Linha do tempo: todas as gerações do Toyota Corolla
Em mais de 50 anos de história, modelo passou por onze encarnações
Por Julio Cabral
Foram mais de 40 milhões de Toyota Corollas vendidos em 51 anos, tempo dividido por 11 gerações. Está certo que o recordista anterior de vendas, o Volkswagen Fusca, pouco mudou ao longo da sua trajetória, mas isso não tira a dimensão do histórico do modelo japonês. Por isso mesmo, Auto News Brasil reuniu todas as gerações do Corolla para você conhecer a árvore genealógica do médio.
1ª geração (1966-1970)
Com nome que remete a uma coroa de flores, o Toyota nasceu com 3,85 metros de comprimento e 2,28 m de entre-eixos. O tamanhinho permitiu usar um motor 1.1 de 60 cv e 8,5 kgfm de torque. Embora um 1.0 de 45 cv tenha sido cogitado, o 1 litro foi descartado por não dar a força extra desejada pela marca. Exceder a expectativa era a base da doutrina de 80 pontos defendida pela equipe do projeto. De acordo com a filosofia do fabricante, o Corolla teria que conquistar nota acima de 80 (de 100 possíveis) nos quesitos que mais chamavam atenção do consumidor. Tatsuo Hasegawa foi o chefe de desenvolvimento do primeiro modelo e sabia que a qualidade seria o caminho para ganhar vendas no crescente mercado japonês e não ser uma mera pechincha.
Não foi uma tarefa fácil. Implementar algumas soluções técnicas inéditas entre os carros japoneses foi uma experiência desenvolvida na prática. Para vocês terem uma ideia, o fabricante afirma que o primeiro protótipo rodou apenas 500 metros antes de apresentar um problema. De tanta experimentação e alterações, acabou que o Corolla se tornou bem mais sofisticado e aceito do que o Toyota compacto anterior, o bem mais barato Publica de 1961. Virou líder de mercado no Japão em três anos.
2ª geração (1970-1974)
Em junho de 1970, foi alcançada a marca de um milhão de unidades produzidas do Corolla. Tamanha importância em vendas pedia por uma geração capaz de manter o sucesso, sem arriscar demais. Pouco maior, o Corolla passou a ter 3,94 metros e 2,33 m de entre-eixos e estava disponível em várias carrocerias, do sedã ao modelo van. Para ficar logo abaixo do médio Corona, recebeu um 1.4 mais forte, o mesmo usado pelo Celica e Carina. A opção era bem mais potente do que o 1.2 básico e gerava 86 cv e 11,7 kgfm de torque.
O ano de 1972 foi marcado pelo lançamento do Corolla Levin, o primeiro cupê esportivo feito com base no compacto. Equipado com motor 1.6 2T-G de 115 cv e 14,5 kgfm, a versão tinha apenas câmbio manual de cinco marchas, algo ainda raro na ocasião.
3ª geração (1974-1979)
Inspirado na longa duração do terceiro shogunato, o novo diretor de projeto, Shirou Sasaki, teve como objetivo consolidar as qualidades reconhecidas do Corolla para manter o modelo na ribalta pelo maior tempo possível. O resultado deu certo mundialmente, o quarto Corolla foi o primeiro a ter mais de 300 mil unidades exportadas anualmente. As variações de carroceria incluiam um liftback. Os motores eram basicamente os mesmos, apenas um novo 1.3 foi adicionado - as novas leis de emissões descartaram alguns dos antigos propulsores.
A fronteira dos 3,99 metros de comprimento ainda não havia sido rompida, porém, a distância longitudinal entre as rodas chegou a 2,37 m. Pensar pequeno não foi um impeditivo para o Toyota ser bem aceito no mercado norte-americano. Um automático de três marchas foi uma das novidades, prova de que o carro já estava pensando cada vez mais no conforto.
4ª geração (1979-1983)
Entre 1979 e 1982, o Corolla ultrapassou o Golf como o modelo mais produzido do mundo. Mais de 500 mil automóveis eram exportados anualmente graças ao conjunto que unia mais luxo ao mesmo requisito de economia de combustível de antes. A quarta geração foi lançada com cinco tipos de carroceria, entre elas sedã de duas e quatro portas, hardtop, liftback e van. Uma perua chegou em 1982. Para ampliar o conforto de rodagem, o carro abandonou a suspensão por feixes de molas atrás para adotar molas helicoidais, mas ainda tinha tração traseira.
Como a expansão do carro era inevitável, o três volumes ultrapassou os quatro metros de comprimento. Eram 4,05 m e 2,40 m de entre-eixos. Havia três motores a gasolina, com 1,3, 1,5 e 1,6 litro e um diesel 1.8 fez a sua estreia..
5ª geração (1983-1987)
A quinta encarnação estreou em março de 1983, logo após o Corolla chegar ao número de dez milhões de carros produzidos. A expansão nas dimensões foi notável, o sedã chegou a 4,18 m de um para-choque a outro e 2,43 de entre-eixos.
Para alguns, foi o fim de uma era. Para outros, o início do Corolla como nós o conhecemos. A tração dianteira virou padrão no sedã e perua, uma decisão tomada em 1979. Apenas o cupê AE86 manteve a traseira. Motores 1.3 e 1.5 movimentavam os mais vendidos, porém, o cupê tinha o 1.6 16V de 130 cv e ajudou a variante a se tornar um ícone capaz de estimular a criação do GT86.
6ª geração (1987-1991)
O comprimento foi ampliado em somente oito cenímetros. Mas as dimensões parecidas escondem a evolução face o quinto Corolla. Todos os modelos passaram a ter tração dianteira. Uma das raras exceções ficava por conta da opção 4X4 com motor 2.0 turbodiesel, uma das maiores novidades dessa geração.
A esportividade ficava por conta do 1.6 comprimido de 145 cv e 19 kgfm, um belo incremento face os 120 cv e 14,5 kgfm gerados pelo aspirado.
7ª geração (1991-1995)
Caracterizado pelas linhas arredondadas, o Corolla de 1991 foi o primeiro a chegar ao Brasil como importado oficial e vinha também como perua. O cupê ganhou motor 1.6 de duplo comando de válvulas variável na abertura e ótimos 160 cv (índice de potência específica típico dos Honda VTi de então), bem mais forte que o 1.6 básico de 115 cv. A suspensão traseira adotou o sistema dual-link independente para dar maior estabilidade - mesmo o Corolla atual usa eixo de torção.
O sedã importado para o nosso mercado tinha 4,27 m totais e 2,46 m de entre-eixos. As opções de motores incluiam o 1.6 nos DX e o 1.8 de 117 cv na versão LE, sendo que o câmbio automático tinha sempre quatro marchas.
8ª geração (1995-2000)
Chegou primeiro como importado de faróis redondos e motor 1.6, visual que causou polêmica até no exterior. Isso mudou em 1998, quando o Corolla começou a ser produzido na nova fábrica da Toyota em Indaiatuba, interior de São Paulo. Feito apenas como sedã, o nacional tinha visual mais comportado do que o japonês.
Padrão em todas as versões (XLi, XEi e SE-G), o motor 1.8 tinha 116 cv de potência e podia vir com uma caixa automática de quatro velocidades nas versões mais caras. Incapaz de concorrer em números de vendas com os líderes de mercado, a oitava edição do Corolla pavimentou o caminho para a nona geração, bem mais vendida.
9ª geração (2000-2006)
Com Brad Pitt como garoto-propaganda e INXS na trilha do comercial, o novo Corolla vendeu muito mais do que antes. A produção de 15 mil carros em 2002 passou a quase 41 mil carros em 2003. O motor 1.8 era bem mais forte e chegava aos 136 cv e 17,5 kgfm de torque. Da mesma forma, o comprimento foi ampliado e chegou a 4,53 m e 2,60 m de entre-eixos.
A geração se destacou por ter sido a única a oferecer a versão perua como nacional. Batizada como Fielder, a station wagon deixou orfãos ao ser descontinuada sem deixar sucessora no país.
10ª geração (2006-2013)
O Corolla de número dez cometeu o vacilo de manter a plataforma anterior, mudou apenas 1 centímetro no comprimento. Isso tolhiu o espaço para passageiros. Ainda assim, o Corolla foi capaz de competir em vendas com o revolucionário Honda New Civic.
Por outro lado, foi nesta fase que o Corolla nacional ganhou o seu primeiro 2.0, dotado de 142 cv e 19,8 kgfm, contra os 136 cv do 1.8. O senão estava no uso de câmbio automático de quatro marchas.
11ª geração (desde 2013)
Lançado aqui em 2014, o carro que acaba de ser reestilizado colheu todos os benefícios de uma nova base. O entre-eixos de 2,70 metros transformou o sedã em um mini-Camry. Ele chegou a ficar muito grande para o mercado japonês, onde a Toyota vende um Corolla mais estreitinho e conservador para atender os limites de largura pretendidos. Os motores 1.8 e 2.0 foram mantidos com pequenas evoluções, a grande transformação mecânica ficou por conta da adoção da transmissão CVT.
Líder absoluto na categoria, o modelo acabou de passar um facelift semelhante ao aplicado na Europa, África e mercados asiáticos. Além disso, finalmente o Corolla passou a contar com controles eletrônicos de estabilidade e de tração.