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Por Agência AFP


Carlos Ghosn (Foto: AFP) — Foto: Auto Esporte
Carlos Ghosn (Foto: AFP) — Foto: Auto Esporte

Detido no Japão por acusações de crimes financeiros, o ex-presidente da montadora francesa Renault Carlos Ghosn disse nesta quinta-feira (31) que a recusa da justiça japonesa de soltá-lo sob fiança "não seria normal em nenhuma outra democracia". Ele afirma que foi "punido antes de ser declarado culpado". Ghosn está detido desde 19 novembro.

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Em entrevista à agência AFP, a primeira a veículos da imprensa estrangeira desde que começou a ser investigado, Ghosn declarou que existe um "exército na Nissan" tentando "destruir sua reputação". "Tenho diante de mim um exército na Nissan. Centenas de pessoas se dedicam a este caso, 70 no gabinete do promotor, e eu estou preso há mais de 70 dias. Não tenho telefone, nem computador, como posso me defender?", acrescentou.

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Durante o período de custódia, ele teve direito apenas às visitas de seus advogados e do pessoal consular de França, Líbano e Brasil, os três países dos quais tem nacionalidade. A partir de agora, durante sua prisão provisória, o tribunal autoriza outros encontros, limitados em número e em duração, de até 15 minutos.

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Vestido de jogging preto e sandálias de plástico, Ghosn chegou para falar com a imprensa com o passo decidido, mantendo sua autoridade de CEO, ainda que diga estar "cansado" e sendo "desfavorecido". "Estou concentrado, quero lutar para restabelecer minha reputação e me defender contra falsas acusações. Me recusaram a liberdade sob fiança. Não seria normal em nenhuma outra democracia no mundo. Por que me puniram antes de ser declarado culpado?", questiona.

Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan (Foto: TORU YAMANAKA / AFP) — Foto: Auto Esporte
Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan (Foto: TORU YAMANAKA / AFP) — Foto: Auto Esporte

Alvo de três acusações por abuso de confiança e ocultação de rendimentos às autoridades financeiras entre 2010 e 2018, Ghosn nega envolvimento em qualquer atividade de malversação. Ele esperava poder ser posto em liberdade sob fiança para então falar do assunto, mas, após vários golpes, decidiu contra-atacar na imprensa.

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Na quarta-feira, em uma entrevista ao jornal japonês "Nikkei", já criticou abertamente os dirigentes da Nissan. Foram investigações internas da montadora que deflagraram as acusações formais contra o executivo, então presidente do conselho da Nissan.

Segundo ele, quiseram tirá-lo do jogo, porque tinha "o projeto de integrar" Renault, Nissan e Mitsubishi Motors. "É um complô, uma armadilha? Não há nenhuma dúvida quanto a isso. É um caso de traição. Há várias razões para isso. Havia muita oposição e ansiedade sobre o projeto de integrar as companhias (Nissan, Renault, Mitsubishi Motors)", insistiu.

O presidente da Nissan, Hiroto Saikawa, rebate várias vezes essa ideia de "golpe de Estado", falando em "provas" de malversação sobre seu antigo mentor. Ghosn pode continuará preso até seu processo, que ainda deve elvar alguns meses para acontecer, segundo sua defesa. Se for considerado culpado, por ser condenado a até 15 anos de prisão.

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Carlos Ghosn (Foto: Yasuyoshi CHIBA / AFP) — Foto: Auto Esporte
Carlos Ghosn (Foto: Yasuyoshi CHIBA / AFP) — Foto: Auto Esporte
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