Vendas de veículos caem pela primeira vez em 10 anos
Mesmo com alta de 9,9% na produção em 2013, houve queda de 0,9% na comercialização frente 2012
Por Tereza Consiglio
Pela primeira vez em 10 anos, a Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registrou queda nas vendas de veículos novos no Brasil em um ano. Foi um recuo de 0,9% no número de licenciamentos na comparação de 2013 e 2012.
Embora o mês de dezembro tenha mostrado crescimento de 16,8% no número de licenciamentos em relação a novembro (353,8 mil ante 302,9 mil), o mês apresentou queda de 1,5% em relação ao mesmo período de 2012. No total, foram 3,77 milhões de unidades licenciadas em 2013, ante 3,80 milhões em 2012.
Para Luiz Moan, diretor da Anfavea, a queda está relacionada à redução de crédito no mercado em 2013, cenário que será revertido em 2014. "Acredito que o estoque de crédito deve aumentar de 4% a 5% neste ano", afirma.
Produção
A produção de veículos, por outro lado, registrou recorde de crescimento: 9,9% sobre o ano anterior. No total, foram 3,740 milhões de unidades produzidas ao longo de 2013, superando o recorde anterior de 3,410 milhões anotado em 2011. Ainda assim, dezembro mostrou queda no volume, com 235 mil unidades produzidas frente 268 mil em novembro. Em relação a dezembro de 2012, também há queda de 12,1%.
Se considerada apenas a produção de carros e veículos comerciais leves, dezembro marcou a produção de 226.108 unidades, também queda de 16,8% sobre as 256.776 unidades produzidas no mesmo mês em 2012. No ano, a produção de 3.510.003 unidades representou queda de 11,9%.
2014 e volta do IPI
Para 2014, a Anfavea estima um crescimento de 1,1% nas vendas, em um total de 3,810 milhões de unidades. Já a produção deve crescer apenas 0,7%, com 3,76 milhões de unidades. A associação acredita que o desempenho será mais modesto devido ao número bastante inferior de dias úteis no calendário, também motivados pela Copa do Mundo no Brasil.
Insatisfeita com a volta do IPI para carros novos em 2014, a Anfavea afirma que, durante o período em que vigorou a redução do imposto, o governo deixou de arrecadar R$ 5 bilhões, no entanto, com o aquecimento das vendas e geração de impostos PIS/Cofins, IPVA e ICMS, arrecadou R$ 13,1 bilhões à união. (colaborou Alberto Cataldi)









