Volkswagen dará férias coletivas a mil funcionários para frear produção
Período de licença deve afetar produção da maior fábrica da marca, em São Bernardo do Campo
Por Maria Clara Dias (com Julio Cabral)
Como tentativa de manter o número de empregados ao mesmo tempo que diminui a produção em um período sensível para o mercado automobilístico, a Volkswagen está negociando férias coletivas para aproximadamente 1.000 funcionários na maior fábrica da marca, em São Bernardo do Campo (SP).
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o principal motivo da atribuição do período de afastamento coletivo é a queda nas exportações para Argentina - mercado que detém 70% de toda a importação dos veículos produzidos por aqui - e também para o México, país com o qual o Brasil tem acordo de importação. Sem falar da queda de demanda do mercado interno nos últimos dois meses, após a greve dos caminhoneiros.
A decisão da aplicação de férias coletivas é comum no mercado de automóveis como uma alternativa para desacelerar o fluxo de produção sem desencadear novos gastos com redução de mão-de-obra. No caso do grupo alemão, a licença deverá começar em 21 de agosto e terá duração de um mês.
De acordo com a Volkswagen, a negociação de férias coletivas na maior fábrica da marca no Estado de São Paulo não é um reflexo direto do mercado de venda de seus veículos. A marca, se constituiu como a empresa com maior crescimento no mercado interno nos últimos seis meses, e teve aumento de 33% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da própria montadora.
Quando procurada, a Volkswagen afirmou que, apesar dos dados positivos, o grupo está sujeito a flexibilizações de acordo com as variações do mercado: “No caso de flutuações momentâneas de mercado, a empresa poderá, no futuro, utilizar ferramentas de flexibilização da produção, no sentido de se adequar à demanda de mercado”.
A Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores), por sua vez, retirou todas as projeções de crescimento das exportações de veículos nacionais pelos próximos meses.
A planta no ABC Paulista é responsável pela produção dos dois principais modelos da marca: o Polo e o sedã Virtus e emprega mais de 8.000 trabalhadores. A fábrica, que de acordo com dados recentemente divulgados pelo presidente da marca, Pablo di Si, está a beira de atingir a sua capacidade máxima de produção diária (dos 1.100 carros, 1.096 são fabricados), passará por outros quatro períodos de férias coletivas, com quantidades de funcionários envolvidos e datas ainda em negociação, de acordo com sindicalistas.
Veja abaixo o posicionamento da Volkswagen na íntegra:
Com investimento de R$ 7 bilhões, a Nova Volkswagen está em curso com a maior ofensiva de produtos de sua história no Brasil. Dos 20 produtos previstos até 2020, oito já foram lançados e o Gol e Voyage com transmissão automática chegarão nos próximos dias, totalizando 10 novidades em menos de um ano de implementação da estratégia. Lançamentos como o Novo Polo e o Virtus, graças ao seu grande sucesso, já impulsionaram as vendas da Volkswagen, que ocupa a segunda posição no mercado, com 15% de market share. Nos primeiros seis meses do ano, a VW foi a empresa que mais ganhou participação de mercado no Brasil, subindo dois pontos percentuais em relação ao primeiro semestre do ano passado. De janeiro a junho de 2018, em relação ao mesmo período de 2017, a VW registrou uma evolução de 33% nas vendas, bem mais que o dobro do mercado, que cresceu 14%. Com esses resultados, a Volkswagen do Brasil está elevando em cerca de 12% a produção em suas fábricas de veículos de janeiro a dezembro de 2018 na comparação com o ano passado. Já em sua unidade produtiva de motores em São Carlos, nos 12 meses de 2018, o percentual de crescimento será ainda maior: 58% em relação a 2017. No caso de flutuações momentâneas de mercado, a empresa poderá, no futuro, utilizar ferramentas de flexibilização da produção, no sentido de se adequar à demanda de mercado.









