Avaliação: JAC J5 reestilizado
Por R$ 70.990, sedã tem porte de Civic e um bom pacote de equipamentos, mas fazem falta o câmbio automático e motor flex
Por Tereza Consiglio
Desde 2012 no mercado brasileiro, o JAC J5 acaba de passar por uma reforma. Pelo menos do lado de fora. O sedã chinês ganhou novo conjunto de faróis, grade, parachoques e lanternas que conferiram a ele um visual bastante elegante. Com porte de sedã médio como Honda Civic e Toyota Corolla, o J5 costuma rivalizar com o modelos que ficam um andar abaixo na tabela de preços como Honda City e Ford New Fiesta Sedan. Sugerido a partir de R$ 64.990, ele pode chegar até R$ 70.990 na versão mais equipada. Avaliamos o J5 mais completo para dizer a você se as qualidades do carro justificam sua etiqueta.
Impressões ao volante
Não dá para torcer o nariz para o visual do J5. Pode não ser um desenho original e nem arrebatador, mas o modelo tem linhas elegantes e porte de sedã médio, impressão acentuada assim que você abre a porta do carro. Espaço é o que não falta aos 2,71 metros de entre-eixos, especialmente para quem viaja atrás, onde três ocupantes podem esticar as pernas à vontade e há 428 litros aferidos para bagagem no porta-malas. Para você ter uma ideia, ele tem um entre-eixos maior que o do Honda Civic (2,66 metro), que tem a vantagem de oferecer mais bagageiro: 480 litros. Além de espaçoso, o JAC também ganhou um interior mais moderno.
O painel de instrumentos ganhou um novo layout - por sinal, parecido com o exibido pelos modelos da Ford. Conta-giros e velocímetro ficam em mostradores circulares e no meio a um display digital que mostra informações do computador de bordo. Há detalhes em cromado nas portas, volante e saídas do ar-condicionados, aém de superfícies em black piano. Mas não espere por elementos mais refinados ou o cuidado dispensado na montagem das peças pelos japoneses. O plático que recobre console e portas é rígido, embora, no geral, exiba boa aparência e apresente uma evolução considerável em relação ao modelo anterior.
Em movimento, o carro não empolga, mas também não decepciona. Com 1.315 kg, os 125 cv produzidos pelo motor 1.5 16V a gasolina dão conta do recado. No entanto, dependendo do ângulo de inclinação da ladeira e do carro cheio, o motorista vai precisar reduzir a marcha para embalar, pois o torque de 15,5 kgfm só aparece além dos 3.200 giros. Para completar o conjunto, o câmbio de cinco marchas tem bons engates, mas, tal qual outros modelos chineses, o curso da alavanca é longo, o que acaba por tirar a agilidade do conjunto. Em nossa pista, o modelo precisou de 14,4 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Para efeito de comparação, o Honda City que é mais leve (1.137 kg), mas também equipado com motor 1.5 ( com 116 cv e 15,3 kgfm) e possui câmbio CVT, fez o mesmo em 11,3 segundos. Nas retomadas de velocidade, o chinês também fica bem atrás do concorrente japonês, precisando de 13,5 segundos para ir de 60 km/h a 100 km/h, enquanto o Honda City cravou 5,9 segundos.
É verdade que o desempenho do J5 poderia ser um pouco melhor, mas o que pesa contra o chinês é a falta de uma opção do câmbio automático, uma exigência do público interessado em um sedã com o a proposta familiar do JAC J5. Outro senão é o motor beber apenas gasolina, apesar das médias honestas: 9,2 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada, segundo nossas medições. Motor flex por enquanto apenas o 1.5 que equipa atualmente o J3 S. Do ponto de vista de rodagem, o carro agrada, mas devido ao acerto da suspensão que prioriza o conforto, o sedã escapa um pouco em curvas encaradas com mais velocidade.
Custo-benefício
Quando o assunto são os itens de conforto, a lista exibida pelo J5 é atrativa. Por R$ 70.990, fazem parte do pacote do modelo direção hidráulica, ar-condicionado digital, trio elétrico, faróis com regulagem de altura, rodas de liga leve de 16 polegadas, sensor de estacionamento, bancos e volante revestido de couro e uma central multimídia. O sistema integra funções do rádio, telefone e câmera de ré, mas não conta com GPS. É fácil de navegar, mas o pareamento com o smartphone é um pouco lento e a tela fica devendo uma melhor sensibilidade ao toque.
No geral, o pacote é bom, mas atualmente não possui tantos diferenciais quanto no passado. Isso porque as marcas tradicionais passaram a ofertar mais tecnologia a bordo, devido a demanda dos clientes por mais equipamentos de comodidade. Sistema multimídia, ar-condicionado digital e sensor de estacionamento não são mais diferenciais.
Vale a compra?
Não. Apesar do generoso espaço interno e da boa lista de itens de série, a falta do câmbio automático e o motor a gasolina, ofuscam as qualidades do JAC J5, que tem uma etiqueta de R$ 70 mil. Pelo mesmo valor, alguns rivais como o Honda City oferecem nível de equipamento e espaço interno semelhantes, transmissão automática ou CVT, além de um menor consumo de combustível.
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, comando duplo, a gasolina
Cilindrada: 1.499 cm³
Potência: 125 cv A 6.000 rpm
Torque: 15,5 kgfm a 4.000 rpm
Transmissão/tração: Manual de cinco velocidades, tração dianteira
Direção: Hidráulica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e independente dual link na traseira
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás
Pneus: 205/55 R16
Dimensões: Comprimento 4,590 m; Largura 1,765 m; Altura 1,465 m; Entre-eixos 2,710 m
Capacidades: Tanque 50 l Porta-malas: 428 (AE)
Peso: 1.315 kg
Fotos: JAC J5 reestilizado
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