Carro antigo é investimento e pode render mais do que ouro ou ações
Modelos clássicos valem mais do que alguns metais preciosos e têm até bolsa de valores com cotação internacional
Por Julio Cabral
Esse é o post que você pode compartilhar na expectativa de que seja lido pela esposa. Ao contrário do que ocorre com modelos novos (e seminovos), os carros clássicos (ou antigos) valorizam com o tempo.
Ou seja, nesse caso, dá pra afirmar que carro é investimento. O Hagi (Historic Automobile Group Internacional) avalia as raridades e exibe suas cotações no Financial Times junto com arte e artigos raros.
Os recordes impressionam. Em outubro de 2017, uma Ferrari 250 GTO 1963 foi vendida por US$ 52 milhões, bem mais que o valor anterior (de US$ 35 milhões), de um modelo semelhante, em 2012.
Ainda vale investir?
Quando o seu modelo é uma raridade das mais procuradas, os lucros podem ser rápidos. O empresário Jon Hunt vendeu sua Ferrari 250 GTO por 20,2 milhões de libras, R$ 72 milhões em valores convertidos. Dono da GTO há quatro anos, ele lucrou 4,5 milhões de libras na operação, cerca de R$ 16 milhões.
Vale mais do que ações?
O índice Hagi Top composto por uma seleção de 50 automóveis clássicos representativos valorizou 31,47% no primeiro semestre de 2013, ante 14,1% dos ativos do índice S&P 1200 global composto pelas ações de 1.200 empresas qualificadas.
São muito caros?
Ao contrário de empresas, divididas em ações, esses carros não saem por menos de R$ 250 mil lá fora. Então, é necessário investir pesado. Em geral, os mais raros lideram as cotações. Entre os Mercedes, os mais valorizados são os 300 SL Asa de Gaivota (13,7%) e o Roadster (15,7%). Como as restaurações estão cada vez mais caras, somente medalhões merecem esses altos investimentos.
Quais são os novos achados?
Deixando de lado os clássicos da Hagi, modelos recentes que sejam cobiçados por entusiastas, como o VW Golf GTI de primeira geração, estão encarecendo lá fora. Modelos americanos dos anos 1930 e 40 batem recordes, em especial modelos de marcas como Duesenberg, Packard, Cord e grande elenco.
E entre os brasileiros?
Quem busca por esportivos das antigas tem levado susto. Dodge Charger e Ford Maverick GT custam não raro quatro vezes mais do que há cinco anos. Sem falar nas primeiras fornadas de modelos como o VW Passat TS, negociado acima de R$ 25 mil. Quem sabe as Kombis nacionais mais raras atinjam a celebridade dos antigos modelo Samba? Uma Kombi Samba 1963 foi vendida nos EUA por US$ 217 mil em 2011, mais de R$ 500 mil.
Quebrando a banca
A especulação dos anos 1980 atingiu tudo: nada escapou da cobiça, nem os carros. Em 1987, ano em que bolsas de valores ao redor do mundo inteiro quebraram, um Bugatti Royale Type 41 foi vendido por R$ 16 milhões. Esse auge foi o prenúncio de uma queda.
Nos anos 1990, nem os milionários do Vale do Silício deram uma levantada nesse mercado, que somente no novo milênio viveu um novo "boom". Desde que o índice Hagi foi introduzido em 2008, a valorização mais que dobrou. Foram 430% de valorização nos últimos dez anos. Com a liberação de importação de automóveis clássicos na China, a “bolsa” de carros antigos tende a crescer ainda mais.









