
A estrela da Yamaha no Salão Duas Rodas 2017 foi a Fazer 250, modelo 2018, que chegou à linha 2019 sem modificações técnicas ou visuais e é oferecida por R$ 15.290. E já andamos na moto para conferir suas mudanças.
Da antiga Fazer, a nova só manteve o motor. Continua lá o monocilíndrico flex de 249cm³, que rende até 21,5cv de potência e 2,1kgfm de torque. A única diferença é um ínfimo aumento de potência (0,6cv), fruto do novo filtro de ar: a caixa que o abriga dobrou de tamanho.
O chassi é todo novo. Antes com berço duplo inferior, agora é do tipo diamond, com o motor fazendo parte da estrutura (ou seja, é aberto embaixo). Mais leve, o novo quadro ajudou a moto a perder 4kg de peso — junto com o novo escape, redimensionado, e o tanque, que ficou menor (perdeu 4 litros, mas a Yamaha diz que a moto ainda tem autonomia superior a 400km, o suficiente para a categoria).
A roda traseira também mudou. Tem uma “tala” mais larga e agora calça pneu 140/70 (antes, era 130/70). E mais: a suspensão traseira perdeu o link e ganhou um amortecedor mais progressivo, para compensar.
Posição mais esportiva
A ciclística também mudou um bocado: as pedaleiras do piloto foram recuadas, o guidom ficou mais alto e largo e as pedaleiras traseiras agora são fixadas diretamente no chassi — com isso, as pernas ficam menos dobradas (antes, eram posicionadas no bacalhau do chassi). Por fim, o ângulo do cáster e a medida do “trail” da moto diminuíram, o que, resumidamente, a deixam mais “curta” e bem mais ágil.
E há outros detalhes, como a nova posição do sistema ABS (para melhorar a centralização de pesos e massas), um radiador de óleo com quatro fileiras (antes eram duas) e a coroa da roda traseira maior, com 46 dentes — antes eram 45 dentes.
As novidades não são puramente cosméticas, mas o visual também passou por um pente-fino: do farol à rabeta, tudo é novo — abas laterais, banco, alças de garupa etc. A Fazer ficou moderna, agressiva e até parece uma moto maior.
Para completar, dois novos baratos importantes: a Fazer passa a a ser a primeira moto brasileira com quatro anos de garantia (as da Honda, por enquanto, têm três anos) e suas revisões passam a ter preço fixo. O modelo 2019 da Yamaha segue sendo vendido uma única versão, com ABS de série.
Com tudo isso, a marca pretende reforçar a participação da Fazer no segmento, onde encara principalmente a Honda Twister 250 (de R$ 14.990 com ABS) e a Dafra Next 300, que custa R$ 15.190. Feitas as devidas apresentações, é hora de acelerar para ver os resultados de todo esse trabalho.
Impressões ao dirigir
Nosso trajeto teve cerca de 100km por estradinhas secundárias em torno de Campos do Jordão, passando por lugares como Sapucaí-Mirim. Claro sinal de que a Yamaha bota fé na nova Fazer, pois havia trechos muitíssimo sinuosos e com subidas bem fortes. E a moto surpreendeu.
Já em posição, descobri um perfeito encaixe do corpo na moto. As pernas ficam mais dobradas mais do que eu gosto, mas é questão de costume — afinal, sou piloto habitual de motos custom. O encaixe dos joelhos no tanque é perfeito. Mas não curti a posição do guidom, mais alta do que antes. Parece que não casa com o resto.
Já nos primeiros quilômetros, vi que os espelhos são péssimos — e o próprio pessoal da Yamaha admitiu isso, culpando a eterna briga de engenharia e marketing (com hastes maiores seriam melhores, porém mais “feios”). O painel proporciona visibilidade razoável sob o sol — fica mais legível à noite, com os display brilhando. A novidade de ter consumos instantâneo e médio é ótima (em tempo: fizemos uma média de 32,5km/l na estrada, andando em ritmo animado).
As curvas vieram em número cada vez maior, umas mais fechadas e outras menos, quase sempre alternando de lado, e a moto se comportou de maneira excepcional: é muito segura, tem maneabilidade excelente e é ótima de curva. Pode deitar o cabelo que ela demora para raspar a pedaleira e jamais transmite insegurança. Por duas vezes cheguei a sair da trajetória ideal, mas a Fazer me permitiu a rápidas correções sem sustos.
E olha que os freios — mesmo com ABS — não mostraram respostas lá muito convincentes: pararam a moto, sim, mas com pequenas travadas e mais vibração que o desejável.
Cheio de vontade
O motor, por outro lado, responde muitíssimo bem. A simples troca da coroa na roda traseira, com um dente a mais, contribui para que o torque apareça já em baixas rotações e para que o motor se mantenha “cheio” o tempo todo. Eventualmente é preciso reduzir uma marcha para estimulá-lo, mas é raro que dê aquelas “soluçadas”. Apesar desse apetite, os níveis de ruídos e vibrações foram razoavelmente baixos.
Depois de algum tempo ali em cima, o banco muito duro (como sempre, dona Yamaha...) e as suspensões bastante rígidas e com curso curto cobraram seu preço no meu condicionamento físico de de atleta de dominó. Uma parada no meio do percurso foi providencial para esticar o esqueleto e poder continuar sem pedir arrego. E tome curvas e algumas retas, nas quais foi possível esticar e ver que a moto se mantém no trilho mesmo sobre asfalto molhado.
Melhor de três
Ao fim de nosso test-ride, ficou a certeza de que a Fazer de fato se tornou um produto muito aprimorado e é, neste momento, entre as três principais do segmento (junto com Twister e Next), a de melhor relação custo/benefício.









