Avaliação: Audi A3 Sedan 1.4 Ambiente
Mesmo sem o câmbio de dupla embreagem e a suspensão independente na traseira, sedã nacional com motor flex continua sendo uma boa alternativa
Por Leandro Alvares
Completa com etanol. O frentista olha para a carroceria e vê um Audi. Incrédulo, ele tenta ser prestativo e indaga: “Moço, tem certeza que vai colocar álcool no carro?”. Digo a ele que o A3 Sedan agora é produzido no Brasil e, na versão de entrada, passou a ser equipado com motor 1.4 turbo flex. Ainda sem botar muita fé na minha explicação, ele vai até o bocal do tanque e, só depois de ler a informação "gasolina ou etanol" na parte interna da tampa, esboça um sorriso de espanto: “Eita, é flex mesmo!”.
Além de poder beber o derivado da cana-de-açúcar, o sedã produzido em São José dos Pinhais (PR), que começa a ser vendido em outubro com preços que devem variar de R$ 99.990 a R$ 150 mil, está mais potente que o A3 Sedan montado na Hungria. O propulsor saltou de 122 cv para 150 cv e teve também um ganho de torque; de 20,4 para 25,5 kgfm a partir das 1.500 rpm.
Nacional e mais forte, muito bem! Uma pena sua tabela não ter diminuído. Afinal, o carro está sendo feito em nosso território, certo? O triste é descobrir que o fabricante tirou recursos que eram atrativos no veículo, como o câmbio de dupla embreagem de sete marchas e a suspensão traseira do tipo multilink. Em seus lugares, entraram a transmissão Tiptronic de seis velocidades e o eixo de torção. Segundo a Audi, a mudança serviu mais para resolver a frequente reclamação dos clientes sobre o barulho feito pela caixa automatizada em pisos irregulares. O mesmo argumento foi utilizado para a suspensão. Uma bela desculpa.
Desempenho em testes, consumo e suspensão
Apesar de ser bastante suave no funcionamento, o câmbio automático de seis marchas não é tão rápido quanto o automatizado. Ainda assim, ele está bem casado com o propulsor bicombustível e contribui para o A3 Sedan brasileiro ter um desempenho muito esperto. Nos testes, o modelo acelerou de 0 a 100 km/h em 8,6 segundos. Comparado ao Audi importado, a melhoria foi de 0,9 segundo.
As retomadas de velocidade também estão melhores. A diferença mais expressiva está no ensaio de 80 a 120 km/h, com vantagem de um segundo para o sedã nacional: 5,5 s ante 6,5 s. Nas frenagens, os resultados são praticamente os mesmos. De 80 km/h até a imobilidade, por exemplo, o A3 Sedan feito no nosso país se desloca por 26,9 metros – o húngaro, por 26,6 m.
Quanto à suspensão, a Audi caprichou tanto no acerto do conjunto que mal dá para sentir a diferença no nível de conforto, que é elevado sem prejudicar a estabilidade da carroceria em curvas – ainda bem que, ao menos, os controles de tração e estabilidade foram preservados. Essa constatação é muito boa, mas o comprador deve ter em mente que está levando uma tecnologia menos avançada.
Em termos de consumo, as médias alcançadas com o carro brasileiro abastecido com etanol são bastante animadoras. Na estrada, rodando a 120 km/h – condição em que o conta-giros estacionou nos dois mil giros –, o A3 Sedan fez 12,2 km/l. Na cidade, o índice foi de 8,2 km/l. Já num dia sem seguir os padrões de medição de Auto News Brasil, com trânsito bastante carregado de São Paulo e acelerando forte em alguns momentos, o computador de bordo registrou 4,8 km/l.
Versões e equipamentos
Na tentativa de compensar as trocas feitas no conjunto mecânico, a Audi passa a oferecer novos equipamentos de segurança para o A3 Sedan. Todos, porém, são opcionais: Park Assist para vagas horizontais e verticais, controlador de velocidade adaptativo (capaz de acelerar ou frear o carro sozinho em relação ao veículo da frente), sensores de estacionamento dianteiros, câmera de ré e o atrativo Lane Assist, que faz a leitura das faixas do asfalto e ajuda o motorista a deixar o veículo sempre na linha. Dá até para soltar o volante por alguns segundos, mesmo em curvas. O dispositivo controla o modelo automaticamente. Por questões de segurança, o sistema emite um alerta sonoro e de texto no painel antes de se desligar, para que o condutor volte a assumir a direção.
Na versão de entrada, batizada de Attraction e que belisca os R$ 100 mil, o Audi traz de série faróis bixenônio com ajuste automático de altura e limpadores, lanternas de leds, sensor de ré, sistema start-stop (desliga o motor em paradas de semáforo, por exemplo, e o religa assim que o motorista tira o pé do freio), som, freio de estacionamento elétrico, saída de ventilação independente para o banco traseiro e rodas de liga leve de 16 polegadas.
A configuração Ambiente, que testamos, adiciona sensores de luz e chuva, volante multifuncional, aletas para trocas de marcha no volante e rodas de 17”. Bancos de couro, GPS, teto solar panorâmico, computador de bordo com tela colorida, botão de partida do motor e chave presencial são vendidos como opcionais. Ar-condicionado digital e seletor de modo de pilotagem são recursos indisponíveis para as versões com motor 1.4.
Acabamento
Felizmente, o caprichado nível de acabamento foi mantido no A3 Sedan nacional. As partes emborrachadas predominam no painel de desenho limpo e bonito, que também traz detalhes de aço escovado. Para o motorista, a ergonomia é favorecida pelo volante de ótima pegada e com ajustes de altura e profundidade da coluna de direção. Uma pena os bancos não disporem de regulagens elétricas. Esse mimo só está disponível para a configuração topo de linha, Ambition, equipada com motor 2.0 a gasolina de 220 cv. Esta permanece sendo importada da Europa e preserva as tecnologias abandonadas pelo Audi brasileiro.
Bonito, muito gostoso de dirigir, detentor de um bom porta-malas (365 litros aferidos) e de uma cabine com espaço satisfatório para quatro adultos com até 1,80 m de altura... São virtudes do novo modelo nacional. Mas por que nós sempre temos que nos contentar com menos?
Números de teste
Aceleração 0 - 100 km/h: 8,6 s
Aceleração 0 - 400 m: 16,1 s
Aceleração de 0 - 1.000 m: 29,4 s
Velocidade a 1.000 m: 180,4 km/h
Velocidade real a 100 km/h: 97 km/h
Retomada de 40-80 km/h (Drive): 3,5 s
Retomada 60-100 km/h (D): 4,8 s
Retomada 80-120 km/h (D): 5,5 s
Frenagem de 100 - 0 km/h: 41,5 m
Frenagem 80 - 0 km/h: 26,9 m
Frenagem 60 - 0 km/h: 14,8 m
Consumo
Urbano: 8,2 km/l
Rodoviário: 12,2 km/l
Médio: 10,2 km/l
Autonomia em estrada: 610 km
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 16V, comando duplo, turbo, flex, injeção direta de combustível
Cilindrada: 1.395 cm³
Potência: 150 cv a 4.500 rpm
Torque: 25,5 kgfm a 1.500 rpm
Câmbio: Automático de 6 marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseiraPNEUS
Pneus: 225/45 R17
Dimensões: Comprimento 4,45 m; Largura 1,79 m; Altura 1,41 m; Entre-eixos: 2,63 m
Tanque: 50 litros
Porta-malas: 425 litros (fabricante), 365 litros (aferido Auto News Brasil)
Peso: 1.240 kg
Fotos: Audi A3 Sedan 1.4 Flex Ambiente
Audi A3 Sedan
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Interior do Audi A3 Sedan
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Painel do Audi A3 Sedan
Alavanca inferior ajusta controle de cruzeiro adaptativo do A3 Sedan
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Painel do Audi A3 Sedan
Central multimídia do Audi A3 Sedan
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Câmbio automático de seis marchas substituiu o DSG
Entrada HDMI do Audi A3 Sedan
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