Evandro Mesquita soube amar sua VW Parati 1982, mas a perua teve final triste
Cantor também dirigiu um VW Fusca, que foi testemunha de um dos momentos mais importantes de sua carreira, e é fã de off-road
Por Larissa Albuquerque (com André Schaun)
Ao ouvir a melodia e a frase “Sabe essas noites que você sai caminhando sozinho, de madrugada, com a mão no bolso?”, Evandro Mesquita, cantor, ator e compositor carioca, parou o VW Fusca 1970 vinho, que dirigia pelas ruas do Leblon, no Rio de Janeiro. “Eu tive que parar o carro em uma vaga, porque fiquei muito emocionado. Era a primeira vez que ouvia minha música tocar na rádio”, conta saudoso à Auto News Brasil.
Quando o single tocou na Rádio Cidade, o artista estava sem fichas para o “orelhão” e não tinha como falar da conquista para os amigos e a família. Então, ele apenas estacionou o carro e ficou lá dentro, aproveitando o momento.
“Você Não Soube me Amar” foi um dos primeiros sucessos da banda Blitz, da qual Mesquita era o vocalista. O nome da banda – fundada em 1982 –, inclusive, foi inspirado no comportamento do cantor no trânsito. Sugerido pelo artista e integrante do grupo Lobão (e logo aceito pelos demais), o título se baseou na alta frequência com que Mesquita era parado pela polícia e multado.
O cantor revela que gosta muito de dirigir e que os primeiros carros que acelerou foram Fuscas emprestados. “O primeiro carro que dirigi foi o Volkswagen Fusca 1970 da minha mãe. Tinha uma cor que eu achava horrorosa, verde, mas era maravilhoso ter um pouco de liberdade. Minhas primeiras viagens a Saquarema [cidade do Rio de Janeiro] foram com ele”, relembra.
Já o Fusca vinho, que testemunhou a estreia do primeiro sucesso de Mesquita nas rádios, ajudava a transportar seus equipamentos de trabalho. “Ele era valente, levava nossos instrumentos e os amplificadores”, conta.
Os dois modelos eram da época em que o Fusca era equipado com o motor de 1.300 cm³ de 46 cv.
Depois da ajuda do “fusquinha” vinho nos primeiros shows, a banda Blitz começou a deslanchar e Mesquita conseguiu juntar dinheiro para comprar seu primeiro automóvel, o carro dos seus sonhos: uma VW Parati 1982, ano em que o modelo começou a ser produzido por aqui. Com o motor MD 1.5 de quatro cilindros, a station-wagon de duas portas fazia parte da família BX, da qual também nasceram Gol, Voyage e Saveiro.
“Com o sucesso do primeiro disco da banda (As Aventuras da Blitz) eu consegui comprar uma Parati vinho – nela cabia minha prancha e os instrumentos. Era uma perua muito maneira, um carro grande, confortável e bom para estradas de terra”, conta.
O modelo correspondeu a todas as expectativas do artista, mas teve um triste fim: “A única vez que a Parati me deixou na mão foi quando ela foi roubada em Humaitá [bairro carioca]”, explica Mesquita.
Ele gostava tanto do modelo que comprou outra Parati logo em seguida: “Era de 1983 (o motor era o 1.6 MD-270) e tinha uma cor marcante: cinza chumbo”. Entretanto, assim como a antecessora, a nova também foi levada de Mesquita. “Ela foi roubada no Leblon, foi muito triste. Eu gostava muito das minhas Paratis”, relata desapontado.
Mesmo com os acontecimentos, as VW Paratis trazem um sentimento de orgulho para o carioca: “Eu consegui comprar com o dinheiro do meu trabalho, e tenho muito orgulho disso”.
Depois do segundo roubo Mesquita desistiu do modelo, mas continuou com as peruas. Ele comprou uma Ford Belina 4x4 – que não deixou boas lembranças. “Ela era muito fraca, chegou a perder a embreagem e a atolar em uma ladeira de terra. Foi uma aventura para resgatar o carro e, depois, para me livrar dele”, relembra.
A versão 4X4 do modelo foi lançada em 1985, mas logo saiu de linha, em 1987, devido a alta incidência de problemas mecânicos.
Fã de estradas off-road
Desde a época dos fusquinhas emprestados, Mesquita sempre andava com seus carros em pistas off-road, principalmente nas viagens. O artista confessa que, como nem todos os carros conseguem rodar nessas estradas, ele as acha mais “resguardadas” – apostamos, que nelas ele se sentia “a dois passos do paraíso”.
Mesquita conta que os Fuscas e as Paratis nunca tiveram problemas em estradas de terra, só a Belina.
Depois desses carros o cantor ainda teve uma Ford Rural Willys que, segundo ele, era perfeita para pistas mais aventureiras.
A valentia para enfrentar estradas off-road é uma das características que o artista emprega ao seu carro atual: um Subaru Forester. Com motor 2.0 de 156 cv e câmbio CVT, o modelo custa atualmente R$ 198.900 na versão S (única disponível no Brasil).
“O Forester é bom para cidade, por ser compacto, mas também é forte para estradas de terra. Além disso, gosto muito da tecnologia japonesa. É o melhor carro que já tive ”, conta.
Hoje em dia, Mesquita continua usando seu carro para viajar. Ele finaliza dizendo que uma das coisas que mais gosta de fazer é “pegar a estrada ouvindo um som”.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Auto News Brasil? É só clicar aqui para acessar a revista digital.









