Tatuzão de acidente em obra do Metrô de São Paulo tem nome, refeitório e 7.600 cv
Veja detalhes da máquina tuneladora apontada como pivô do acidente que causou o desmoronamento de parte da Marginal Tietê
Por Cauê Lira
A máquina conhecida como “tatuzão” voltou a ficar em evidência após ser apontada como pivô do acidente que aconteceu nas obras da Linha 6-Laranja do Metrô da capital paulista na última terça-feira (1°). Parte da pista local da Marginal Tietê ficou comprometida.
A causa do acidente ainda está sendo investigada. Representantes do governo do Estado alegam que o rompimento não foi motivado pela passagem do tatuzão. Outros especialistas afirmam que a máquina pode ter passado perto de uma galeria de esgoto, e a trepidação provocado uma ruptura que culminou no vazamento.
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Diferentemente do desmoronamento que aconteceu nas obras do Metrô em 2007 e tirou a vida de sete pessoas, desta vez ninguém se feriu.
Como funciona o tatuzão?
Apesar do apelido que recebeu no Brasil, o verdadeiro nome do tatuzão é tuneladora. E ainda que seja identificada sempre pelo singular, algumas obras costumam utilizar mais de uma máquina. Este é o caso da Linha-6-Laranja do Metrô de São Paulo, que vai ligar a Zona Norte à região central e terá mais de 15 km de extensão.
O consórcio responsável encomendou dois tatuzões para operar na obra. Eles foram desenvolvidos pela empresa francesa NFM Technologies em parceria com a fabricante chinesa NHI. Para produzir uma tuneladora, as empresas envolvidas precisam visitar o terreno e analisar suas peculiaridades. Por este motivo, a encomenda costuma demorar alguns anos.
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O valor dos tatuzões também oscila de acordo com suas características. Dependendo do tipo do terreno, o motor precisa ser mais potente ou ter tamanho diferente. Uma tuneladora não sai por menos de R$ 100 milhões. A obra da Linha-6-Laranja foi orçada em R$ 15 bilhões.
Os tatuzões da Linha-6-Laranja são “gêmeos” e têm 10,6 metros de diâmetro. Eles se destacam pela capacidade de abrir duas vias de trilhos ao mesmo tempo. A estrutura frontal que você vê pintada de laranja nas imagens é chamada de “shield” (escudo em inglês) e é feita de manganês, um material ultra-resistente capaz de triturar e escavar a terra. Os motores estão alocados logo atrás.
A parte traseira do tatuzão tem uma esteira para a remoção de pedras e terras, além de toda a parte elétrica do aparelho. Os trabalhadores ainda podem desfrutar de um refeitório e cabine de enfermagem. Trata-se de um verdadeiro brucutu de 2 mil toneladas, 5.600 kW (mais de 7.600 cv) de potência instalada e 43.295 kNm de torque.
Viagem de 22 meses
No dia 16 de dezembro de 2021, o primeiro dos dois tatuzões iniciou sua viagem de 22 meses e 9,5 km pelo subsolo de São Paulo. Batizada de “Maria Leopoldina”, a tuneladora faria toda a extensão entre a região da Freguesia do Ó e a Estação São Joaquim, na Liberdade, num ritmo de trabalho de 14 metros diários.
Essa é a máquina envolvida no acidente, portanto, as atividades estão suspensas. Paulo Galli, secretário dos Transportes Metropolitanos, afirma que novas peças serão compradas para a manutenção de Maria Leopoldina. Não há prazo para a retomada das operações.
A segunda tuneladora ainda não tem nome. Ela fará o caminho contrário, da Freguesia do Ó até o Pátio Morro Grande – um percurso de aproximadamente 6 km. Ela terá a meta de escavar entre 7 e 9 metros diários.
Batismo
As tuneladoras recebem nomes para facilitar sua identificação – e eles sempre são femininos. Além de Maria Leopoldina, que neste momento se encontra inoperante, outras tuneladoras que ficaram famosas em São Paulo são Tarsila e Lina, que escavaram a Linha-5-Lilás do Metrô.
Fora do Brasil, a empresa japonesa Hitachi construiu Bertha, uma das maiores tuneladoras da história. Ela tem 17 metros de diâmetro (6,4 m a mais que Maria Leopoldina) e foi utilizada em escavações em Seattle, nos Estados Unidos.
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Neste momento, Maria Leopoldina é a única tuneladora em operação na cidade de São Paulo. O consórcio responsável pela Linha-2-Verde está negociando a compra de novas tuneladoras para ligar as estações Vila Prudente e Dutra.
Neste trajeto, a ligação passará pela estação Penha da Linha 3-Vermelha, permitindo uma nova opção de baldeação. Tudo indica que o modelo será da fabricante alemã Herrenknecht, que também desenvolveu Tarsila e Lina utilizadas na Linha-5-LIlás, mas o consórcio também abriu negociações com empresas chinesas.
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