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Por André Schaun

A nova geração do Hyundai HB20, lançada em setembro de 2019, chegou cheia de novidades e com novo motor 1.0 turbo, mas o protagonista do lançamento foi o polêmico visual, que desagradou e deu o que falar nas redes sociais. Fenômeno totalmente oposto ao da primeira geração, que chegou ao mercado em 2012 com uma aceitação praticamente unânime no design.

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Nos primeiros meses após o lançamento, o hatch que estava acostumado a ser o segundo carro mais vendido do Brasil, chegou a cair para a sétima colocação no mês de dezembro. Essa falta de fôlego no início das vendas fez o Ford Ka ultrapassá-lo no último trimestre de 2019 e garantir a vice-liderança de mercado, posto que foi do HB20 de 2016 a 2018.

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A dianteira do Hyundai HB20 foi que causou mais polêmica na nova geração  — Foto: Divulgação
A dianteira do Hyundai HB20 foi que causou mais polêmica na nova geração — Foto: Divulgação

No começo de 2020, muito se discutiu se o novo HB20 não repetiria o sucesso imediato da primeira geração. Mas será que só o visual é suficiente para dizer que houve um retrocesso de um para outro?

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Para saber a resposta, nada melhor do que ouvir a opinião de quem já teve os dois Hyundai dentro da garagem. E foi isso que a Auto News Brasil fez, ouvindo diversos proprietários.

Absolutamente nenhum entrevistado negou que a primeira geração é mais atraente. Porém, o choque visual com a mudança ocorreu nos primeiros meses após o lançamento.

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Primeira geração do Hyundai HB20 faz muito mais sucesso no visual entre os proprietários — Foto: Auto Esporte
Primeira geração do Hyundai HB20 faz muito mais sucesso no visual entre os proprietários — Foto: Auto Esporte

"Eu tive um HB20 Comfort Plus 1.0 de 2015, o meu primeiro carro. Sempre gostei muito dele, principalmente do design, mas a mecânica não ficava de lado. O motor 1.0 com câmbio manual também era muito bem acertado. Quando vendi o carro, em março de 2020, comprei o novo Diamond. No começo o design me chocou bastante, mas foi questão de tempo olhando para o carro e aprendendo a conviver. Hoje eu já acho bonito", conta Paulo Rossini.

A frase de Rossini praticamente resumiu a questão do design exterior entre as duas gerações, a frase mais dita por todos foi: "o antigo é sem dúvida mais atraente, mas é apenas uma questão de tempo para acostumar com o HB20 novo, que, pessoalmente, é bem mais bonito que por foto".

Redes sociais apelidaram o Hyundai HB20 novo de bagre por parecer um peixe (Foto: Marcos Camargo) — Foto: Auto Esporte
Redes sociais apelidaram o Hyundai HB20 novo de bagre por parecer um peixe (Foto: Marcos Camargo) — Foto: Auto Esporte

O principal foco das críticas foi muito mais a dianteira do que a traseira. Na nova geração, a proposta é parecida com a anterior, com a grade bem destacada que vai até o para-choque. Porém, com os faróis mais arredondados, o capô liso mais inclinado e o desenho da grade fez a nova geração ganhar o apelido de "HB20 bagre", por uma virtual semelhança com o peixe.

Mas, na época do lançamento, a Hyundai não pareceu estar muito preocupada com a não aceitação por parte do público.

O desenho da traseira foi um dos pontos mais fortes do Hyundai HB20 na primeira geração  — Foto: Auto Esporte
O desenho da traseira foi um dos pontos mais fortes do Hyundai HB20 na primeira geração — Foto: Auto Esporte

"Design tem a ver com surpreender, com criar algo diferente, com causar algum espanto, e nós temos um design que se destaca deliberadamente da multidão. Algumas pessoas não gostarão? Tudo bem! Mas vai ter um grupo que vai apreciar. O design não pode ser conservador", afirmou um designer da Hyundai à Auto News Brasil na época do lançamento.

Se por um lado a geração anterior agradou muito mais no visual externo, no interior o novo fez muito mais sucesso. Segundo os proprietários, o desenho é futurista e dá muito mais impressão de estar em um carro de categoria superior, ao contrário do que acontecia no de primeira geração, que tinha linhas mais populares.

O Hyundai HB20 é uma boa opção de compra para quem quer um carro automático?

O Hyundai HB20 é uma boa opção de compra para quem quer um carro automático?

Um fator que contribuiu para essa impressão de carro mais caro foi a tela flutuante da central multimídia, que tem 8 polegadas e está disponível a partir da versão Vision, que custa R$ 56.290.

"Um fator que faz o nova geração ganhar muitos pontos em relação ao anterior é o espaço interno, que era um problema. Eu tenho uma família e penso muito no espaço de trás porque sempre tem gente. E o atual traz muito mais conforto para eu que estou dirigindo e para quem está no assento atrás", explica José Silvério que trocou seu HB20 Comfort Plus 2012 por um Evolution 2020, ambos 1.0 com câmbio manual.

Na nova geração, o hatch passou a ter 3,94 m de comprimento (2 cm a mais), 1,74 m de largura (2 cm maior), 1,47 m de altura, permaneceu a mesma, e o entre-eixos foi para 2,53 m (3 cm extras). O porta-malas permaneceu com os mesmos 300 litros.

O aumento do entre-eixos foi citado por praticamente todos os entrevistados como algo muito positivo em relação ao anterior.

Claro que temos que levar com consideração a época em que foram lançados, a primeira geração é de setembro de 2012, e a segunda veio exatamente sete anos mais tarde. Os concorrentes aumentaram durante esse período, não dava para ficar para trás. Por sua vez, a lista de itens de série da nova geração foi muito elogiada pelos proprietários.

A versão de entrada no lançamento, Comfort 1.0, que custava R$ 31.995, tinha como destaque: faróis com máscara negra, spoiler, ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, airbags frontais e ajuste de altura para o banco do motorista.

Em relação a traseira, as críticas não são tão grande na geração atual — Foto: Divulgação
Em relação a traseira, as críticas não são tão grande na geração atual — Foto: Divulgação

Já a Sense 2019 chegou por R$ 46.490 e vinha com direção elétrica, painel de instrumentos analógico, ar-condicionado, volante multifuncional, vidros elétricos dianteiros, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos os ocupantes traseiros, calotas de 14 polegadas e banco do motorista com ajuste de altura.

Paulo Tavares comprou um Comfort Plus em 2014, quando houve uma promoção da Hyundai na Copa do Mundo. Se o Brasil fosse hexacampeão mundial, a garantia do carro iria de 5 para 6 anos, porém, o final da história a gente já sabe qual é (7x1).

"O HB20 foi um carro muito inovador na época, o motor era mais forte que os carros populares normais e ao acabamento incrível. Quando troquei o meu pelo atual, um Sense 2020, fiquei muito satisfeito, porque mesmo sendo a versão mais básica, já vem muito bem equipada de série. Como um todo, é bem superior ao antigo", opina Tavares.

Interior do novo HB20 traz tela flutuante de 8 poleagas  — Foto: Divulgação
Interior do novo HB20 traz tela flutuante de 8 poleagas — Foto: Divulgação

O tanquinho auxiliar de gasolina para a partida a frio, que foi uma solução para que os motores flex funcionassem nos dias mais gelados, foi abandonado em todas as versões do novo HB20 e também agradou seus compradores.

Uma das maiores reclamações do HB20 de primeira geração ficou por conta de problemas crônicos na suspensão traseira. O histórico de reclamações de proprietários é conhecido. A razão do problema é o conjunto de molas e amortecedores traseiros, que batiam com facilidade em lombadas e elevações nas pistas, além de dar a impressão de ser muito mole, segundo os proprietários.

Na geração antiga, a tela da central era integrada ao painel — Foto: Auto Esporte
Na geração antiga, a tela da central era integrada ao painel — Foto: Auto Esporte

Nem todos os entrevistados relataram este problema na suspensão traseira, porém, quem relatou, disse que o novo não apresentou nenhum problema semelhante.

A geração anterior dispunha apenas de motor 1.0 e 1.6, ambos aspirados, agora traz a opção do novo 1.0 turbo de injeção direta. O três-cilindros é capaz de gerar até 120 cv e 17,5 kgfm, sempre associado à caixa automática de seis marchas. Isso também agradou demais os clientes.

Proprietários do novo motor 1.0 turbo elogiaram tanto desempenho, quanto consumo, que é em média 8,6 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada (etanol) e 12,2 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada (gasolina). O consumo do motor 1.6 automático ainda é motivo de crítica na nova geração.

Qual geração é a melhor?

O visual ainda é o principal fator de compra na hora de um carro. A prova disso é que, apesar de tantos diferenciais de uma geração para outra, foi o polêmico visual de "bagre" que deu o que falar. Mas o carro como um todo, a nova geração fez muito mais sucesso em termos de espaço, variedade na hora da escolha e resolução de problemas antigos.

O ideal para os proprietários seria todo o conjunto de equipamentos e o interior da nova geração, com o exterior da antiga. Como isso não é possível, apesar do visual, o novo HB20 foi uma grande evolução do primeiro, de acordo com os entrevistados, e pode ser definido como melhor.

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