Avaliação: Volkswagen Fox Pepper 1.6
Visual esportivo caiu bem ao hatch, mas o preço R$ 53.910 ainda é alto pelo que o modelo oferece
Por Tereza Consiglio
Apresentado como conceito no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro do ano passado, o Volkswagen Fox Pepper virou versão de produção e chegou às lojas em março. Baseado na configuração topo de linha Highline, o hatch passou por um banho de loja. Ganhou roupa mais esportiva que o usual, alguns mimos no interior e acabamento diferenciado, mas está longe de ter um desempenho apimentado como sugere o nome. Avaliamos o hatch com câmbio manual de seis marchas, sugerido a partir de R$ 53.910 ( sim, a versão já sofreu reajuste de preço). Confira como o Pepper se saiu.
Fotos: Volkswagen Fox Pepper 1.6
Volkswagen Fox Pepper
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Impressões ao volante
Famoso pela posição elevada ao volante e, justamente por ter teto e bancos altos, por acomodar decentemente quatro adultos, o Fox está longe de oferecer um comportamento esportivo ou apimentado ao volante. Ainda que possua um dos conjuntos mecânicos mais acertados do segmento, o forte do carro não é o desempenho.
O motor 1.6 16V, até então oferecido exclusivamente na versão Highline, também está debaixo do capô do Pepper. Com comando variável de válvulas, além de cabeçotes e bloco de alumínio, o quatro cilindros rende 110/120 cv e 15,8/16,8 kgfm de torque, força bem gerenciada pelo câmbio manual de seis marchas. Bem escalonada e com engates precisos, a caixa garante agilidade nas acelerações e especialmente nas retomadas de velocidade. Graças a essa dupla, o carro oferece pique mesmo em baixas rotações, nada daquela apatia dos antigos 16V, o que evita as constantes reduções de marcha. A direção elétrica, por sua vez, tem respostas diretas e boa empunhadura.
Mas esqueça marcas de velocistas em testes. Em nossa pista, o carro precisou de 10,3 segundos s para ir aos 100 km/h. Ao menos, a elasticidade do motor o beneficia junto com o câmbio de relações mais curtinhas, foram 6,7 segundos para retomar de 40 km/h a 80 km/h. A frenagem de 80 a 0 km/h fica em 27,1 m. Números considerados honestos para um hatch compacto, mas que estão longe de se equipararem ao de um carro com apelo esportivo.
Ainda assim, a fantasia composta por saias laterais, faróis escurecidos, novos parachoques e grade em forma de colmeia com friso vermelho e à la Golf GTI caíram bem ao Fox, que ficou com um visual mais encorpado. O interior, por sua vez, também ganhou elementos que remetem a ideia esportividade. É o caso das pequenas molduras rubras nas saídas do ar-condicionado e na base do câmbio, cor que também está presente no revestimento das portas e também dos bancos, que passaram a contar com abas laterais proeminentes e três cores.
Custo-benefício
Se de um lado falta pimenta no desempenho do Pepper, por outro, a Volkswagen salgou demais o preço do modelo. Apesar da ótima qualidade do acabamento e do bom nível de equipamentos a bordo, o Fox Pepper, assim como o Highline, não entrega tanto conteúdo quanto alguns concorrentes na mesma faixa de preço.
Por R$ 53.910, o Fox oferece ar-condicionado, direção elétrica, sistema de som com conectividade Bluetooth, volante multifuncional, retrovisores elétricos com pisca integrado, bancos de couro e rodas de liga leve de 15 polegadas, sem falar nos controles de tração e de estabilidade. Boa parte dos itens é replicada por rivais como o New Fiesta 1.6 SE de R$ 52.790 que, além disso, tem ar-condicionado digital.
Vale a compra?
Não. Racionalmente, para levar o Fox com motor 1.6 de 120 cv associado ao câmbio manual de seis marchas e um conteúdo parecido com o do Pepper, o melhor é optar pelo Fox Highline, de R$ 52.580 e instalar controles eletrônicos de tração e de estabilidade e hillholder, por R$ 1.209. Um pouco mais em conta, a versão dispensa a roupa esportiva, mas mantém todas as qualidades do hatch avaliado.
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, comando duplo, flex
Cilindrada: 1.598 cm³
Potência: 110/120 cv a 5.750 rpm
Torque: 15,8/16,8 kgfm de torque a 4.000 rpm
Transmissão/tração: Manual de seis marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás
Pneus: 195/50 R16
Dimensões: Comprimento 3,868 m; Largura 1,660 m; Altura 1,552 m; Entre-eixos 2,467 m
Capacidades: Tanque 50 l
Peso: 1.105 kg
Porta-malas: 292 litros (aferido por Auto News Brasil)
Números de teste
Aceleração 0-100 km/h: 10,3 s
Aceleração 0-400 m: 17,2 s
Aceleração 0-1.000 m: 31,9 s
Retomada 40-80 km/h (3ª marcha): 6,7 s
Retomada 60-100 km/h (4ª marcha): 10,1 s
Retomada 80-120 km/h (5ª marcha): 16,2 s
Frenagem 100 km/h: 42,1 m
Frenagem 80 km/h: 27,1 m
Frenagem 60 km/h: 16,2 m
Consumo (gasolina)
Urbano: 12,5 km/l
Rodoviário: 16,9 km/l









