Avaliação: Mini Cooper S Clubman 2.0 Top
Maior carro da Mini é versátil e tem bom desempenho, mas quer disputar briga injusta
Por Guilherme Blanco Muniz
O Mini Clubman é quase um carro incompreendido. Ele não é daqueles geralmente sucessos de mercado, que se vendem sozinhos. A começar pelo seu visual de gosto duvidoso. Lançado no Brasil em duas versões (parte de R$ 152.950 e chega a R$ 179.950 na configuração topo de linha aqui avaliada), o britânico tem uma dificílima tarefa: convencer pessoas interessadas em crossovers e peruas a se aventurar a bordo dele. Boas credenciais para isso ele tem, mas a briga é injusta.
Quem olha o Clubman de frente logo saca que se trata de um Mini e pode até pensar que é o hatch quatro portas. Mas é na lateral e na traseira que ele se diferencia. O perfil é esquisito, dando a impressão de que os engenheiros só alongaram o menor modelo da marca, quando na verdade é um carro diferente. Tanto é que compartilha plataforma com o primo Série 2 Active Tourer – não por coincidência o mais familiar da BMW.
Fotos: Mini Clubman
É na traseira que está o charme: o porta-malas de bons 360 litros tem duas tampas, que se abrem para os lados. Além de contribuir com o ar de retrô, elas facilitam a acomodação de cargas mais pesadas. Ótimo para quem chega até ele carregando as compras do mercado. Ainda mais prático é abri-las só passando o pé perto de um sensor, posicionado abaixo do veículo. Pena é que a junção das duas portas forme uma larga barra vertical que atrapalha a visibilidade quando o Clubman está em movimento.
Aliás, é acelerando que o maior dos Mini Cooper mostra de onde veio. O motor 2.0 turbo a gasolina rende de 192 cv e 28,5 kgfm a 1.250 rpm, associado a um novo câmbio automático de oito marchas, novidade na linha Mini. O casamento é perfeito, com trocas rápidas e suaves. Mas não se engane: parte do ronco ouvido na cabine é potencializado pelo sistema de som.
Com suspensões firmes, a perua-crossover Mini é gostosa de dirigir. A sensação de pilotar um kart que os modelos menores oferecem foi anestesiada. Mas, o motorista se sente dirigindo um carro menor do que os 4,25 metros de comprimento que o Clubman tem. Tanta distância na fita métrica faz dele um Mini capaz de levar quatro passageiros adultos sem aperto, graças aos bons 2,67 m de entre-eixos. Quem vai atrás só reclama do ajuste firme das suspensões, que prejudica muito o conforto em pisos irregulares. Soma-se a isso o perfil baixo dos pneus para que o familiar estabeleça uma divisão clara entre ele e os crossovers com quem quer concorrer. O lugar do Mini é no asfalto 100% liso.
O pacote de itens é caprichado. Além dos citados na lista antes desta avaliação, há freio de estacionamento eletrônico, bancos com ajuste elétrico e memória, projeção de informações no para-brisas e seletor de modos de condução. Em Green, a prioridade é economia de combustível, Mid traz os ajustes padrão e em Sport as suspensões ficam ainda mais firmes, o volante, pesado, e os giros, mais altos.
Quando foi vendido por aqui na geração anterior, o Clubman foi ainda mais incompreendido. A Mini faz mea culpa explicando que era recém-chegada no país e não comunicou direito a proposta do carro. Promete fazer diferente agora, melhorando a aceitação do carro. Admitir que o Clubman é perua é o primeiro passo, já que bons atributos ela tem.
Ficha técnica
Motor: dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 16V, comando duplo, turbo, injeção direta de gasolina
Cilindrada: 1.998 cm³
Potência: 192 cv a 5.000 rpm
Torque: 28,5 kgfm a 1.250 rpm
Câmbio: automático de 8 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: Independente, McPherson (dianteira) e multilink (traseira)
Freios: discos ventilados (dianteira) e sólidos (traseira)
Ppneus: 225/40 R18
Dimensões
Comprimento: 4,25 m
Largura: 1,80 m
Altura: 1,44 m
Entre-eixos: 2,67 m
Tanque: 48 litros
Porta-malas: 360 litros (fabricante)
Peso: 1.390 kg