O pagamento por quilômetro rodado em pedágios será obrigatório?
Após ser aprovado no Congresso Nacional, novo sistema de cobrança proporcional nos pedágios entrará em vigor 180 dias após sua publicação no Diário Oficial da União
Por André Schaun
O Projeto de Lei (PL) 886/21 que autoriza a implantação do sistema eletrônico no qual o pagamento do pedágio passa a ser por quilômetro rodado, e não por tarifa fixa, está bem próximo de ser aprovado e só aguarda à sanção do presidente Jair Bolsonaro. Mas, este modelo será obrigatório em todas as rodovias com pedágios?
O sistema que elimina as cabines de pedágio também é conhecido como free-flow e já existe em muitos países, principalmente na Europa.
Como será realizada a cobrança proporcional?
"A identificação dos carros serão feitas por sensores e câmeras e os veículos terão tags ou tecnologias de identificação para ter esse controle de quanto ele percorreu na rodovia. Será algo parecido como as cobranças automáticas de hoje. O veículo vai passar por uma velocidade delimitada nessas novas praças, como por exemplo a 40 km/h, para que haja a identificação da placa", explica José Carlos Cassaniga, diretor-executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
Novas tecnologias podem ser desenvolvidas para outras formas de identificação dos veículos, como a instalação de chips nas placas, mas neste momento a tag será o principal meio de identificação, segundo Cassaniga. Provavelmente a instalação desse sensor será no vidro do para-brisa e o dono do carro será responsável por pagar pela peça.
No final de cada mês chegará uma fatura no endereço residencial que a placa do carro está cadastrada para que o proprietário pague o boleto com o valor proporcional ao que ele andou nas rodovias.
O sistema será obrigatório em todos os pedágios?
"Com a lei aprovada, todas as praças de pedágio terão de se adaptar aos novos meios de cobrança por quilômetro rodado. Primeiramente, só as novas concessões terão que implementar o sistema, enquanto as mudanças para quem tem contrato vigente serão feitas de forma gradual conforme a renovação ou com a troca de empresa naquela rodovia", ressalta Cassaniga.
O sistema de concessão por meio de licitação é uma transferência de um serviço público à iniciativa privada por prazo determinado. No caso das rodovias, a validade vai de 20 a 30 anos. Com contrato fechado, a empresa escolhida por meio de um leilão assume a obrigações de manutenção, investimentos e serviços, em troca da cobrança de tarifas de pedágio.
Portanto, todas as concessionárias, caso o projeto seja aprovado, terão que se adaptar ao pedágio por quilômetro rodado.
"As empresas que têm contratos vigentes terão que passar por uma avaliação, caso a caso, para ver como está o contrato. Mas pode ser possível implementar esse sistema já nesses contratos vigentes", completa o diretor-executivo da ABCR.
O Programa de Privatização das Rodovias começou a crescer em 1995 no território brasileiro com a gestão presidencial de Fernando Henrique Cardoso, portanto, muitos contratos já estão próximos do final.
A expectativa é que o Projeto de Lei seja aprovado com a assinatura presidencial até o final do primeiro semestre e após publicado no Diário Oficial da União, a Lei entrará em vigor em um prazo de 180 dias.
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