Comparativo: Novo Ford Focus X Volkswagen Golf
Focus 2016 ganha novo visual e tecnologias para manter liderança sobre Golf, que apela para esportividade para conquistar
Por Guilherme Blanco Muniz
Disputa de hatches médios costuma ser passional. Não é para menos, pois é a primeira categoria que pretende fisgar pelo apelo esportivo de verdade, aliado à boa dirigibilidade e muitos equipamentos de série. Para ficar ainda mais peso-pesado nessa luta, o Ford Focus chega às lojas reestilizado em agosto com o objetivo de manter a liderança sobre Volkswagen Golf. Colocamos os dois mais vendidos do segmento frente a frente para indicar a melhor opção de compra, mas já avisamos: aqui, a decisão é racional.
O Focus começa este comparativo com a bola cheia: a linha reestilizada entrega mais do que só um tapinha no visual porque tem a missão de manter o título de médio mais vendido do país. E esse não é qualquer desafio. Além de ter que encarar o queridinho Golf – tarefa difícil por si só –, sofre a pressão por saber que o rival vai ser nacionalizado este ano. Por R$ 95.900, a versão topo de linha Titanium Plus vai encarar o Golf Highline, sugerido a partir de R$ 89.900.
Desempenho
Em desempenho, não tem outra: o Golf leva a melhor. Equipado com motor 1.4 turbo a gasolina de 140 cv e afiadíssimo câmbio de dupla embreagem e sete marchas, ele precisa de 8,4 segundos para chegar a 100 km/h, ante 9,4 segundos do Focus, que, apesar dos 178 cv extraídos do já conhecido 2.0 flex, não tem um câmbio tão certeiro quanto o Volkswagen e nem os 25,5 kgfm de torque entregues a partir de 1.500 rpm. Apesar do bom casamento entre o motor e a caixa de dupla embreagem e seis marchas Powershift, seus 22,5 kgfm surgem mais tarde, a partir dos 4.500 giros. Isso quer dizer que o Golf arranca e retoma melhor, mas em altas velocidades o Focus tem mais fôlego, devido aos 38 cv extras.
O problema é se o motorista precisar de uma frenagem mais brusca, já que nesse teste o Ford deixou a desejar e foi o pior. A 100 km/h, precisou de 7,1 metros a mais do que o Golf para parar. E é por isso que ele levou a melhor nesse quesito.
Resumidamente, dá para dizer que o Golf aposta na esportividade enquanto o Focus tenta equilibrar bem o conforto. A entrega de torque em uma faixa mais alta do que os rivais é compensada pelo bom câmbio PowerShift. No modo “D”, o hatch não perde o fôlego mesmo em subidas. Com o uso das novas aletas, o conjunto é suave nas trocas e responde com rapidez aos comandos.
Mas se você precisar pegar a estrada, abaixe uma posição na manopla do câmbio e deixe o Focus mais esperto. O modo esportivo “S” muda o comportamento do motor, que fica mais agressivo e divertido. O propulsor passa a trabalhar em giros altos, fazendo com que o ronco invada mais a cabine. Ficou ligeiramente mais econômico, mas ainda não conta com o sistema que desliga o motor em paradas para poupar combustível, que equipa o Golf. Com etanol, o Ford rodou 7,4 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada, enquanto o rival alimentado com gasolina aferiu médias de 10,1 km/l e 14,3 km/l, respectivamente.
Quem quer um carro com desempenho mais arisco vai se divertir no Golf. Ele está sempre pronto para ser atiçado e responde com fôlego, independentemente da faixa de giro. As trocas são as mais rápidas e suaves dos três e também podem ser feitas por aletas.
A experiência a bordo reforça a intenção do Volks de ser mais apimentado. De boa empunhadura, seu volante tem diâmetro menor, revestimento de couro e base reta. A posição de dirigir é boa, mas tende a ser mais baixa. As suspensões deixam o hatch firme em curvas e transmitem as irregularidades do asfalto, porém sem torná-lo desconfortável.
Espaço e acabamento
Tanto Golf quanto Focus tem um bom nível de acabamento. O interior do Ford é visualmente mais interessante, por conta do layout e do design do painel de instrumentos, mas ele abusa demais do plástico texturizado. Já o Golf tem uma montagem impecável, mas peca pela sobriedade que faz parte do DNA da marca. Mas é quando a gente coloca o espaço interno na equação, que a balança pende mais para o lado do Focus. Apesar de seu entre-eixos ter apenas 1 centímetro a mais que o do concorrente, ele leva com mais conforto os ocupantes traseiros, devido ao túnel central mais baixo. Seu porta-malas também é maior: acomoda 347 litros, contra os 276 litros do Golf, segundo nossos testes.
Equipamentos
É na comparação de itens de série que o Focus vira a briga difinitivamente contra o Golf. Mesmo mais caro, ele oferece como diferenciais teto solar, tela multimídia de 8 polegadas com GPS e tecnologia que chama ambulância em caso de acidente, além do sistema de estacionamento automático e frenagem autônoma. Por R$ 89.900, os diferenciais do Golf Highline são airbag de joelho e bancos esportivos. Quem quiser o mesmo nível de tecnologia do Focus deve gastar R$ 5.300 pelo teto solar e mais de R$ 20 mil por um kit com controle adaptativo de distância.
Custo de manutenção
Aqui há um empate. O Golf pode tem a menor desvalorização (10,3%) e o plano de revisões até 30 mil quilômetros é mais barato: sai por R$ 765 (sem a mão de obra inclusa), enquanto a desvalorização do Focus girar em torno de 12% e as revisões custam, em média, R$ 1.832. No entanto, o Volkswagen tem o seguro, em média, 35% mais elevado que o do Focus e cobra R$ 8.468 pela cesta de peças, enquanto a soma dos mesmos itens do Ford dá R$ 4.954. Ambos são vendidos com 3 anos de garantia.
Vencedor: Ford Focus
Do ponto de vista de razão, o Focus leva a melhor nessa disputa. Enquanto produto, é o mais equilibrado entre desempenho, itens de conforto e custos de manutenção, apesar de não ser tão divertido de dirigir quanto o Golf, que pelo mesmo nível de equipamentos acaba cobrando mais. Mas, calma, gente! O Volkswagen nacional e com o novo motor 1.4 turbo flex está chegando até o final do ano e promete uma revanche daquelas para cima do novo Focus, ainda que deva dispensar o câmbio DSG em favor de um automático convencional.
Fotos: Ford Focus 2016
Ford Focus 2016
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