Avaliação: Nissan Frontier NP 300 2016
Nova geração da picape é lançada no México com porte mais robusto e foco nos mercados emergentes
Por Sérgio Oliveira de Melo; de Cancún (México)
O designer norte-americano Hiren Patel, líder do projeto da nova Frontier, foi claro: “Todos querem que seus veículos se vejam atléticos. Mas como fazemos isso com uma picape? Qual atleta pode representar a sensação de força e confiabilidade que a gente espera? A resposta que encontramos foi um halterofilista. Foi na sua figura que nos inspiramos”. Talvez seja exagerado, pelo menos para quem não tem formação de designer, encontrar essa semelhança. Mas que a nova Frontier ficou bem legal e tem cara de forte, isso ficou.
Para dirigi-la fui até Cancun, cenário que pode parecer não muito adequado para uma picape, mas que tem muito mais surpresas para mostrar nos seus manguezais do que se pode esperar. E lá vimos que todo esse papo de fortaleza, novidade, modernidade e aerodinâmica não é só coisa de gente de marketing. Ainda bem.
Para começar bem, a Nissan colocou um chassis novo, mais robusto e resistente à torção. Isso permitiu que a carroceria fosse mais longa, ganhando espaço para para carga e para as pernas na segunda fila – só existe cabine dupla por enquanto. A caçamba é mais profunda do que antes e agora tem uma tomada de 12 volts do lado esquerdo. Na versão mais cara já vem com pintura protetora que serve como “bedliner”, para proteger contra a corrosão e golpes menores.
Por dentro, a Nissan se preocupou em tirar a imagem de austeridade absoluta do modelo anterior. Conseguiu. Os materiais sãos bons, até melhores que o de algumas SUV do mercado. O plástico que cobre o painel, por exemplo, é fosco e de boa aparência. Mesmo sem ser acolchoado, transmite sensação de qualidade. Dependendo do modelo, pode ter tela em cores de cinco polegadas, que se controla por botões. O sistema de som tem muito boa qualidade, tornando desnecessária a tradicional corrida imediata à loja de acessórios mais próxima. Tem ar-condicionado; vidros, espelhos e travas elétricas; airbags frontais e freios com ABS, EBD e BA. Os bancos são confortáveis, forrados com tecido suave e costuras aparentes, em um toque de esportividade.
Atrás, o espaço é melhor do que na antecessora, sim, mas nada de outro mundo. Sente alguém de mais de 1,80 metro na frente e outro da mesma estatura atrás e ambos terão de ficar com as costas retas para não bater com os joelhos no painel ou no encosto dianteiro.
Poder e conforto
O motor a gasolina é novo na Frontier mexicana, mas usado também em outros veículos da Nissan, como o furgão Urvan. Com 2,5 litros e 160 cv, ele dá um bom nível de desenvoltura a picape, mas como o torque máximo só se encontra nas 4.000 rpm, é preciso pressionar mais o acelerador para obter um desempenho razoável. Claro, mesmo tendo um olho em alguns clientes que usam a Frontier como veículo pessoal, a maior prte dos que compram uma só estão interessados na combinação entre capacidade de carga e economia de combustível. E nessa hora que o halterofilista aparece. A Frontier pode carregar até 1.118 kg, incluído aí o peso dos ocupantes.
A única transmissão disponível é a manual de seis marchas, que tem a primeira muito curta, o que é normal numa picape. As outras marchas são mais longas, com o objetivo de economizar gasolina. Quem conhece os carros da Nissan desde a época dos Dastun, verá que quando se liga o motor, a alavanca de marchas treme, quase pulando de um lado para outro para avisar que está pronta para trabalhar. Seu funcionamento é suave e relativamente preciso, só entre a quarta e a sexta há certa imprecisão, mas o costume ajuda o motorista a não errar muito.
Uma das melhoras importantes da nova Frontier foi na suspensão. Na frente ela é independente, de dois braços, e atrás o eixo é rígido, mas no lugar de feixes de molas há mais braços de controle, mais confortáveis. O resultado é maior suavidade no dia a dia e mais estabilidade nas curvas, ambos sempre muito bem-vindos.
A nova NP 300 Frontier é feita na Tailândia e no México, de onde será exportada para 30 países, principalmente da América Latina e do Oriente Médio. O Brasil, ao menos por ora, está fora dos planos, de acordo com o presidente da Nissan mexicana, o brasileiro Ayrton Cousseau. O que a afasta do Brasil no momento é o fato de que o mercado brasileiro de picapes ser dominado por motores que usam diesel, e o propulsor que a Nissan tem para a nova Frontier foi projetado para passar a Euro 5, norma que exige diesel mais limpo (mais livre de enxofre), do que o vendido no país. Por ter um diesel adequado, o Chile será primeiro país da América do Sul a receber a nova picape.
Vamos ver o que acontece daqui para a frente, porque seria uma pena que o mercado brasileiro ficasse sem essa nova e boa picape. Talvez rezando para São Cristovão, protetor dos motoristas, ele dê um jeito para que esse halterofilista mexicano esteja no Brasil a tempo para participar das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Até porque, pelo que pude ver e sentir, ele teria muitas possibilidades de conseguir uma medalha, provavelmente de ouro.
Fotos: Nissan Frontier NP 300 2016
Nissan Frontier NP 300 2016
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