Avaliação: Peugeot 308 1.6 Allure
Hatch médio chega por R$ 69.900 com novos detalhes estéticos e recheada lista de itens de série para rivalizar em concorrido segmento
Por Alexandre Izo
Depois de avaliarmos avaliou a versão topo de linha do Peugeot 308 1.6 THP Griffe, chegou a hora de acelerarmos a versão de entrada, Allure 1.6 com câmbio manual, com preço de R$ 69.900. O modelo é equipado com um motor de 122 cv de potência e 16,4 kgfm de torque e uma transmissão manual de cinco marchas.
Impressões ao volante
O hatch oferece boa ergonomia e posição ao volante. Os bancos são confortáveis e acomodam bem o motorista. Além de parcialmente revestidos de couro e tecido (como as forrações de portas), trazem abas laterais que "abraçam” bem quem viaja na frente. O volante da versão de entrada tem boa pegada, mas não oferece o mesmo acabamento refinado da versão topo e peca pela simplicidade. A direção, embora eletro-hidráulica (em que um motor elétrico atua sobre a bomba), poderia ser mais macia.
O acelerador é daqueles que delimita bem primeiro e segundo estágios, forçando o motorista a dosar o pé direito para privilegiar o consumo. O carro anda bem, mas em certos momentos dá para perceber que há muita carroceria (1.318 kg) para carregar. Viajando em velocidade de cruzeiro, a 120 km/h, o ponteiro dos giros crava nas 3.500 rpm. É uma relação curta de transmissão que faz o 308 beber 7,1 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada. Melhor que o Bravo com 5,7 e 8,8 km/l, respectivamente, e um pouco pior do que o Focus com 8,7 e 10,6 km/l na mesma ordem (aferições de Auto News Brasil).
Os freios são eficientes e a suspensão, estável. Resultado das novas articulações e amortecedores retrabalhados para deixar a cabine mais confortável, estável e silenciosa. A falha fica por conta da ausência de controles de estabilidade e de tração, que já vêm em compactos como o Ford Ka e Fiesta.
Por falar em ruído, salta aos olhos, ou melhor, aos ouvidos o nível de isolamento acústico dentro da cabine mesmo quando o motor trabalha mais cheio. Outro ponto positivo para quem dirige é a grande área envidraçada que confere ótima visibilidade ao condutor. Há cinto de três pontos e encosto de cabeça para cinco ocupantes, mas o túnel elevado no assoalho e o final do console central limitam muito o espaço para os pés do quinto provável ocupante. Ou seja, o espaço no interior da cabine é bom para quatro ocupantes, um pouco tolhido pelo entre-eixos de apenas 2,60 metros.
Em nossos testes, esta versão do 308 fez a aceleração de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos. Menos do que o Ford Focus SE 1.6 (11,7 s) e que o Fiat Bravo Sporting 1.8 (11,9 s), ambos com câmbio manual. Em retomadas de 60 a 100 km/h, o hatch médio da Peugeot precisou de 10,6 segundos, contra 10,9 s do Focus e 10,1 s do Bravo. Para frear vindo de uma velocidade de 80 km/h até a inércia foram precisos de 26 metros. Um metro a mais do que o Fiat Bravo com 25 m e um pouco a menos do que o Ford Focus com 26,8 m.
Custo-benefício
Para correr atrás dos líderes da concorrida categoria de hatches médios, Ford Focus, VW Golf e Chevrolet Cruze, a Peugeot não esconde que sua principal arma do 308 é a lista recheada de itens de série. Um dos grandes atrativos é a intuitiva central multimídia com tela colorida sensível ao toque de sete polegadas, que é fácil de manusear e parear dispositivos. O sistema conta com Bluetooth e streaming de áudio, GPS, câmera de ré, jukebox de 16GB que pode carregar músicas e função “mirror screen”, que espelha o celular na tela da central - mas para isso o telefone precisa ser compatível com o sistema Mirrorlink ou Apple Carplay. Além disso, a Sony desenvolveu dois aplicativos para a marca francesa “Peugeot Assistance” que ajuda o usuário a encontrar uma assistência técnica da montadora e oferece um serviço de “Newsreader”, que possibilita escolher notícias para serem lidas em voz alta.
A versão Allure 1.6 ainda vem completona de fábrica, com ar-condicionado de duas zonas, direção eletro-hidráulica, trio elétrico, freios ABS, seis airbags (frontais, laterais e de cortina), sistema isofix, revestimento parcial de couro nos bancos e nas portas, painel de instrumentos na cor branca que transmite esportividade, banco do motorista com ajuste de altura manual, computador de bordo, volante com regulagem de altura e profundidade, apoio de braço para o motorista, teto panorâmico, sensores de chuva, de ré e crepuscular, faróis de neblina, regulador e limitador de velocidade e rodas de 17 polegadas de liga leve.
Vale a compra?
Não. É uma pena que um carro de quase R$ 70 mil não traga controles eletrônicos de estabilidade (presente apenas na versão intermediária e topo de linha) e de tração, volante multifuncional (há apenas o comando na coluna de direção) e até mesmo iluminação nos parassóis. Apesar de datado, o Peugeot 308 Allure 1.6 é um bom carro, bem recheado de equipamentos e gostoso de dirigir. Mas o felino vem para brigar por uma fatia de mercado que parece difícil de ser alcançada. Seja pelos rivais de peso que enfrenta, seja pelo cansaço visual e pela plataforma desatualizada que oferece.
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16V, comando duplo, injeção multiponto, flex
Cilindrada: 1.598 cm³
Potência: 122 cv a 5.800 rpm
Torque: 16,4 kgfm a 4.000 rpm
Câmbio: Manual de cinco marchas, tração dianteira
Direção: Eletro-hidráulica
Suspensão: Independente, McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira
Pneus: 225/45 R17
Dimensões: Comprimento: 4,29 m; Largura: 2,06 m; Altura: 1,51 m; Entre-eixos: 2,60 m
Tanque: 60 litros
Porta-malas: 430 litros (fabricante); 385 l (aferição Auto News Brasil)
Peso: 1.318 kg









