Fiat Argo Trekking 1.8 some das lojas; vendedores dizem que o modelo está saindo de linha
Com a chegada do Pulse, versão com motor maior do hatch parece não fazer mais sentido
Por André Paixão
Com a chegada do Pulse, a Fiat começa a enfrentar um dilema. O SUV compacto tem preços próximos aos da versão aventureira do Argo, Trekking. Vale lembrar que os dois modelos compartilham parte da plataforma, portas, colunas A, B e C, janelas e teto.
Só que o modelo mais novo traz, de série, itens como faróis de LED e airbags laterais, que não são oferecidos no Argo nem como opcionais. Assim, ao menos uma das versões do hatch, a Trekking com motor 1.8 e câmbio automático de seis marchas, está desaparecendo das lojas.
Auto News Brasil procurou dez concessionárias da Fiat, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Salvador. Em oito delas, não havia unidades do Argo Trekking 1.8 em estoque.
Ainda que algumas lojas aceitassem encomendas, o prazo de entrega é estimado em 60 dias. E, ao menos dois vendedores, desencorajaram a compra do modelo de forma explícita. “Não vale a pena. Não veio a linha 2022, e nem sei se vai vir”, disse um deles, que não quis se identificar.
De fato, o site da Fiat mostra a linha 2022 do Argo para todas as versões, exceto as duas com motor 1.8: Trekking e HGT.
Na hora de comparar os preços, parece um mau negócio escolher o hatch. Enquanto o Argo Trekking com motor 1.3 aspirado e câmbio manual custa R$ 78.990, o Pulse Drive com o mesmo conjunto mecânico, só que mais equipamentos, sai por R$ 79.990.
Quando a comparação é entre o Argo Trekking 1.8 automático e o Pulse Drive CVT, a balança pesa ainda mais em favor do lançamento. Isso porque o primeiro custa R$ 93.290, enquanto o segundo sai por R$ 89.990.
Nesse caso, existe uma diferença nos números de potência e torque, favoráveis ao Argo. No entanto, se optar pelo Pulse 1.0 turbo, o preço de compra é só um pouco maior, R$ 98.990.
O que diz a Fiat
No evento de lançamento do Pulse, uma das primeiras perguntas na coletiva de imprensa foi se o Argo Trekking continuaria sendo comercializado. A confirmação foi imediata. “Os motivos de compra são distintos. Design é um aspecto em comum. Mas consumo e preço fazem a diferença nos hatches, e não nos SUVs. Já altura do veículo é o contrário”, disse Hugo Domingues, gerente da marca Fiat.
Curiosamente, os motores 1.3 e 1.0 turbo fazem do Pulse mais econômico que o Argo Trekking 1.8. Equiparando o hatch com o SUV compacto em termos de equipamentos, o primeiro ainda fica mais caro.
Assim, caso o cliente siga os critérios que a Fiat considera decisivos para a compra, o melhor negócio é, de fato, a novidade.
O próprio executivo da Fiat admitiu que o futuro não é promissor para o Argo com motor de maior cilindrada. “O 1.8 no Argo deve representar 5% das vendas. Então o mercado já está dando os sinais”, completou.
Assim, não seria surpresa se a versão Trekking 1.8 saísse discretamente da gama do Argo já nas próximas semanas.
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