Exclusivo: Caoa Changan será nova marca no Brasil em união com chinesa
Apresentação será no Salão do Automóvel, em novembro; venda de três SUVs, porém, começa apenas em 2026
Vem aí a Caoa Changan. A gigante da indústria automotiva do Brasil vai se unir a uma das maiores fabricantes da China na criação de uma nova marca sino-brasileira. E o anúncio da estreia está marcado para o Salão do Automóvel, em novembro.
Auto News Brasil teve acesso aos planos de chegada da Caoa Changan e traz, em primeira mão, como será a operação da nova marca, quando as vendas começam, quais modelos serão vendidos e como serão as lojas.
Quando chega a Caoa Changan?
O anúncio de chegada da Changan ao Brasil será no Salão do Automóvel de São Paulo, que abre as portas no final de novembro. Um mapa extra oficial dos estandes mostra que a Caoa terá dois espaços. Um deles, claro, é para a Caoa Chery, que manterá suas operações normalmente no país, convivendo com a Caoa Changan.
O segundo até poderia marcar uma nova fase da Subaru. Mas Auto News Brasil apurou que não há planos de novos veículos da japonesa para o Brasil tão cedo. Logo, o estande será usado para apresentar ao público a Caoa Changan. Afinal, existe palco melhor do que um evento com centenas de milhares de visitantes?
Ainda que a apresentação aconteça em novembro, confirmando o nome da marca como Caoa Changan, as vendas só terão início apenas no segundo trimestre de 2026. Até lá, o grupo brasileiro fará a preparação para iniciar as vendas, com ações de apresentação da marca e estruturação de uma rede de concessionárias.
Quais carros a Caoa Changan venderá no Brasil?
Inicialmente, serão oferecidos três modelos, todos SUVs, que, não por acaso, são os mesmos que já rodam em testes no Brasil.
O Unit-T deve ser o best-seller da Caoa Changan no início da operação. Estamos falando de um modelo de porte médio com visual arrojado e pegada esportiva. Nas dimensões, tem 4,51 metros de comprimento, 1,87 m de largura e entre-eixos de 2,71 m.
Como comparação, fica próximo do Toyota Corolla Cross (4,46 m) em comprimento, mas tem entre-eixos exatamente igual ao do Caoa Chery Tiggo 8 — superior que o de SUVs médios comercializados no país.
Ao contrário da maior parte das marcas chinesas que estão chegando ao Brasil, o Uni-T será um SUV a combustão, com motor 1.5 turbo de 188 cv de potência e 30,5 kgfm de torque. Casa com esse motor um câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas.
Acima dele ficará o CS75, um SUV de porte similar ao de um Jeep Commander. São 4,77 m de comprimento e 2,80 m de entre-eixos. E, tal qual o modelo menor, o visual impressiona pelas linhas modernas e agressivas. Faróis divididos por finas barras horizontais e grade repleta de elementos que lembram diamantes são alguns dos elementos mais marcantes.
No interior, três telas somam 37 polegadas e servem como quadro de instrumentos e central multimídia dupla, com direito a uma porção dedicada ao passageiro. Sob o capô, há opções de motores 1.5 e 2.0, sempre turbinados. Até agora, estamos falando apenas de modelos a combustão.
Mas o último e mais refinado modelo da Caoa Changan será um elétrico de luxo. É o Avatr 11, que Auto News Brasil antecipou que seria vendido no Brasil ainda em maio deste ano. Na ocasião, também dissemos que o grupo Caoa seria o responsável pela venda.
Na China, o Avatr 11 é vendido em cinco versões, sendo quatro elétricas com tração integral e uma EREV (elétrico de autonomia estendida ou híbrido paralelo), com um motor elétrico e outro a gasolina, atuando apenas como gerador. Neste caso, a autonomia combinada passa de 1.000 km. Nas demais, com baterias de até 116,8 kWh, o alcance pode chegar a 815 km, no sempre otimista padrão chinês WLTC.
A configuração que roda no Brasil traz dois motores elétricos, que, somados, desenvolvem 547 cv de potência e 70 kgfm de torque combinados. Pisando fundo, o Avatr 11 vai de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos.
E as lojas?
A rede de concessionárias Caoa Changan será constituída de lojas próprias, sem qualquer relação com a Caoa Chery. Os pontos de venda até podem ser vizinhos, mas serão devidamente separados, como acontece com as marcas da Stellantis e a recém-formada parceria entre Renault e Geely. O pós-vendas, no entanto, será completamente apartado, já que Changan e Chery não compartilham componentes, sendo, inclusive, rivais na China.
Caoa já buscava outra chinesa
A decisão de trazer a Changan ao Brasil não é nova. Fontes ouvidas por Auto News Brasil afirmam que a Caoa buscava, há pelo menos cinco anos, uma nova parceira chinesa. O objetivo era não depender apenas da Chery. Na ocasião, o acordo com a Hyundai, desfeito recentemente, também conforme antecipado por Auto News Brasil, ainda não estava costurado, então a Chery era a única possibilidade de expansão do grupo brasileiro.
Para mudar o cenário, nos últimos anos, a Caoa abriu conversas com os maiores grupos automotivos chineses, incluindo marcas que chegaram há pouco ou estão para chegar ao Brasil. Fazem parte desta lista a GAC, que começou a vender carros por aqui em maio, a Saic, dona da MG e que ensaia, há meses, o desembarque, e a Baic, a única sem informações sobre uma possível operação no Brasil.
A escolha pela Changan, segundo interlocutores, se deu pela facilidade em chegar a um acordo com os chineses em questões como produção local e comercialização. É muito provável que até a decisão do nome Caoa Changan tenha sido posta como fator crucial por parte dos brasileiros.
O que diz a Caoa?
Procurada pela reportagem, a Caoa disse que desconhece a informação de uma associação com a chinesa Changan. Veja abaixo o posicionamento completo:
"A CAOA desconhece esta informação e segue com o posicionamento oficial de que não antecipa estratégias, futuros lançamentos e negociações em andamento."
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