Saiba como economizar na oficina e fugir dos serviços desnecessários
Prática de fazer clientes ter gastos extras na hora da revisão ganhou até nome
Por Larissa Albuquerque (com Rodrigo RIbeiro)
Já pensou gastar dinheiro sem necessidade com a manutenção do seu carro? Isso pode acontecer na oficina mecânica mais próxima a você. A prática possui até um nome: empurroterapia, que nada mais é do que coagir o cliente a consumir serviços irregulares e desnecessários. Troca de peças que ainda têm vida útil ou serviços preventivos que não existem são alguns exemplos desses golpes.
A prática não só traz um gasto a mais para o consumidor como também prejudica o meio-ambiente. “Ao trocar peças automotivas antes da hora, aumenta-se a necessidade de produção desses componentes, e consequentemente os descartes dos resíduos produzidos nas fábricas e oficinas”, conta Danilo da Costa Ribeiro, coordenador do centro de tecnologia, treinamento e inovação da DPaschoal, rede de centros automotivos.
Acompanhar os procedimentos de substituição de perto, pedir comprovações dos estados das peças e ir em oficinas de confiança e concessionárias são ações que podem evitar esses golpes. “O cliente tem que estar realmente preocupado com a manutenção do veículo, principalmente com os pontos ligados a segurança e cuidados preventivos”, afirma Ricardo Dilser, diretor de comunicação da Stellantis.
O executivo explica que “não adianta trocar as velas do motor, por exemplo, antes da recomendação do fabricante". Porém, também avisa: " é imprescindível que as velas sejam trocadas no momento correto, caso contrário a conta chegará muito maior em um consumo de combustível, perda de potência ou até no comprometimento de todo o sistema de ignição do motor.”
Mas, como ter certeza que a hora certa de trocar a peça chegou? Dilser afirma que consultar as recomendações do fabricante é a melhor saída. “O manual do proprietário é um grande aliado, junto às próprias concessionárias que têm todo o plano de manutenção esclarecido, com mão de obra especializada e ferramentas específicas”.
A oficina sempre deve informar antecipadamente sobre tudo o que será feito no veículo, e o proprietário pode avaliar a necessidade dos serviços. Além disso, pedir para o mecânico comparar uma peça nova com uma velha pode tirar a dúvida de muitos clientes, já que em alguns componentes é possível perceber visualmente se a vida-útil se esgotou ou não. Conheça alguns serviços desnecessários que podem ser empurrados aos proprietários:
Limpeza preventiva de bicos injetores
“É um serviço sem necessidade”, afirma Da Costa. Os bicos injetores são responsáveis por pulverizar o combustível na câmara de combustão do motor. O especialista explica que atualmente, com a evolução dos veículos, existem filtros que não deixam o combustível chegar no bico e acumular sujeira.
“Tem histórico de veículos que rodaram mais 100 mil km sem sequer uma limpeza de bico”. Da Costa conta que isso é resultado do bom cuidado com o carro. Trocar os filtros e utilizar combustível de qualidade ajudam na saúde destes componentes.
E se houver algum problema com o bico injetor o motorista logo irá perceber, por meio de uma luz-espia no painel e/ou falhas nas acelerações e retomadas.
Cristalização da pintura
“Não é um item essencial para segurança ou conforto do carro, é mais uma questão estética”, conta Da Costa. Ele explica que pode se fazer esse serviço para evitar um desgaste da pintura a longo prazo, mas hoje, com a tecnologia que há no processo de fabricação, todo carro tem um tratamento para resistir a insolação, maresias e intempéries do dia a dia.
Esse serviço só se torna necessário se houver uma motivação por parte do cliente e não do vendedor, como para valorizar o veículo na hora da revenda.
Troca de catalisador
Transformar gases poluentes liberados pelos motores, como CO, NOx e CxHy, em compostos menos nocivos como CO², H²0 E N² é a função do catalisador. Para que o funcionamento da peça continue fazendo essa transformação a substituição não é um dos critérios mais importantes e pode ser mais um daqueles serviços empurrados pelas oficinas mecânicas.
“O catalisador tem garantia de mais ou menos uns 5 anos pelo fabricante. A durabilidade é quase sempre o dobro da garantia. Ou seja, um catalisador chega durar um pouco mais de 10 anos”, afirma da Costa. A troca da peça é rara e somente necessária se houver algum problema de funcionamento provocado por combustível adulterado ou impacto no próprio componente.
Troca de amortecedor
Limitar o curso de atuação das molas e balancear as oscilações do sistema de suspensão são funções dos amortecedores. Sua vida útil não tem um prazo exato, o componente original pode durar um período em condições normais e outro em terrenos muito acidentados. Deve-se consultar a fabricante e analisar a peça para determinar se está gasta ou não.
“Já pegamos casos com amortecedor com 80 mil km com bom desempenho e amortecedores com 25 mil km com problema”, explica da Costa. E se o amortecedor precisar ser trocado o motorista irá notar rapidamente por meio de sinais como perda de estabilidade em curvas, barulho, vazamento de óleo no amortecedor e desgaste acentuado e irregular dos pneus.
Lubrificação das dobradiças portas
“É o mesmo princípio da proteção de pintura, se você não fica atento a esses detalhes do carro você acaba tendo um desgaste mais acentuado. Só que também é um componente do veículo que não compromete a segurança”, afirma da Costa. Ele diz que como não é um serviço obrigatório para segurança é possível se programar para realizá-lo no momento mais adequado para o cliente.
Descarbonização do Motor
“Não há uma regra para realizar a descarbonização do motor, até porque esse serviço depende muito mais da maneira e do cuidado que o motorista tem com o carro do que do período de rodagem”, explica da Costa. Se o proprietário respeita a manutenção do carro, utiliza combustível de boa qualidade e troca o óleo dentro do intervalo indicado pela fabricante, a descarbonização não será necessária.
Este serviço também só precisa ser feito caso o veículo apresente falhas de funcionamento ou consumo excessivo de combustível ou óleo.
Higienização do ar-condicionado com aromatização
O cheirinho bom no carro é muito agradável, mas não quer dizer que o veículo está limpo. Isso porque, a higienização do ar-condicionado deve ser feita utilizando produtos homologados e aplicando o processo correspondente ao produto. "A aplicação de aromatizantes é supérflua", afirma a Stellantis.
Ou seja, se for da vontade do cliente o serviço pode ser aplicado, mas não é necessário, muito menos obrigatório.
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