Teste: Citroën C3 1.6 Exclusive automático
Novo câmbio automático de seis marchas faz bem ao C3, mas a ergonomia na cabine é prejudicada pelo tempo avançado em que o modelo está no mercado
Por Guilherme Blanco Muniz
Pode não parecer, mas o Citroën C3 ganhou uma boa renovação na linha 2018. O defasado câmbio automático de quatro marchas que equipava as versões mais caras deu lugar a um novo, de seis velocidades. Bem mais moderno, promete melhora no desempenho e redução no consumo. Mas não é suficiente para atualizar todos os pontos defasados do C3. Isso só seria resolvido com a vinda da nova geração, apresentada na Europa há um ano. Não há planos, por ora, para que a representação da Citroën no Brasil ofereça esse carro no nosso mercado. Confira como a versão topo de linha Exclusive, de R$ 65.490, se saiu no nosso teste.
Impressões ao volante
Apesar de não ser capaz de modernizar completamente o hatch, o novo câmbio deu um bom novo fôlego ao modelo. A transmissão segue acoplada ao motor 1.6 flex de 118 cv e, apesar de vacilar em algumas trocas de marchas, a combinação funciona bem e torna a condução agradável.
Em alguns momentos, as marchas demoram a subir, o que é resolvido através das trocas manuais feitas diretamente no câmbio. Ponto negativo é que nenhuma versão do C3 tem aletas atrás do volante, algo presente na defasada caixa de quatro marchas. A Citroën não divulga estimativa de desempenho nas provas de aceleração. Quando o assunto é consumo de combustível, a empresa afirma que o carro ficou 7% mais econômico com o novo conjunto mecânico. Essa melhoria não foi suficiente, porém, para conquistar nota A no programa de etiquetagem do Inmetro, já que o modelo continuou com a nota B.
O conjunto de suspensão é macio e garante conforto a todos os passageiros, mas não agradará aos motoristas que preferem carros com pegada esportiva. A direção elétrica é bastante leve para manobras, ao mesmo tempo em que transmite confiança ao motorista em altas velocidades.
A ergonomia é o grande ponto fraco do C3. A idade avançada do projeto é denunciada pela gritante falta de porta-objetos funcionais na cabine. O principal deles fica no painel central, abaixo dos ajustes do ar-condicionado. Porém, qualquer objeto (seja uma carteira ou um celular, por exemplo) cai depois de acelerar. Além disso, os botões da central multimídia ficam muito distantes da tela. Isso não só compromete a praticidade a bordo como exige que o motorista diminua a atenção ao volante para localizar os comandos.
Custo-benefício
Completa, a versão avaliada tem como diferenciais sistema de ar-condicionado digital e automático, sensores de chuva e crepuscular, limitador e regulador de velocidade e dois apoios de braço centrais. Por fora, destaque para retrovisores cromados e outros detalhes cromados na tampa do porta-malas e no contorno dos vidros.
Um dos grandes pontos positivos do hatch de entrada da Citroën é o para-brisas panorâmico Zenith. De série neste e em outras versões, garante maior luminosidade dentro da cabine e sensação de espaço para todos os ocupantes.
A partir desta linha 2018, todos os C3 são equipados de fábrica com tela multimídia sensível ao toque de 7 polegadas. Realmente, já era hora do modelo contar com o recurso. Ele oferece acesso ao rádio, ajustes do carro e informações de como o motorista está conduzindo. Há ainda o Apple CarPlay, sistema que torna o uso conectado a um iPhone bem mais intuitivo. Porém, fica de fora em todas as versões a navegação por GPS, que deveria ser básico pelo preço cobrado pela Citroën.
Vale a compra?
Não. É verdade que não há um grande abismo entre o C3 e outros modelos da mesma faixa de preços quando o assunto é conforto e desempenho. Porém, há rivais mais atualizados que oferecem bons itens e ergonomia superior. Se sua escolha for, sem dúvidas, um C3, opte por configurações que já ofereçam o para-brisa panorâmico para garantir viagens mais confortáveis. O item vem de série a partir do C3 Tendance.
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.6, 16V, comando duplo, flex
Potência: 118/115 cv a 5.750 rpm
Torque: 16,1 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio: Automático de 6 marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira)
Freios: Discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira)
Pneus: 195/60 R15
Comprimento: 3,94 metros
Largura: 1,70 m
Altura: 1,52 m
Entre-eixos: 2,46 m
Tanque: 55 litros
Porta-malas: 300 litros (fabricante)
Peso: 1.182 kg









