Exclusivo: 45 mil carros foram vendidos com desconto do governo; VW Polo lidera
Dados levantados pela JATO do Brasil mostram panorama até a última segunda-feira (26)
Por Raphael Panaro
45.298. Este é o número de carros comprados com o desconto do Governo Federal por meio da Medida Provisória 1.175 de incentivo à indústria automobilística publicada há três semanas. O levantamento, feito pela JATO do Brasil com dados até a última segunda-feira (26), passa bem longe da estimativa de injetar de 200 mil a 300 mil veículos no mercado brasileiro com a iniciativa.
Entre os modelos mais vendidos com o desconto, destaque para o Volkswagen Polo, com 5.222 exemplares. Logo atrás vem a Fiat Strada (4.960) e o hatch Chevrolet Onix (3.321). Renault Kwid e Fiat Mobi, os dois carros mais baratos do Brasil e com preços abaixo dos R$ 60 mil, emplacaram "apenas" 2.477 e 2.504 unidades, respectivamente.
Mais vendidos
| Modelo | Quantidade (unidades) |
| Chevrolet Onix | 3.321 |
| Chevrolet Onix Plus | 2.315 |
| Chevrolet Montana | 441 |
| Chevrolet Spin | 320 |
| Chevrolet Tracker | 93 |
| Citroën C3 | 1.177 |
| Citroën C4 Cactus | 1 |
| Fiat Argo | 2.663 |
| Fiat Cronos | 1.929 |
| Fiat Fastback | 1 |
| Fiat Fiorino | 654 |
| Fiat Mobi | 2.504 |
| Fiat Pulse | 1.350 |
| Fiat Strada | 4.960 |
| Honda City | 480 |
| Hyundai HB20 | 3.523 |
| Hyundai HB20S | 709 |
| Jeep Renegade | 922 |
| Nissan Kicks | 739 |
| Peugeot 208 | 1.706 |
| Peugeot 2008 | 74 |
| Peugeot Partner Rapid | 56 |
| Renault Duster | 589 |
| Renault Kwid | 2.477 |
| Renault Logan | 34 |
| Renault Oroch | 111 |
| Renault Stepway | 362 |
| Toyota Yaris hatch | 1.329 |
| Toyota Yaris Sedan | 803 |
| Volkswagen Gol | 68 |
| Volkswagen Polo | 5.222 |
| Volkswagen Saveiro | 1.614 |
| Volkswagen T-Cross | 1.141 |
| Volkswagen Virtus | 1.610 |
| Total | 45.298 |
Apesar da liderança entre os carros, a marca que mais vendeu carros com o benefício foi a Fiat. A marca italiana emplacou pouco mais de 14 mil unidades, seguida da VW (9.655) e da Chevrolet (6.490).
Fabricantes
| Marca | Unidades |
| Chevrolet | 6.490 |
| Citroën | 1.178 |
| Fiat | 14.061 |
| Honda | 480 |
| Hyundai | 4.232 |
| Jeep | 922 |
| Nissan | 739 |
| Peugeot | 1.836 |
| Renault | 3.573 |
| Toyota | 2.132 |
| Volkswagen | 9.655 |
Desde 6 de junho, data do início do programa, nove montadoras já solicitaram R$ 420 milhões de créditos tributários dos R$ 500 milhões disponíveis. Porém, desde sexta-feira (23) que o governo não divulga atualização sobre os dados. Confira:
- Fiat/Jeep - R$ 170 milhões;
- Volkswagen - R$ 60 milhões;
- Renault - R$ 50 milhões;
- Peugeot/Citroën - R$ 40 milhões;
- Hyundai - R$ 40 milhões;
- Chevrolet - R$ 20 milhões;
- Nissan - R$ 20 milhões;
- Honda - R$ 10 milhões;
- Toyota - R$ 10 milhões
O governo disponibilizou R$ 1,5 bilhão em créditos tributários à indústria. Desses, R$ 500 milhões são para automóveis e comerciais leves (com preços de até R$ 120 mil). Assim que esses recursos acabarem, os descontos não serão mais oferecidos.
O programa de incentivo impactou no aumento de visitas às lojas, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O órgão registrou avanço de 260% no movimento na primeira quinzena de junho.
Quem pode participar?
O programa prevê três critérios para participação. O primeiro deles é o preço de venda, que não poderá ser superior a R$ 120 mil. Além disso, são levados em conta:
- eficiência energética
- nível de nacionalização dos veículos
- tipo de combustível utilizado
Por exemplo, um carro flex que tem gasto energético de menos de 1,40 MJ/km, custa menos de R$ 70 mil e tem mais de 75% de suas peças nacionais, soma 95 pontos e é credenciado a receber a maior fatia de desconto, de R$ 8 mil.
A MP prevê pontuação maior para modelos movidos a etanol do que para carros flex, que podem ser abastecidos com qualquer mistura de etanol e gasolina. Porém, não há modelos vendidos no Brasil que utilizam motores do tipo. Veículos movidos somente a gasolina não são citados, mas não existem também nessa faixa de preço.
O consumo de energia é apresentado em megajoule por quilômetro percorrido (MJ/km), calculado pela relação entre a densidade energética do combustível (em MJ/l) e a autonomia do veículo (em km/l). É a mesma fórmula usada pelo Inmetro no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o PBEV.
Quem paga a conta?
Para subsidiar a concessão de créditos tributários as fabricantes o governo decidiu antecipar a reoneração do imposto sobre o diesel. Assim, em vez de aumentar os tributos em R$ 0,35 por litro apenas em 1º de janeiro de 2024, haverá um reajuste de R$ 0,11 por litro em setembro.
Além dos R$ 500 milhões em créditos para automóveis, o programa também disponibiliza R$ 700 milhões para caminhões e R$ 300 milhões para vans e ônibus. Para receber o incentivo, o carro deve atender três critérios:
- preço (quanto menor, maior o desconto);
- eficiência energética (quanto mais sustentável, maior o desconto);
- densidade industrial (quanto maior o volume de peças nacionais, maior o desconto);
- combustível utilizado (carros flex têm mais desconto do que aqueles apenas a gasolina).
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