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Testes

Por Tereza Consiglio


Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Desde a chegada do irmão mais novo HR-V, a popularidade e a autoestima do CR-V andam em baixa. A mãe Honda até bancou uma cirurgia plástica para o filho mais velho com o intuito de deixá-lo mais refinado e atual perante irmão. Mas ficou difícil para ele competir com um projeto mais moderno, feito sob medida para os grandes centros urbanos.

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Para evitar disputa interna, a montadora japonesa procurou distânciar os dois modelos no portfólio. Deu ao CR-V um interior mais refinado e passou a oferecê-lo no país apenas na versão topo de linha EXL, mais completa e equipada com tração 4x4. O preço também subiu de patamar e agora parte de R$ 148.000*. Diante de todas essas mudanças, confira como o modelo se saiu em nossos testes e se o banho de loja e de equipamentos justificam a nova tabela de preço.

Impressões ao volante

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Com 4,58 metros de comprimento e 1,82 largura, o CR-V manteve o porte e jeitão de utilitário esportivo, que o HR-V não tem. A posição de dirigir é mais elevada e a sensação é de estar ao volante de um carro bem mais robusto. O interior também passa a impressão de ser mais requintado, com detalhes cromados, bancos de couro e material macio ao toque presente no console e nas portas. Para ganhar o status de carro premium, o modelo recebeu equipamentos como botão de partida, ar-condicionado digital, teto solar elétrico e central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas.

Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Ainda assim, há detalhes que revelam a idade do modelo. É o caso do painel de instrumentos e do display digital de cinco polegadas no centro do console. A pequena telinha exibe tanto as informações do computador de bordo quanto as mesmas da central multimídia abaixo, o que não faz mais muito sentido e até confunde. O freio de estacionamento acionado por uma alavanca no pé também parece defasado diante do freio eletrônico com brake hold do novo HR-V.

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Ainda assim, o CR-V mostra estar com o condicionamento físico em dia. Na cidade, o SUV rechonchudo de 1.579 kg mostra bom fôlego com o motor 2.0 de 155 cv de potência e 19,5 kgfm de torque. O câmbio automático de cinco marchas, no entanto, merecia uma atualização. Dentro do ciclo urbano, a caixa oferece trocas suaves e tem boa desenvoltura, mas uma sexta marcha viria bem em velocidade de cruzeiro para otimizar o consumo de combustível. Mesmo com o botão ECON ligado, o CR-V aferiu médias  9,4 km/l na estrada e 6,7 km/l na cidade. Na pista de testes, modelo levou 12,4 segundos para ir de 0 a 100 km/h e 7,1 segundos para retomar de 60 km/h a 100 km/h.

Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

A tração 4x4, um diferencial em relação ao HR-V, faz do SUV um modelo apto para encarar estradas de terra e terrenos acidentados. Um dos destaques é o acerto da suspensão, macia e silenciosa, tanto no ambiente urbano quanto fora da estrada. Os controles eletrônicos de tração e estabilidade ajudam no equilíbrio do carro em curvas, que a despeito da altura considerável em relação ao solo, ajudam a manter sob controle o rolamento da carroceria.

O que não dá para reclamar é do espaço interno do modelo. Com entre-eixos de 2,62 metros e assoalho no banco de trás plano, dá para levar com conforto até três ocupantes. Eles não vão reclamar de calor com saídas de ar-condicionado para o assento traseiro, nem de falta de espaço para bagagem, já que o porta-malas comporta até 501 litros.

Custo-benefício

Para compensar o aumento de preço, o novo Honda CR-V ao menos chegou ao mercado com uma lista de itens de série bem servida. Alguns deles não estão disponíveis no irmão mais novo HR-V, como é o caso dos teto solar elétrico, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis e seis airbags. O modelo também conta com Isofix, assistente de partida em rampa e uma central multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas cheia de funções. Tem entrada entrada USB, auxiliar e até HDMI.

Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Honda CR-V (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Através dela, é possível acessar os comandos do som, telefone, Bluetooth, GPS e até câmera de ré. Entretanto, a sensibilidade ao toque da telinha não é tão apurada quanto a do sistema do HR-V e nem tão intuitiva. O pareamento com o celular também é mais demorado, tanto dos smartphones com iOS quanto com Android. Para um modelo bem mais caro que o HR-V, o esperado era que ao menos a central multimídia fosse tão boa quanto.

Vale a compra?

Não, por conta do preço. O CR-V é um carro gostoso guiar, com ótimo espaço interno e nível de conforto. Ele evoluiu em acabamento e equipamentos, mas ficou devendo alguns itens de tecnologia, além de uma atualização mecânica para justificar o novo patamar de preço. A tração 4x4 é um diferencial em relação ao HR-V, mas não fazem dele o modelo mais indicado para entrar na lama.

*Preços atualizados em 06/12/2016

Ficha técnica

Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, comando simples, flex
Cilindrada: 1.997 cm³
Potência: 155/150 cv a 4.800 rpm
Torque: 19,5/19,3 kgfm a 4.800 rpm
Transmissão/tração: Automático de 5 marchas; integral
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e multilink na traseira
Freios: discos ventilados na frente e sólidos atrás
Pneus: 225/60 R17
Dimensões: Comprimento: 4,58 metros; Largura: 1,82 metros; Altura: 1,65 metro; Entre-eixos: 2,62 metros
Capacidades: Tanque 71 litros
Porta-malas: 501 litros
Peso: 1.579 kg

Números de teste

Aceleração
0-100 km/h: 12,4 segundos
0-1400 m: 18,7 segundos
0-1000 m: 33,6 segundos
Velocidade em 1.000m: 162 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 99 km/h

Retomada
40-80 km/h: 5,5 segundos
60-100 km/h: 7,1 segundos
80-120 km/h: 8,6 segundos

Frenagem
100 km/h: 43,3 metros
80 km/h: 28,9 metros
60 km/h: 15,7 metros

Consumo urbano: 6,7 km/l
Consumo rodoviário: 9,4 km/l
Consumo médio: 8 km/l

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