Avaliação: novo Audi A4 2.0
Nova geração do sedã chega ao Brasil em 2016 com motor de 190 cv. Com preço inicial estimado em R$ 140 mil, modelo impressiona no conforto, tecnologia e segurança
Por Leandro Alvares; de Veneza ( Itália)
A vida do Audi A4 não estava nada fácil nos últimos anos. Além dos principais concorrentes (BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C) serem mais atualizados, o sedã médio ainda sofria uma forte concorrência caseira com o bem-sucedido A3 Sedan. A prova de que o modelo ficou de escanteio está no balanço de vendas de 2015 no Brasil. De janeiro a setembro, ele teve apenas 737 emplacamentos, contra 3.571 do 320i, 2.298 do C180 e expressivas 4.099 unidades de seu irmão - os dados são da Fenabrave, associação dos concessionários. Mas para a sorte do carro mais vendido da história da fabricante alemã, com cerca de 12 milhões licenciamentos desde 1972, a nona geração finalmente foi lançada.
Elegante e muito bem respaldada de tecnologia - sua moderna plataforma MLB, por exemplo, é a mesma utilizada pelo Audi Q7 -, ela foi uma das novidades presentes no Salão de Frankfurt (Alemanha), mas escolheu a região de Veneza, na Itália, para mostrar do que é capaz em termos de conforto e desempenho. Rodamos mais de 150 km por estradas de alta velocidade e vias bastante sinuosas com a configuração que começará a ser vendida no primeiro trimestre de 2016 no Brasil. A constatação? Não há por que ter saudade do antigo A
Os preços ainda não foram definidos, mas não devem fugir muito da tabela atual praticada no nosso país, que varia de R$ 138.190 e R$ 156.190. Inicialmente, o A4 será oferecido apenas com o novo motor 2.0 Ultra turbo com injeção direta de gasolina, capaz de entregar 190 cv, combinado com o câmbio S tronic de sete marchas e dupla embreagem. A tração é dianteira.
A nova transmissão automatizada é muito mais eficaz que a antiga CVT. Suas trocas são rápidas, suaves e aproveitam com competência o poderio do propulsor. Este, em comparação com o antecessor, tem 20 cv extras, mas o torque máximo foi mantido: 32,6 kgfm a partir das 1.450 rotações. Na prática, porém, o motor renovado é mais veloz e econômico. De acordo com a Audi, permite ao A4 acelerar de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos, 1 segundo a menos que o “velho” A4. A melhor agilidade tem como aliada a redução de peso da carroceria. O modelo registra agora 1.405 quilos na balança. São 65 kg de emagrecimento, o que ajuda a explicar seu consumo rodoviário de 20,8 km/l, conforme a Audi. A evolução aerodinâmica também tem sua participação na melhoria de desempenho. O Cx, coeficiente de arrasto, passou de 0,27 para 0,23, um número de respeito.
Na fita métrica, o novo A4 cresceu apenas dois centímetros – está com 4,72 metros. Mas ele parece ter um porte mais robusto que o do predecessor, sem falar no design envolvente, com destaque para o capô elevado, a grade frontal imponente e os faróis e lanternas ao estilo olhos cerrados. O conjunto óptico dianteiro estreia a nova assinatura de leds do sedã médio, composta por dois traços paralelos em formato de seta. Assim como os modelos mais refinados da marca, como A8, o A4 passa a ter faróis 100% de leds e com xenônio. As setas com acendimento progressivo, também estão no pacote e reforçam o charme do carro.
O espaço interno melhorou absurdamente. No início da avaliação, tivemos que colocar duas malas volumosas no porta-malas de 480 litros. Mesmo com elas alojadas, ainda sobrou bastante área livre no compartimento. Na cabine, a distância entreeixos aumentou de 2,80 para 2,82 metros. Bem aproveitada, permitiu um ganho de 2,3 centímetros para a área livre das pernas dos passageiros do banco de trás e 2,4 cm para a cabeça dos ocupantes dos assentos dianteiros. Só mesmo quem viaja no meio do espaço traseiro que ainda continua incomodado com o duto central elevado.
Ao volante, o novo A4 instiga o motorista a gastar mais e investir nele, em vez de colocar o dinheiro em um A3 Sedan. Além do porte superior, o sedã recém-lançado veste melhor o condutor graças aos assentos confortáveis e ao volante de ótima empunhadura – a direção elétrica oferece respostas diretas. Muito caprichado, o acabamento utiliza pouco plástico. Partes emborrachadas, aço escovado e até Alcantara – na lateral das portas – são os materiais predominantes.
O requinte tecnológico do A4 é outro diferencial frente ao irmão menor. Entre as qualidades, está o head up display, que projeta diversos dados direto no para-brisas, e o quadro de instrumentos totalmente digital de 12,3 polegadas. Trata-se do mesmo conceito de cockpit virtual adotado nas novas gerações do Audi R8, Q7 e TT. Na tela, é possível definir vários tipos de visualização, como deixar o mapa do GPS em maior proporção que o velocímetro.
No console, há um monitor de 7 polegadas para não deixar o passageiro órfão dos itens de entretenimento do carro, algo que acontece no cupê TT. Apesar de não ser sensível ao toque, a telinha é fácil de operar e exibe as informações de rádio, sistema de navegação (com imagens 3D do Google Street View), câmeras e linhas guias de estacionamento, etc. Dá até para espelhar o celular, utilizando uma das duas tomadas USB encontradas abaixo do descansa braço central. É nesse compartimento, aliás, que se encontra o carregador de celular por indução. Basta colocar o aparelho sobre a área e pronto. Uma mensagem na tela multimídia indica o carregamento. Segundo a Audi, apenas os Iphones exigem a compra de um adaptador para funcionamento do aparato.
Tal como no A3 Sedan nacional, o A4 passa a oferecer controlador adaptativo de velocidade de cruzeiro (se preciso, freia ou acelera o carro sozinho para manter a distância em relação ao carro da frente ou para contornar uma rotatória) e Lane Assist. Este último faz a leitura das faixas da via e ajuda o motorista a deixar o veículo sempre na linha. Dá até para soltar o volante por alguns segundos, mesmo em curvas. O dispositivo controla o modelo automaticamente. Por questões de segurança, o sistema emite um alerta sonoro e de texto no painel antes de se desligar, para que o condutor volte a assumir a direção.
Para a sorte dos italianos, as ruas das regiões próximas a Veneza não têm um mísero buraco sequer. Sendo assim, foi impossível compreender o comportamento das suspensões independentes de cinco links do novo A4 em pisos irregulares. O que pudemos aferir foi a alta competência do conjunto para transmitir conforto e estabilidade em curvas, mesmo abusando um pouco da velocidade em estradinhas apertadas, repletas de “cotovelos”, e em quaisquer dos modos de pilotagem oferecidos e selecionados pelo prático seletor no console.
O silêncio a bordo, graças à ênfase dada pela Audi no trabalho acústico do modelo – que o deixa no mesmo nível do A8, segundo a marca -, impera até em altas velocidades. A 120 km/h, o conta-giros estaciona nas 1.800 rotações.
Sem dúvida, o Audi 80, que deu início à história do A4, deve estar feliz com seu novo representante, que tem tudo para ser o melhor da linha – e bastante desejado pelos consumidores.
Fotos: Conheça todos os ângulos do novo Audi A4
Nova geração do Audi A4
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Ficha Técnica
Motor: Dianteiro, longitudinal, 4 cil. em linha, 16V, comando duplo, turbo, injeção direta de gasolina
Cilindrada: 1.984 cm³
Potência: 190 cv a 4.200 rpm
Torque: 32,6 kgfm entre 1.450 e 4.200 rpm
Câmbio: Automatizado de 7 marchas e dupla embreagem, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente 5-link
Freios: Discos ventilados
Pneus: 225/50 R17
Comprimento: 4,72 m
Largura: 1,84 m
Altura: 1,42 m
Entre-eixos: 2,82 m
Tanque: 54 litros
Porta-malas: 480 litros (fabricante)
Peso: 1.405 kg









