Como a retomada de poder pelo Talibã no Afeganistão afeta o mercado de carros elétricos?

País tem grandes reservas de lítio, principal componente das baterias atuais

Por Thais Villaça


Bateria de carro elétrico Divulgação

Nos últimos dias, acompanhamos as notícias de que o Talibã, movimento fundamentalista e nacionalista islâmico, retomou o poder no Afeganistão 20 anos após ser expulso do país pelas tropas norte-americanas.

Mas como isso afeta o mercado automotivo, mais precisamente o segmento de carros elétricos? O Afeganistão fica localizado sobre uma reserva mineral que, segundo geólogos, vale, no mínimo, US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,4 trilhões). Sim, você não leu errado. Trilhões.

Carregador carro elétrico (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Entre esses recursos está o lítio, principal componente das baterias de veículos elétricos vendidos em todo o planeta atualmente. Desde a descoberta, os estoques permanecem intocados e inexplorados. Por isso, a perda do acesso a essa reserva mineral deve afetar os interesses econômicos das fabricantes que procuram alternativas para não ficar apenas na dependência da China, principal produtor mundial de lítio hoje.

Uma coisa é certa: a demanda por lítio no mundo só vai crescer daqui pra frente, com a profusão de lançamento de carros elétricos devido às exigências cada vez mais rígidas das agências ambientais. Segundo a International Energy Agency (Agência Internacional de Energia), a procura pelo composto aumentará 40 vezes até 2040.

Cada célula de uma bateria comum contém poucas gramas de lítio (cerca de meia colher de chá, como forma de comparação). Mas o conjunto total em um carro elétrico pode incluir cinco mil células, sendo necessários aproximadamente 10 kg de lítio no total. Ou seja, uma tonelada do metal é suficiente para produzir baterias para cerca de 90 veículos elétricos.

Ainda é cedo para saber como a potencial perda das reservas de lítio afegão vai afetar a indústria, mas certamente a escassez da matéria-prima em outros locais poderia ser amenizada com uma nova fonte de extração, especialmente se pensarmos em longo prazo.

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