Pandemia faz com que 4 a cada 10 pessoas queiram comprar um carro (desde que ele custe até R$ 50 mil)
Por conta de crise sanitária, 55% de entrevistados em pesquisa querem trocar o transporte público por um veículo próprio; tendências para a mobilidade foram apresentadas em evento da Anfavea
Por Thiago Tanji
Apesar das notícias animadoras em relação à eficácia das vacinas para a imunização contra a Covid-19, o cenário ainda é de incertezas: países europeus retomaram medidas restritivas após uma alta no número de casos e a média móvel de mortes no Brasil voltou a subir depois de um período sustentado de queda. Diante disso, medidas consideradas emergenciais nos primeiros meses da pandemia indicam que vieram para ficar.
Uma das mudanças mais aparentes nas cidades acontece na mobilidade. A insegurança de utilizar o transporte público na pandemia continuará nos próximos meses, mesmo com a eficácia de uma eventual vacinação em massa. Segundo dados coletados pela 3PWEB, 34% dos entrevistados afirmam que utilizarão ônibus após a pandemia — antes da crise sanitária, esse índice era de 55%.
Com isso, 39% das pessoas que participaram da pesquisa revelaram que pretendem comprar um automóvel nos próximos meses: para mais da metade daqueles que estão interessados em um veículo, o motivo é abandonar o transporte público por receio de contágio.
Dados coletados pelo aplicativo Moovit revelam que, no mês de novembro, houve uma redução de 21,3% nos usuários de transporte público na cidade de São Paulo em relação ao início de 2020. No Rio de Janeiro, a queda foi ainda maior, com um quarto das pessoas deixando de usar os serviços coletivos no mesmo período. O Moovit é um serviço criado em Israel e que disponibiliza dados de mobilidade em tempo real.
Os dados foram apresentados em evento virtual promovido pela Anfavea na última quarta-feira (18), que discutiu a reorganização da mobilidade diante da pandemia.
De olho em um bom negócio
Apesar do interesse para a compra de um carro novo ou usado, a questão financeira é determinante para a compra. Segundo a pesquisa apresentada pelos executivos do Grupo 3PWEB, 62% dos entrevistados afirmaram que planejam comprar um carro que custe até R$ 50 mil.
O problema é que isso restringe significativamente os veículos 0 km que estão à disposição no mercado: carro mais vendido do Brasil em outubro, o Chevrolet Onix em sua versão1.0 manual é vendido a partir de R$ 56 mil.
Por conta disso, 38% das pessoas que participaram da pesquisa consideram comprar um veículo usado.
"Isso confirma nossas projeções: há gente interessada em comprar carro, que estão preocupadas com a segurança. Mas há também as restrições econômicas e cabe à indústria ter a comunicação para atrair esse cliente", afirmou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.
Os números apresentados durante o evento também indicam novas possibilidades para a mobilidade. 60% dos entrevistados ainda não conhecem serviços de aluguel de veículos por assinatura, mas 31% considerariam utilizar o serviço se fosse vantajoso em relação à compra de um automóvel.
"As gerações mais jovens não precisam ter necessariamente o carro, mas sim querem utilizar um veículo: há uma velocidade na mudança de comportamento em direção ao carsharing", explicou Thiago Mariano, head de estratégia para o setor automotivo da 3PWEB.
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