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Mercado

Por Tereza Consiglio


Fábrica Fiat Brasil, linha de montagem (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Fábrica Fiat Brasil, linha de montagem (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Depois de vários meses seguidos de alta, a produção de veículos no Brasil recuou 17,6% em março frente ao mesmo período de 2013. De acordo com relatório divulgado na manhã de hoje (4) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), no mês passado saíram das linhas de montagem 271,2 mil unidades ante 329,1 mil unidades produzidas em março de 2013. O número também é menor que o registrado em fevereiro, quando 281,5 mil veículos foram produzidos. Neste caso, a retração foi de 3,6%.

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Se analisarmos o desempenho apenas do segmento de automóveis e comerciais leves, veremos que a curva de queda é bem semelhante a do setor como um todo. A produção despencou 17,7% frente março de 2013. Naquele período, foram fabricados 308.606 carros contra 254.019 unidades produzidas em março último.

Além da prevista desaceleração da economia e das vendas, um dos fatores que impactaram diretamente o cronograma das fábricas foi a queda das exportações. A Argentina, principal destino dos carros brasileiros, impôs novas barreiras derubando a entrada dos produtos brasileiros no país. Só no segmento de automóveis e comerciais leves, houve queda de 47,9% em relação a março de 2013 e 19,4% ante fevereiro.

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ProduçãoJaneiro/2014Fevereiro/2014Março/2014Março/ 2013Veículos237.491281.452271.217329.093Automóveis e comerciais leves221.183262.703254.019308.606

Vendas em baixa

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O movimento foi acompanhado pelo recuo nas vendas do setor como um todo. Os licenciamentos em março recuaram 15,2% na comparação com o mesmo período de 2013.  Foram 240.808 veículos foram licenciados ante 283.912 unidades emplacadas em março do ano anterior. Em relação a fevereiro, o recuo foi menor, mas bastante relevante: 7,1% , uma queda de 43.104 unidades.

LicenciamentosJaneiro/2014Fevereiro/2014Março/2014Março / 2013Veículos213.618259.328240.808283.912Automóveis e comerciais leves300.102246.139229.115268.595

De acordo com o presidente da Anfavea, Luiz Moan, a baixa já era esperada. Segundo ele, alguns fatores influenciaram o desempenho do setor. Além do Carnaval, que diminuiu o número de dias úteis, Moan acredita que este é o primeiro mês que, de fato, é possível sentir a influência da alta dos impostos. "Foi um mês em que consideramos o impacto completo da volta da cobrança do IPI", avaliou. Além disso, Moan lembrou que em março do ano passado, com a expectativa do fim do IPI reduzido, houve uma corrida às lojas, o que ajudou a inflar o número de vendas. “Precisamos lembrar que no ano passado passamos por um momento de expectativa de aumento de IPI em março, que acabou sendo adiado no fim daquele mês", disse o executivo. 

Estoques em alta

Pela primeira vez, Moan assumiu estar preocupado com a situação dos estoques que alcançaram o maior nível desde 2008, com 48 dias. Diante disso, para que os estoque voltem a patamares menores, as montadoras deverão realizar ações promocionais e feirões para estimular as vendas e reduzir os encalhes nos pátios.

Previsões para 2014

Apesar da insistente tendência de queda do setor, a Anfavea por enquanto manterá as estimativas de alta de 1,1% nas vendas e 0,7% na produção de veículos para 2014. Moan acredita que ações como a retomada dos financiamentos via leasing pode dar novo fôlego às vendas. No mês passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) resolveu alguns imbróglios jurídicos que inviabilizava a oferta dessa modalidade pelas insituições financeiras. Com a pendências jurídicas resolvidas, esse tipo de operação deve voltar a ganhar força. "O leasing é um instrumento vital para a retomada das nosas vendas".

Além disso, no caso da produção, o presidente da entidade afirmou que o impasse com a Argentina deve ser logo resolvido e o fluxo de comércio, retomado. "Sei que na última semana foi assinado um memorando entre os dois governo para restaurar o fluxo de comércio e integração produtiva, o que deve beneficiar o setor", disse. Segundo o executivo, por enquanto a entidade não cogita negociar com o governo o retorno do IPI reduzido como maneira de retomar as vendas.

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