Fiat Uno comemora 35 anos no Brasil; relembre a história da botinha ortopédica
Foram cerca de 4 milhões de vendas, várias inovações no mercado e três troféus do Carro do Ano da Revista Auto News Brasil
Por André Schaun
A história da Fiat no Brasil começou no dia 9 de julho de 1976, com a inauguração da fábrica de Betim, em Minas Gerais. O primeiro lançamento foi o 147, para rivalizar com o VW Fusca, líder de mercado. Mas o capítulo de maior sucesso começou em 1984, com o Uno.
Nesses 35 anos, o compacto vendeu cerca de 4 milhões de unidades, cravando seu nome como o carro mais vendido da marca até hoje no País. O modelo recebeu mais de 20 prêmios nessas mais de três décadas, destes, venceu três vezes o prêmio mais tradicional do setor automotivo, o Carro do Ano, entregue por nós da Revista Auto News Brasil. Em 1985, 1992 e 2011.
Desenhado pelo designer italiano Giorgetto Giugiaro, o modelo foi lançado em 1983 na Itália. Quando veio ao Brasil, em 1984, o hatch foi tropicalizado para atender às exigências extremas nossas estradas e ruas, além de ter tipo aumento no porta-malas. A suspensão passou a ser independente nas quatro rodas, por exemplo.
O resultado foi tão surpreendente, que o modelo produzido em Betim chegou a ser exportado para o mercado italiano. Um feito raro entre os carros nacionais.
Relembre mais alguns momentos do Fiat Uno nesses 35 anos de Brasil.
A história começou com motores de 1.050 cc a gasolina e 1300 cc, com três versões: S (Super), CS (Confort Super) e a esportiva SX (Sport Experimental), que tinham 52 e 58 cv, respectivamente.
O SX possuía o motor 1.3 com carburador de corpo duplo. Isso elevava a potência a 71,4 cv e 70 cv, nas versões a gasolina e a etanol, respectivamente.
O grande apelo no Uno não era desempenho, mas espaço. Com uma carroceria alta e angulosa o aproveitamento do espaço interno era grande, mesmo parecendo pequeno quando visto por fora. Incomuns para a época, as formas do seu perfil garantiram seu primeiro apelido: botinha ortopédica.
Não demorou para o Uno dar origem a outros modelos. Em 1985, veio a versão sedã, o Fiat Prêmio e no ano seguinte perua Elba; ambos equipados com o motor Sevel 1.5. Em 1988, o furgão e a picape Fiorino foram os outros dois derivados do Uno, porém, com motor 1.3.
Em 1987, o Uno comemorou três anos no Brasil com uma versão de apelo mais esportivo, que virou um clássico pelos detalhes que o diferenciavam das opções mais simples
Tampa traseira pintada de preto (um toque que o VW up! TSI depois aproveitou), faixas laterais, cintos de segurança vermelhos, bancos em xadrez, também avermelhados e detalhes exclusivos no volante. Essas eram as características do Uno 1.5R.
Seu motor foi o Sevel 1.5, que gerava 86 cv de potência e 12,9 kgfm de torque com etanol – as outras versões do mercado, S e CS, tinham 52 e 58 cv, respectivamente. Dois anos depois, teve a cilindrada ampliada na versão 1.6R.
A icônica nomenclatura Mille surgiu em 1990, três meses após decisão do governo Collor em reduzir de 40% para 20% o valor do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para carros de até 1 litro. O propulsor entregava 54 cv de potência. O nome “Mille” – alusão aos 1.000 cm³ do motor –, é a tradução da palavra “mil” no idioma italiano.
Em 1994, foi a vez do Uno Turbo marca época, sendo o primeiro carro de passeio a trazer turbocompressor de fábrica. O motor era um 1.4 turbinado com 118 cv de potência e 17 kgfm de torque, capaz de levar o hatch de zero a 100 km em 9,2 segundos, com velocidade máxima de 195 km/h.
Foi o último suspiro de esportividade do Uno. Logo depois, o carro ficaria restrito aos modelos mais econômicos. Porém, mesmo nessa fase racional houve espaço para golpes de mercado muito bem-sucedidos. Primeiro, o Uno Mille ganhou versão com carburador eletrônico. A mecânica foi repetida na configuração ELX 1.0, o primeiro popular mais completinho. Até então, os 1.0 não tinham luxos como ar-condicionado e vidros elétricos. O Uno EP (com injeção eletrônica) foi uma das últimas alterações de relevo.
O Uno chegou aos nos anos 2000 sem perspectiva de sair de linha. Em 2004, a Fiat fez mudanças em seu desenho: grade, faróis e lanternas foram trocados. Para muitos, o facelift não foi dos mais belos. Não é fácil retocar um estilo criado por Giugiaro.
Quatro anos depois, veio a versão Economy, com pneus de baixo atrito e um econômetro do painel. Os aprimoramentos técnicos e intervenções no motor, câmbio e suspenção atingiram deixaram o consumo em média 10%.
Levinho, o Mille Economy andava bem para os seus 65 cv (zero a 100 km/h em 14,5 s) para e mal visitava postos de combustível: o consumo na estrada chegava a 20 km/l (anunciados). Ele foi o primeiro Uno a popularizar a escada do teto.
26 anos após seu lançamento, a segunda geração veio apenas em 2010. Chamada de Novo Uno - para diferenciar do Mille -, o modelo chegou com motores 1.0 Evo e Fire 1.4, ambos flex e já preparado para receber ABS e airbag, que seriam exigidos a partir de 2014. A potência máxima de ambos era de 73 cv e 88 cv, respectivamente.
Em 2016 o modelo marcou a estreia dos motores 1.0 e 1.3 FireFly, que hoje equipam boa parte da linha de Fiat. Além disso, o Uno passou a ter opção de controles de estabilidade e de tração.
Atualmente, o Uno tem quatro versões: Attractive 1.0 Fire, Drive e Way 1.0 Firefly e Way 1.3 Firefly. Quase 10 anos após chegar a segunda geração, não há nada concreto sobre uma nova geração.
Em 2019 ele é o 38° mais vendido do Brasil, com 11.773 emplacamentos até o final de julho.
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