À espera de semicondutores, GM estoca cerca de mil carros por dia nos EUA
Montadora tem mais de 10 mil carros na fila de espera por microchips. No Brasil, modelos perdem equipamentos de série para que a linha de produção não seja interrompida
Por Emily Nery
Se por aqui a Chevrolet está com a produção do Onix e Onix Plus suspensa há quase quatro meses, nos Estados Unidos a situação é ainda mais complicada. A General Motors mantém a linha de produção ativa, mas sem equipar seus veículos com os semicondutores.
O resultado? Cerca de mil unidades saem de fábrica, contudo ficam estacionadas à espera de componentes eletrônicos.
Cabe ressaltar que esse crescimento assustador foi registrado em apenas uma fábrica da montadora nos EUA. Estima-se que o complexo de Arlington, no Texas, some mais de 10 mil carros a espera de semicondutores, segundo o Detroit Free Press. Em sua maioria, tratam-se SUVs grandes, tais como Chevrolet Suburban, Tahoe, Cadillac Escalade e GMC Yukon.
Ao longo deste ano, o armazenamento de veículos semifinalizados virou rotina. Em março, a Ford afirmou que tinha cerca de 22 mil veículos à espera do componente. A estratégia foi batizada de build-shy, algo como "compra tímida".
Em maio, o jornal norte-americano chegou a relatar que quase 30 mil picapes da marca aguardavam microchips. No entanto, a GM recebeu uma farta remessa de peças, que foi responsável por diminuir a lista de espera de picapes, mas aumentou a de SUVs.
Para o Detroit Free Press, David Whiston, analista do Morningstar, revelou que a fabricante priorizou equipar as picapes por serem mais lucrativas do que outros modelos: "É o melhor que se pode fazer em uma situação ruim".
Vale lembrar que a GM já havia divulgado que alguns modelos da Chevrolet, GMC e Cadillac perderiam itens de série - como o start-stop - como forma de impedir que a linha de produção fosse interrompida. Como resultado, a fabricante afirmou que a remoção do item acarretaria aumento do consumo de combustível. O abatimento pela falta do equipamento foi de 50 dólares, ou R$ 260 pelo câmbio atual.
No Brasil, automóveis também perderam equipamentos
Uma situação parecida ocorre no Brasil atualmente. O Volkswagen Fox, por exemplo, tornou-se o modelo de entrada da marca após perder a central multimídia Composition Touch. Ou seja, para conseguir comercializar o veículo, a montadora reduziu o total de seus componentes eletrônicos, ao excluir o sistema de infotainment, mas também diminuiu o preço do hatch.
Na Europa, por sua vez, o Peugeot 308 perdeu o quadro de instrumentos totalmente digital. Em seu lugar, a montadora francesa instalou um cluster analógico. Na época, o painel digital era a maior novidade da linha 2020.
Alta procura, baixa oferta
Uma vez que as concessionárias mantêm listas de espera para dar conta dos pedidos, é claro que o preço dos veículos tende a subir. No Brasil, a inflação sobre automóveis e comerciais leves foi de 8,3%, entre junho de 2020 a junho deste ano, segundo a KBB.
Além disso, as montadoras trabalham com o nível de estoque mais baixo das últimas duas décadas - 85 mil veículos, ou seja, o equivalente a somente 15 dias de estoque.
Se não há oferta no mercado dos 0km, a tendência é procurar no setor de usados. Até nos EUA, o preço dos carros usados subiu nada menos que 45% em 12 meses, conforme dados do Departamento do Trabalho norte-americano.
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