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Carros

Por Caroline Sassatelli Com Guilherme Blanco Muniz


Carros com chave presencial e desatenção: mistura perigosa (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Carros com chave presencial e desatenção: mistura perigosa (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Um número crescente vem preocupando pesquisadores nos Estados Unidos. De acordo com o jornal The New York Times, desde 2006 foram registradas mais de 28 mortes em acidentes com monóxido de carbono no país. Existem dois principais motivos para isso: além dos motores cada vez mais silenciosos, muitas vezes as pessoas acabam esquecendo de desligar totalmente seus carros, principalmente aqueles com sistema de ignição com  chave presencial, que dispensa o contato físico.

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A partir do momento em que o usuário esquece de desligar seu veículo, ele coloca não só a sua saúde em risco, mas também a de todos que estejam próximos e em um ambiente fechado, como uma garagem. O monóxido de carbono é difícil de ser percebido, já que é inodoro e incolor. Seu efeito impede que o oxigênio chegue ao coração, cérebro e outros órgãos vitais. Além da morte, o gás também pode trazer sequelas e danos cerebrais graves.

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Ao mesmo tempo, com o passar dos anos, as montadoras estão deixando as chaves físicas de lado e investindo mais em carros que usam a “chave presencial”, que funciona por sinal de rádio e possibilita ligar o carro em um botão. Só nos EUA esse é o padrão em mais da metade dos 17 milhões de novos veículos vendidos por ano, de acordo com o site Edmunds.

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Crescimento contínuo

O número exato de mortes relacionadas a esse tipo de acidente ainda é desconhecido. Até 2016, porém, a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário (a “NHTSA”, na sigla em inglês) investigou quatro casos fatais. Essa mesma instituição alertou montadoras em 2002 sobre o perigo envolvendo as ignições sem chave em caso de erros humanos. Já em 2006, a agência atualizou seu regulamento para afirmar que "um aviso deve ser suficiente para chamar a atenção de um motorista antes que ele saia do veículo sem as chaves".

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A Society of Automotive Engineers (Sociedade de Engenheiros Automotivos) solicitou, em 2011, que os carros com esse tipo de tecnologia utilizassem recursos como bipes sonoros e luzes de advertência para alertar os motoristas que os veículos ainda estavam funcionando. A NHTSA voltou a aparecer e propôs uma regulamentação federal baseada nessa ideia, o que custaria à indústria automobilística menos de US$ 500 mil por ano. Os fabricantes, no entanto, rejeitaram a sugestão.

Entre 2013 e 2014, a administração de segurança norte-americana realizou testes, investigou montadoras e chegou, inclusive, a divulgar um vídeo em que destacou os riscos de veículos sem chave, incluindo o envenenamento por monóxido de carbono. Porém, não houve nenhuma regulamentação efetiva e, nesse meio tempo, pelo menos 21 pessoas morreram.

Monóxido de carbono pode levar os donos dos carros à morte (Foto: Shutterstock) — Foto: Auto Esporte
Monóxido de carbono pode levar os donos dos carros à morte (Foto: Shutterstock) — Foto: Auto Esporte

E as montadoras?

Enquanto isso, no outro extremo, as montadoras permanecem refutando as medidas de segurança ideais de sinalização propostas pelos órgãos pesquisadores. A Toyota (que esteve envolvida em quase metade dos casos de mortes relatados pelo New York Times), até usa um sistema de três sinais sonoros fora do carro e um dentro, para alertar motoristas que saem do veículo com o motor ainda operando, mas não têm luzes sinalizadoras. A fabricante, no entanto, alega que seu sistema de ignição sem chave "atende ou excede todos os padrões de segurança federais relevantes".

Já o grupo FCA, que inclui as empresas Fiat e Chrysler, afirma que em seus carros com chave presencial um aviso é exibido no painel se a chave for removida enquanto o motor estiver funcionando. E que, em certos veículos do ano modelo 2018, um som interno soa por 30 segundos. Segundo ela, em alguns modelos mais antigos o ruído fica ativo até que a chave esteja novamente no automóvel.

Os motores dos carros sem chave da Ford desligam sozinhos após 30 minutos de marcha lenta caso a chave não esteja no veículo, mas seus modelos mais antigos não foram adaptados para tal. Já General Motors gastou US$ 5 por carro para instalar o desligamento automático em um recall de 2015, de acordo com relatório da empresa.

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