Designers da BMW ignoram críticas e dizem que grades gigantescas continuam
E não é a primeira vez que a marca alemã enfrenta polêmicas em torno do estilo de seus carros
Por Thais Villaça
Se você acha que a BMW pesou a mão na grade dianteira de seus últimos lançamentos, saiba que não há indícios de que as coisas devam mudar em um futuro próximo. Em entrevista à revista britânica Auto Express, os chefes de design da marca, Domagoj Dukec e Adrian van Hooydonk, disseram que vão continuar a desenhar carros ousados apesar das críticas muitas vezes “brutais”.
Quando foi revelado no ano passado, o Série 4 Coupé deu o que falar pela famosa grade conhecida como duplo rim em tamanho colossal. A recepção não foi das melhores, com reclamações de consumidores do mundo todo por conta da peça exagerada. Essa (polêmica) nova linguagem gerou um debate acalorado sobre os próximos passos no design da marca.
Mas a montadora já vinha flertando com grades maiores antes, a exemplo do SUV X7, que em 2019 foi o primeiro a chamar a atenção pela dianteira avantajada. Desde então, a característica vem se tornando cada vez mais marcantes nos modelos da BMW.
“Para alguns clientes, se você quer alcançá-los, tem que se destacar. Mas não dá para criar algo que vá agradar todo mundo”, diz Dukec. “Todos os dias você conversa com pessoas dentro e fora da empresa e cada um tem uma opinião - e um gosto - diferente.”
O designer disse ainda que “não se surpreendeu” com as críticas e que, em vez de ignorar, a BMW ouve o que seus fãs e clientes têm a dizer. Essas informações são levadas em consideração durante os processos de análise e avaliação do departamento de design.
“Amamos e odiamos as mídias sociais pelos mesmos motivos: são instantâneas, mas podem ser brutais. Lidamos com elas da mesma forma que em clínicas de clientes - temos que incluir as opiniões no processo de design”, analisa van Hooydonk.
“Eu nunca participo de clínicas porque os comentários podem ser agressivos e desagradáveis. Prefiro esperar pelo feedback de avaliação global. Analisamos dados, local de procedência e as mídias sociais também fazem parte do pacote. Não sabemos se são consumidores reais por trás dos comentários, mas são vozes reais, então as ouvimos”, completa
Apesar da onda recente de críticas, os chefões explicaram que não há previsão de um redirecionamento no design da montadora alemã. “Vamos mostrar a BMW como uma marca progressiva e pioneira que sempre tentará combinar dois tipos de paradigma, como esportividade e elegância", acrescenta Dukec.
“No futuro será algo diferente, talvez luxo e sustentabilidade, por exemplo. Não há apenas uma solução ou receita, mas sempre buscamos fazer um carro desejável, que se destaque”, conclui. O iX, próximo SUV elétrico da marca que deve ser lançado neste ano, também traz a grade tamanho família.
Histórico de polêmicas
Não é a primeira vez que a BMW enfrenta críticas ao estilo de seus carros. Na década de 1990, o designer chefe da marca Chris Bangle colecionou polêmicas. Foi responsável por mudar radicalmente os carros da montadora e participar de projetos famosos, como o Z3 e o Série 1.
Mas nem tudo foram flores em sua carreira: o Série 7, de 2002, foi considerado pela revista Time um dos 50 piores carros de todos os tempos, especialmente por sua traseira de gosto duvidoso - apesar disso, o sedã foi um sucesso de vendas.
Em 2009, Bangle deixou a BMW para abrir seu estúdio de design prometendo ficar longe da indústria automotiva. Seu substituto foi, justamente, o holandês Adrian van Hooydonk, que permanece como vice-presidente sênior de design da marca.
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