Teste: nova Yamaha MT-09 tem aceleração brutal e pede cuidado

Com motor tricilíndrico de 115 cv, a ‘naked’ tem respostas incríveis e exige prudência do condutor

Por Roberto Dutra (O 3PWEB)


Yamaha MT-09 dispõe de 115 cv e 8,9 kgfm  (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

Peguei a MT-09 na concessionária da Barra, andei uns três quarteirões e já levei uma multa. Se toda a avaliação desta Yamaha pudesse ser resumida em um parágrafo, este aqui já daria a perfeita noção de como se comporta a moto e o que o piloto deve fazer: a MT-09 acelera de maneira absolutamente impressionante, anda mais que notícia ruim e pede muito cuidado com a velocidade. Muito mesmo!

A Yamaha MT-09 está no grupo das bestas-feras naked de alta cilindrada. A briga maior é com a Honda CB 1000R — que oferece respostas também brutas, mas progressivas. Na MT-09 não há qualquer caretice ou timidez. A Yamaha tem motor menor, menos potente e torcudo (são 115 cv e 8,9 kgfm contra 141 cv e 10,2 kgfm), porém impressiona muito mais.

Design não mudou tanto face a MT-09 anterior (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

Já nos primeiros metros a MT-09 me deixou catatônico. Com aceleração vertiginosa, proporciona um ganho de velocidade estúpido e, enquanto eu pensava “meu Deus, que moto é essa!”, esqueci do pardal. Passado esse momento sublime e caro, voltei à realidade e aos cuidados necessários.

O visual deixou a geração anterior (lançada no Brasil em 2015) com cara de antiguidade. Segue, porém, a linha robótica de “moto do exterminador do futuro” da Kawasaki Z 1.000, por exemplo. Nesse aspecto, a Honda CB 1.000R é mais interessante pela pegada retrô. Mesmo a Suzuki GSX 1.000A tem linhas mais harmoniosas.

Tanque tem recortes esculpidos e comporta 14 litros (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte
Motor tricilíndrico de 847 cm³ tem 12v e comando duplo (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

De toda forma, o estilão futurista tem sua graça e a garotada mais nova vai preferir, com certeza, a MT-09 (ou a Z 1000). Os quatro faróis redondos são pequeninos e ficam abrigados em uma moldura que parece as máscaras usadas pelos Irmãos Metralha. O tanque tem recortes esculpidos que permitem um perfeito encaixe dos joelhos e leva apenas 14 litros. O banco é anatômico e mais macio que o da maioria das Yamaha, mas a seção do garupa é mínima.

Teste: nova Yamaha MT-09 tem aceleração brutal e pede cuidado

Banco anatômico é mais macio que em outras Yamahas (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

O conforto até surpreende: a posição de pilotagem não é muito inclinada à frente — os braços não sofrem muito com o peso do corpo e as pernas não ficam excessivamente dobradas. Mas a MT-09 é, como sua principal concorrente, uma moto para tiros curtos. Não há pontos para amarrar bagagens e a pilotagem será cansativa após um par de horas.

As lanternas traseiras verticais são uma bossa bacana. Sobressai, também, o suporte de placa com seu braço lateral, apoiado no cubo na roda. Já vimos isso em motos italianas, mas em japonesa ainda é raro. O que destoa é o escape, cuja parte inferior fica bem visível, numa cor cobre-ferrugem.

Painel é discreto e traz os instrumentos necessários (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

O painel discreto está léguas atrás do que vimos na CB 1.000R. Mas só peca pelo design, pois traz o necessário: indicadores de marcha e combustível, modo de pilotagem selecionado, conta-giros, hodômetros total e parcial, média de consumo, consumo de combustível instantâneo, contagem regressiva de quilometragem na “reserva”, temperaturas da água, do radiador e do ar de admissão, luzes de checagem do quickshifter e indicadores de modo do controle de tração.

Yamaha MT-09 conta com discos e ABS nos freios (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

Há muita eletrônica: ABS, controle de tração, três modos de pilotagem que alteram as respostas do acelerador (algo como “muito forte”, “forte demais” e “a casa caiu”) e controle de tração (melhor não desligar), tudo de fácil manuseio e seleção.

O sempre bem-vindo quickshifter permite subir as marchas sem uso da embreagem, e o slip-assist evita o travamento da roda traseira nas reduzidas muito fortes. É algo quase imprescindível numa moto tão nervosa.

Teste: nova Yamaha MT-09 tem aceleração brutal e pede cuidado

Os quatro faróis redondos são pequeninos (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

O resultado é uma pilotagem que exige muito cuidado quando a condução é esportiva, mas que curiosamente é bem fácil quando se está no modo civilizado. Ao contrário do que esperávamos, a MT-09 é dócil no trânsito.

Engate uma segunda ou uma terceira e vá controlando no acelerador que a moto segue sem engasgos nem soluços. Não temos aqui o quatro-em-linha ronronante da Honda, mas um tricilíndrico que grita alto à menor triscada no acelerador.

Com guidom enxuto, naked é ágil em corredores (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

É instigante. A vontade é de torcer o cabo e escutar o alien que mora ali dentro berrar como se estivesse ferido de morte, mas isso implica em quase sair voando. Em comparação ao quatro-em-linha, o tricilíndrico tem menos peças móveis e um conjunto interno mais leve, o que resulta em respostas mais rápidas.

Estreita e com guidom enxuto, a MT-09 segue sem incômodos nos corredores por entre os carros. Ao chegarmos em pista aberta, foi possível brincar um pouco mais e ver que, com seu entre-eixos curtinho, também é excepcional nas curvas. As frenagens, contudo, não impressionaram tanto quanto as da rival. Nos pareceu que esta Yamaha exige mais espaço para estancar do que seria desejável quando se vem de alta velocidade. Não assustou nem comprometeu a segurança, mas deixou a impressão de que poderia ser melhor.

Yamaha MT-09 marcou média de 18 km/l nos testes (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

Por outro lado o consumo foi positivamente vistoso: pelo computador de bordo, média de 18 km/l em nossas andanças — bem melhor que os 14 km/l da Honda CB 1000R.

No fim das contas, o que temos nessa naked da Yamaha é uma relação custo/benefício mais interessante que a da principal rival. A Honda CB 1000R é mais potente e torcuda e, talvez, até mais tecnológica. Mas é bem mais cara: custa R$ 60.900, contra R$ 43.690 deste modelo da Yamaha (a Kawasaki Z 1.000 custa R$ 56.490, e a Suzuki GSX-1000A parte de R$ 53.771).

É uma tremenda diferença, que se torna mais atraente quando vemos que, no mundo real, esta MT-09 é três vezes mais divertida que a moto da Honda.

Lanternas verticais são um detalhe bacana do design (Foto: Roberto Dutra/O 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

FICHA TÉCNICA

Motor
A gasolina, três cilindros, 12v, comando duplo, 847cm³, refrigeração líquida

Potência
115 cv a 10.000rpm

Torque
8,9 kgfm a 8.500rpm

Transmissão
Seis marchas com quickshift para cima; Secundária por corrente

Suspensões
Garfos invertidos na frente e monochoque atrás, ambos com ajustes na pré-carga e no retorno

Freios
A discos com ABS

Pneus
120/70 R17 (diant.) e 180/55 R17 (tras.)

Dimensões
Comprimento: 2,07 m
Largura: 81,5 cm
Altura: 1,12 m
Entre-eixos: 1,44 m
Vão livre: 13,5 cm
Altura do banco: 82 cm

Peso
193kg

Consumo
18km/l (medição CarroEtc)

Preço
R$ 43.690

Garantia
1 ano

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