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Trocar o pneu do carro é uma situação que pode ocorrer com qualquer motorista, especialmente em viagens longas ou rotinas de uso urbano intenso. Buracos, objetos perfurantes, desgaste irregular e até impactos de baixa velocidade podem provocar furos inesperados. Conhecer o procedimento correto evita riscos, acelera a troca e reduz danos ao veículo.

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Mais do que levantar o carro e retirar parafusos, a troca segura exige preparação, sinalização adequada, posicionamento correto do macaco e atenção ao reaperto final. Negligenciar etapas simples pode colocar o motorista em risco e causar danos mecânicos.

Pensando nisso, Auto News Brasil elaborou um passo a passo detalhado e didático que cobre desde o momento da falha até a verificação final do estepe. Incluímos também orientações específicas para veículos equipados com pneus run-flat, estepes temporários e kits de reparo rápido.

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Veja abaixo o passo a passo para trocar um pneu com segurança:

1. Pare o carro em local seguro e sinalize o trecho

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Assim que perceber a perda de pressão ou vibração anormal, diminua a velocidade e procure um local plano, com boa visibilidade, e de preferência longe de curvas. Ligue o pisca-alerta imediatamente. No acostamento, coloque o triângulo a pelo menos 30 metros do veículo. Sempre utilize colete refletivo, principalmente à noite ou sob chuva. Evite iniciar a troca em trechos perigosos como pontes, túneis e áreas sem acostamento.

2. Avalie o pneu danificado e prepare o estepe

Usar o triângulo é obrigatório ao trocar o pneu — Foto: Reprodução/Prefeitura de Maceió
Usar o triângulo é obrigatório ao trocar o pneu — Foto: Reprodução/Prefeitura de Maceió

Antes de começar, confirme se o pneu realmente precisa ser trocado. Em furos pequenos, ainda é possível rodar alguns metros até um ponto mais seguro. Já cortes na lateral ou perda total de pressão exigem troca imediata. Retire o estepe do porta-malas e cheque a pressão. Estepes murchos são um dos problemas mais comuns durante a troca. Organize as ferramentas: macaco, chave de roda e pino-guia (caso o veículo possua).

3. Afrouxe os parafusos com o carro ainda no chão

Engate a primeira marcha ou selecione a posição Parking no câmbio automático. Acione o freio de estacionamento. Ainda com as rodas no chão, afrouxe os parafusos com movimentos firmes. Isso evita que a roda gire quando estiver suspensa, facilitando a remoção.

4. Posicione corretamente o macaco e eleve o veículo com segurança

Todo carro tem um local específico, demarcado por um relevo, para apoiar o macaco — Foto: Reprodução
Todo carro tem um local específico, demarcado por um relevo, para apoiar o macaco — Foto: Reprodução

O ponto de apoio para o macaco está indicado no manual e também marcado na longarina abaixo das portas. Posicioná-lo no local errado pode danificar a carroceria ou fazer o carro deslizar. Levante o veículo até que a roda fique cerca de dois dedos acima do solo. Mantenha partes do corpo afastadas da região inferior do carro durante toda a operação.

5. Remova a roda danificada e instale o estepe corretamente

Retire os parafusos e a roda danificada. Aproveite para observar o cubo e verificar se há sujeira ou ferrugem excessiva. Posicione o estepe alinhando os furos. Se o veículo possuir pino-guia, utilize-o para garantir encaixe perfeito. Aperte os parafusos manualmente antes de usar a chave, sempre em padrões cruzados para distribuir a pressão uniformemente.

6. Abaixe o carro e faça o aperto final em padrão cruzado

Tome cuidado para não desgastar o parafuso da roda ao dar o último aperto — Foto: André Schaun/Auto News Brasil
Tome cuidado para não desgastar o parafuso da roda ao dar o último aperto — Foto: André Schaun/Auto News Brasil

Abaixe o veículo até que o estepe toque totalmente o chão. Faça o aperto final dos parafusos em cruz. O torque deve ser firme e uniforme. Se você tiver uma chave torquímetro, aplique o torque especificado no manual. Extensões improvisadas na chave podem danificar a rosca ou o cubo e não devem ser usadas.

7. Guarde as ferramentas e verifique a pressão assim que possível

Assim que possível, vá a um posto para conferir a calibragem — Foto: Reprodução
Assim que possível, vá a um posto para conferir a calibragem — Foto: Reprodução

Organize o equipamento no porta-malas e armazene a roda danificada. O estepe deve ser usado apenas para rodagem emergencial. Assim que possível, vá a um posto para conferir a calibragem e, se necessário, ajustar. Se o pneu puder ser reparado, priorize o conserto antes de voltar a rodar longas distâncias.

8. Dirija com cautela e respeite as limitações do estepe

Estepes convencionais permitem velocidades normais, mas os temporários possuem limitação de velocidade entre 80 km/h e 100 km/h, indicada na lateral do pneu e no manual. Eles são mais estreitos e alteram a dinâmica do veículo, reduzindo aderência e aumentando a distância de frenagem. Por isso, devem ser usados apenas até o reparo definitivo. Evite manobras bruscas e mantenha distância maior de outros veículos.

9. Após a viagem, reinstale a roda original e realize alinhamento e balanceamento

Após a viagem, vá até uma oficina para fazer o balanceamento — Foto: Divulgação
Após a viagem, vá até uma oficina para fazer o balanceamento — Foto: Divulgação

Depois de reparar ou trocar o pneu danificado, reinstale a roda definitiva e faça alinhamento e balanceamento. Buracos e impactos que provocam furos podem também causar desalinhamento, vibrações e desgaste irregular. Esse procedimento restaura conforto, estabilidade e preserva a vida útil dos pneus.

Pneus run-flat: quando você não precisa parar imediatamente

Pneus run flat nem sempre precisam ser substituídos e oferecem algumas vantagens — Foto: Divulgação
Pneus run flat nem sempre precisam ser substituídos e oferecem algumas vantagens — Foto: Divulgação

Veículos equipados com pneus run-flat podem rodar mesmo após perda total de pressão. A estrutura reforçada da lateral sustenta o peso do carro temporariamente. Porém, existem limites importantes:

  • Autonomia média entre 50 km e 80 km;
  • Velocidade limitada, geralmente a 80 km/h;
  • Não é recomendável rodar longas distâncias sem calibrar ou substituir o pneu.

O motorista deve dirigir de forma suave e buscar o ponto de apoio mais próximo. Apesar da autonomia, não é indicado ignorar o problema ou rodar por longos trechos, pois o pneu pode sofrer danos irreversíveis e comprometer a roda.

Estepes temporários: diferenças técnicas e limitações de uso

Estepe temporário tem limitações de uso que devem ser respeitadas — Foto: Divulgação
Estepe temporário tem limitações de uso que devem ser respeitadas — Foto: Divulgação

O estepe temporário (mais fino e leve) é projetado apenas para uso emergencial. Seu composto é mais duro, a largura reduzida diminui aderência e o diâmetro pode alterar a rotação relativa das rodas. Essas características afetam estabilidade, eficiência dos sistemas de controle eletrônico e frenagem.

Recomendações:

  • Respeite o limite de velocidade entre 80 km/h e 100 km/h;
  • Evite curvas rápidas, frenagens fortes e estradas esburacadas;
  • Substitua o estipe temporário o quanto antes pelo pneu original.

O uso prolongado pode causar desgaste irregular no diferencial ou interferir no funcionamento do ABS e do controle de estabilidade.

Carros sem estepe: como usar corretamente o kit de reparo rápido

Carros elétricos como o BYD Dolphin Mini não têm estepe, mas oferecem um kit de reparo — Foto: Divulgação
Carros elétricos como o BYD Dolphin Mini não têm estepe, mas oferecem um kit de reparo — Foto: Divulgação

Diversos modelos modernos não têm estepe, especialmente híbridos, elétricos e compactos. Eles utilizam kits de reparo rápido, formados por selante e compressor elétrico. O procedimento é prático, mas só funciona em casos específicos.

O kit é eficaz:

  • Em furos pequenos na banda de rodagem;
  • Quando não há cortes laterais;
  • Apenas em pneus sem danos estruturais.

Como usar:

  1. Injete o selante pelo bico do pneu;
  2. Use o compressor para pressurizar o pneu;
  3. Rode por alguns minutos para espalhar o selante internamente.

É importante relembrar que esses kits não funcionam em rasgos grandes ou cortes na lateral. Além disso, o pneu deve ser reparado adequadamente depois, pois o selante é temporário. Alguns fabricantes recomendam substituir o sensor de pressão dos pneus (TPMS) após uso do selante, já que pode ocorrer contaminação. Se o dano não puder ser selado, a única solução é chamar socorro mecânico ou guincho.

Trocar o pneu com segurança na estrada exige calma, sinalização adequada e domínio técnico do procedimento. Ao entender a função do estepe, as limitações dos pneus run-flat e a correta utilização dos kits de reparo rápido, o motorista age com maior segurança e reduz riscos desnecessários. A manutenção preventiva continua sendo a melhor proteção, principalmente calibragem adequada, inspeção do TWI e verificação periódica das condições do estepe.

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