Renault planeja trazer o esportivo Alpine para o Brasil
Plano inicial era importar algumas unidades para exibição, mas o cupê de motor central pode ser comercializado por aqui
Por Julio Cabral
A Renault aposta sério nos esportivos no Brasil. Além de ter bancado o Sandero R.S. (feito pela divisão Renault Sports), o fabricante pensa em trazer o esportivo Alpine. Recém-lançado na Europa, o cupê faz parte da divisão Premium da marca que, entre outros projetos, também cuidará da picape Alaskan e do crossover Koleos - caso o segundo realmente venha. O projeto é tratado formalmente pela Renault do Brasil.
Segundo apuramos, a marca já tinha planos de trazer algumas unidades para exibição. Seriam apenas três carros, nos moldes do que a francesa fez antes com o Megane RS de geração anterior (releia o teste do hatch esportivo). Esperamos que ele seja comercializado oficialmente em breve.
É difícil resistir à tentação de utilizar o Alpine para valorizar a marca Renault no país. O antigo sonho de Jean Rédélé, criador da pequena marca, era criar um esportivo pequenino capaz de detonar adversários maiores em circuitos montanhosos e ralis.
O jeito alpino do A110 é referenciado até no vídeo de divulgação do esportivo. A peça foi gravada em Col de Turini, uma passagem nos alpes franceses a mais de 1.600 metros de altura. Ao volante do cupê, o piloto ganhador das 24 Horas de Le Mans, Nicolas Lapierre, mostra um pouco do que o carro é capaz - o trecho foi fechado para a gravação. Coloque o fone de ouvido e confira o vídeo abaixo.
Dez anos após a sua morte, temos a reedição do sonho de Rédélé. O novo A110 manteve as linhas gerais da Berlinette original, afora a leveza de ser. São apenas 1.080 kg, patamar de Sandero 1.0. Só que o motor é bem mais forte que dos seus antecessores, o que garantiu uma relação peso-potência quase indecente.
Instalado em posição central-traseira, o novo 1.8 quatro cilindros turbo foi calibrado pela Renault Sport para gerar 252 cv e 32,6 kgfm de torque entre 2.000 e 5.000 rpm - o mesmo do novo Megane RS.
A caixa de câmbio Getrag de dupla embreagem e sete marchas ajuda a aproveitar a força do motor e leva o cupêzinho de tração traseira de zero a 100 km/h em 4,5 segundos. A velocidade máxima é limitada a 250 km/h. São números próximos do Porsche 718 Cayman, uma das referências do projeto francês.
O comprimento de apenas 4,18 metros fica pouco acima dos compactos e a altura de 1,25 metro é daquelas capazes de passar por baixo de uma cancela. A distribuição de peso melhorou muito, agora, o A110 conta com 44% do peso à frente e 56% atrás.
Embora tenha perdido o motor de popa, o novo Alpine promete ser tão circense quanto o original nas curvas, no que contribuirá o entre-eixos de reduzidos 2,42 m e a tração apenas traseira. Para ajudar na facilidade de inserão de curva e no despejo de força, os pneus são desiguais: 205/40 R18 na dianteira e 235/40 na traseira.
O A110 deixa claro o seu purismo em toques como o seletor de modos de comportamento. O modo Nornal é a opção cotidiana, depois dele a coisa começa a encrencar e fica resumida aos modos Sport e Track (pista). Para colaborar com a imersão, o ronco do quatro cilindros foi bem afinado e deixa toda a sua gravidade escapar por uma saída única central.
Com acontece com o Porsche 718, o A110 também tem dois porta-malas, um dianteiro (96 litros) e outro acima do propulsor central (100 litros). Os dois ocupantes ficam rentes ao chão em bancos envolventes revestidos de couro com padronagem matelassê. O estilo retrô fica do lado de fora do carro, por dentro, há toques high tech como o quadro de instrumentos digital (abaixo), afora a central multimídia capaz de exibir dados de telemetria. Apenas os comandos de ar parecem ser compartilhados com os Renault mais baratos.
Antepassado nacional
Além do incremento em termos de imagem de marca e resposta da imprensa, será uma forma de aproveitar o histórico da Alpine no nosso mercado, onde o modelo A108/A110 foi produzido pela Willys-Overland do Brasil como Interlagos (1961-1965).
Eram três as variantes de carroceria: cupê, berlineta e a inédita conversível, não disponível na França. A carroceria de poliéster e o porte reduzido ajudavam o carrinho a aproveitar todo o potencial do motor oriundo do Dauphine, cujo quatro cilindros traseiro refrigerado a água de 845 cm³ gerava uns 40 cv brutos.
Havia a opção de motores ampliados para 904 cm³ (56 cv) e 998 cm³ (70 cv), este último disponível apenas para a Berlineta, de longe o formato de carroceria que mais manteve o parentesco com os Alpine franceses. Não por acaso, foi justamente esse carro o primeiro modelo testado na história da Auto News Brasil, ainda em 1964 - relembre a matéria aqui.
Os Interlagos fizeram justiça ao seu batismo e ganharam muitas provas. Nisso tiveram a ajuda de grandes pilotos, tais como Emerson e Wilson Fittipaldi, José Carlos Pace e Bird Clemente, este último até hoje lembrado pela habilidade ao volante dos modelos da equipe Willys.









